Julho 7, 2009 by binv
Alguns economistas acreditam que a recessão americana pode já ter acabado. A discussão tem um aspecto bastante acadêmico, pois o fim da recessão só pode ser determinado retrospectivamente e os economistas que acompanham esse assunto levam meses para ter certeza de que a tendência de fato se inverteu. Mas o blog de economia do Wall Street Journal cita o economista de um banco japonês em Nova York que vê nas estatísticas semanais de seguro desemprego sinais de que a recessão poderia ter acabado em abril ou maio.
O índice ISM, divulgado na segunda-feira, parece confirmar essa perspectiva. Esse indicador de atividade subiu no mês de junho, mas permanece abaixo do nível que indicaria uma economia em expansão. É mais um sinal, portanto, de que a economia americana não está mais piorando tão rapidamente como acontecia no final do ano passado e no começo desse ano, mas ainda não é suficiente para confirmar que essa mesma economia já parou de encolher e está voltando a crescer.
A discussão tem um aspecto relevante para o mundo real. O governo de Barack Obama aprovou, no início do seu mandato, um plano de estímulo econômico que foi muito criticado por economistas como Paul Krugman e Brad DeLong, que temiam que ele esse pacote não fosse suficiente para impedir um aprofundamento da recessão que já parecia àquela altura inevitável. A discussão agora gira em torno da necessidade de um novo pacote de estímulo. Os porta-vozes do governo alegam que ainda não houve tempo suficiente para que o efeito do pacote implementado se faça sentir, mas o crescimento dos índices de desemprego aumenta a pressão para que se tome medidas adicionais.
Uma notícia sobre o Brasil, no entanto, parece ter ajudado o mercado americano a se recuperar no final do pregão de hoje. Depois de abrir para baixo, os índices Dow Jones e S&P 500 fecharam com alta de +0,53% e +0,26% respectivamente, recuperação devida pelo menos em parte ao anúncio da agência de classificação de risco Moody’s de que estaria estudando o “rating” do Brasil com vistas a uma possível elevação para “investment grade.”
Aqui no Brasil, apesar da boa notícia, o índice Bovespa, que chegou a estar caindo mais de 2% durante o dia, fechou em queda de -0,61%, em um início de semana curta com o feriado de 9 de julho em São Paulo.
Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.
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Junho 30, 2009 by binv
O momento é de relativa calma nos mercados. Nos Estados Unidos o grande assunto desta segunda-feira é a condenação de Bernard Madoff a 150 anos de prisão por operar o maior esquema de pirâmide da história, levando a perdas bilionárias para os investidores que aplicaram seu dinheiro com ele. De acordo com a Bloomberg, as perdas para esses investidores chegam a US$ 65 bilhões.
Mas o prejuízo certamente não termina aí. O affair Madoff revelou vulnerabilidades preocupantes no sistema de regulação e supervisão dos mercados americanos. Poucos imaginavam que fosse possível operar por tanto tempo um esquema tão grande e tão primário de fraude.
É possível argumentar que a responsabilidade, em última análise, é dos investidores que não fizeram a sua lição de casa e se deixaram seduzir pelas promessas de ganhos altos, constantes e independentes das condições dos mercados oferecidos por Madoff e pelos intermediários que promoviam seus fundos. Mas o dano à integridade dos mercados é real, e nem mesmo a pena de 150 anos na cadeia será suficiente para devolver aos investidores a confiança em veículos de investimento complexos e muitas vezes pouco transparentes.
No que diz respeito à economia americana, o momento é de espera. A economista Christina Romer, que preside o conselho de assessores econômicos da Casa Branca, diz que o efeito do pacote de estímulo do governo Obama deve ser sentido nos próximos meses, e que ainda não chegou o momento de apertar políticas monetária e fiscal. Ela acha que estamos perto do fundo do poço, e que uma recuperação rápida em 2010 é bastante possível.
Aqui no Brasil o último relatório de inflação do Banco Central, divulgado na sexta-feira, trouxe projeções de inflação bastante benignas para 2009 e 2010, de 4,1% e 3,9% respectivamente. Essas projeções, abaixo dos 4,5% da meta, em tese sugerem que há mais espaço para corte de juros. Mas o economista Eduardo Loyo escreve em seu comentário para clientes do UBS Pactual que talvez a situação não seja tão simples assim. Segundo ele, o Banco Central agirá de maneira cautelosa, não devendo reduzir os juros além do meio ponto percentual que ele espera para a reunião de julho do Copom.
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Junho 23, 2009 by binv
Os mercados abriram a semana em baixa, nos Estados Unidos e aqui, com quedas de -2,35% no índice Dow Jones, -3,06% no S&P 500, e -3,66% no Bovespa. A grande questão, aparentemente, é saber se a recuperação dos preços das ações nos últimos meses correspondeu ou não a uma melhoria equivalente nos fundamentos das economias.
De acordo com o blog Alphaville, do Financial Times, os gurus do mercado inclinam-se, no momento, ao pessimismo. A tese mais corrente, expressa, por exemplo, por Christopher Wood, do CLSA, seria de que a alta dos últimos três meses estaria se esgotando. Os investidores estariam nervosos com o crescimento de pressões deflacionárias no ocidente, e com a forte reação dos bancos centrais a essas pressões.
Nouriel Roubini explica: diante da ameaça de deflação, o Fed partiu para uma política monetária extraordinariamente frouxa, que estaria alimentando um boom global em mercados de ações e de commodities. Segundo Roubini, essa bolha nos preços das commodities, e especialmente do petróleo, pode por em risco a frágil recuperação econômica que se inicia e colocar o mundo novamente em recessão no final de 2010 ou no início de 2011.
No curto prazo todos os olhos estão voltados para o Fed, e para o seu comitê de política monetária (FOMC), que se reúne na terça- e quarta-feira da semana corrente. O foco do interesse não está tanto na taxa básica de juros da economia americana, e sim nos programas de “afrouxamento quantitativo”, ou seja, de aquisição pelo Fed de títulos emitidos pelo Tesouro americano. Investidores estarão atentos ao comunicado do FOMC e ao que ele dirá sobre perspectivas inflacionárias e sobre esses programas.
Aqui no Brasil o tema da semana é a abertura de capital da operadora de cartões de crédito Visanet, operação que deve movimentar algo em torno de seis bilhões de reais. Essa operação será um bom indicador do grau de apetite dos investidores externos por novas colocações de papéis brasileiros.
São cada vez mais freqüentes entre os analistas e comentaristas estrangeiros os elogios à gestão prudente da política econômica brasileira. Já há quem chame o nosso Banco Central de “o Bundesbank da América Latina.” Nesse contexto, a procura pelas ações da Visanet será vista como um termômetro da confiança dos investidores estrangeiros em nossa política econômica e no crescimento sustentado dos gastos do consumidor brasileiro.
Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Os fundos de ações e os multimercado com posições em ações sofreram com a performance ruim da Bovespa na semana passada. A valorização do dólar frente ao real também teve algum impacto nos fundos multimercado que carregam posições vendidas na moeda americana.
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Junho 16, 2009 by binv
Os mercados de ações fecharam em queda na segunda-feira, seguindo a tendência das commodities. Apesar de uma recuperação no final do pregão, tivemos queda de -2,13% no índice Dow Jones e de -2,38% no S&P 500. Aqui no Brasil o índice Bovespa seguiu o movimento, fechando em queda de -2,85%.
Procurar as razões por trás dos movimentos diários dos mercados é sempre um exercício dúbio, mas chamam a atenção os comentários dos ministros do G8, e principalmente do russo Alexei Kudrin. As declarações de confiança no dólar americano tiveram o efeito de valorizar aquela moeda, o que por sua vez deprimiu os preços das commodities. A questão fundamental, no entanto, é saber se as expectativas de recuperação econômica embutidas na recente valorização dos mercados são válidas.
As dúvidas surgem em várias frentes. O economista Paul Krugman, que tem acertado muito mais do que tem errado, falou de suas preocupações em uma longa entrevista para o jornal britânico Guardian. Ele acredita que o mundo inteiro corre o risco de um longo período de estagnação, comparável à década perdida vivida pelo Japão. E o mais preocupante, segundo Krugman, é que não é tão óbvio assim que as lições do Japão foram devidamente aprendidas, que seus erros não se repetirão, e que acharemos uma saída para a crise atual. Ele acredita que o relativo otimismo dos últimos meses se deve apenas a uma estabilização das principais economias. Elas pararam de cair, mas não é claro ainda de onde sairá a sua recuperação.
Nos Estados Unidos cresce a preocupação com o crescimento explosivo da dívida pública. O economista Willem Buiter fala em seu blog de um “buraco negro fiscal”, afirmando que sem um aperto fiscal significativo assim que o país começar a sair da recessão será muito difícil evitar um crescimento explosivo da dívida pública, e duvida da viabilidade política de um ajuste, seja reduzindo gastos, seja aumentando impostos. Na Europa o grande tema (além da probabilidade de quebra da Letônia) é o risco de que os governos – principalmente o da Alemanha – estariam colocando o carro na frente dos bois ao trazer à discussão prematuramente estratégias de saída da crise, ao invés de atacar problemas ainda não resolvidos como o mau estado de saúde de seus bancos.
Ou seja, os riscos para a economia mundial e para os ativos financeiros ainda são bastante substanciais, e toda estratégia de investimento deve ter isso em conta.
Aqui no Brasil, o Banco Central surpreendeu o mercado na semana passado ao reduzir a taxa de juros básica da economia para 9,25% a.a., o que tende a ser bom para os ativos de renda variável. Contudo, os motivos dessa decisão só serão esclarecidos com a publicação da ata da reunião, esperada para a próxima quinta-feira.
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Junho 9, 2009 by binv
A OCDE, organização que reúne as principais economias do planeta, divulgou nesta segunda-feira seu relatório mensal de indicadores antecedentes (“leading indicators”) para os 30 países membros da organização no mês de abril. De acordo com a OCDE, o índice subiu meio ponto no mês, a segunda alta mensal sucessiva, sugerindo que a recessão global pode ter atingido o fundo do poço, e que a recuperação pode começar nos próximos seis meses.
O cenário, no entanto, não é o mesmo para todas as economias incluídas no indicador. Os sinais de virada aparecem nos índices referentes a França, Itália, Reino Unido e China. Para os outros países que fazem parte do índice, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Japão, Brasil, Índia e Rússia, os números ainda apontam para desaceleração nos próximos meses. Os últimos dados de emprego nos Estados Unidos não são muito animadores: apesar do número de postos de trabalho ter caído relativamente pouco (345 mil), a taxa de desemprego atingiu 9,4%.
O economista Paul Krugman espera que a recessão termine antes de setembro, mas sugere que as taxas de desemprego devem se manter altas por bastante tempo. A solução para a economia americana pode ser um novo pacote de estímulo econômico do governo federal. Brad DeLong recomenda um pacote de ajuda aos estados, forçados por suas regras orçamentárias a cortar despesas em um momento onde deveriam aumentar seus gastos. O plano de DeLong teria a virtude de ser rápido e fácil de implementar, e portanto teria impacto imediato.
O cenário na zona do euro permanece bastante incerto. Segundo o FMI, a fragilidade do sistema financeiro desses países pode limitar a recuperação de suas economias. Além disso, a força da moeda européia deve dificultar a vida dos países onde a retomada do crescimento depende da vitalidade das exportações – ou seja, da Alemanha.
Aqui no Brasil estamos na expectativa pelo resultado do PIB no primeiro trimestre, que deve ser divulgado pelo IBGE na manhã de terça-feira. Caso se confirme o resultado negativo esperado pela maioria dos economistas aumentará a probabilidade de redução da taxa Selic na próxima reunião do Copom, na quarta-feira.
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Junho 2, 2009 by binv
A grande notícia de segunda-feira foi, sem dúvida, o pedido de concordata da General Motors, uma das maiores empresas do mundo e um símbolo do capitalismo à moda americana. As dificuldades financeiras da GM já eram bastante conhecidas e o pedido de concordata em si já era esperado. Mas isso não tira a importância do evento – a maior reorganização de empresa industrial da história, com ativos de US$ 82 bilhões, e passivos de mais de US$ 172 bilhões.
A GM será dividida em duas empresas, uma GM “boa”, que deverá ficar com os ativos viáveis da companhia, e uma GM “ruim”, encarregada de fechar fábricas, cancelar contratos com revendedores, aposentar marcas e demitir funcionários. Na ausência de um parceiro estratégico – papel que a Fiat está desempenhando no caso da Chrysler – a principal fonte de apoio para a GM é o governo americano, que está oferecendo mais US$ 30 bilhões para a empresa, além dos US$ 20 bilhões que já havia emprestado. O resultado será a estatização – temporária, espera-se – da empresa.
A questão é saber se surgirá uma empresa viável ao final desse processo. Os problemas da GM, e especialmente das suas operações dos Estados Unidos e Canadá, são antigos e complexos. A reestruturação que vem por aí oferece uma chance única para colocar em prática medidas necessárias como a drástica redução do número de fábricas, de marcas e de concessionárias. O presidente Barack Obama garantiu que os executivos da empresa terão total liberdade para tomar as decisões necessárias, mas restam dúvidas quanto à sua capacidade de transformação diante das dimensões políticas da situação.
A notícia aparentemente foi bem recebida pelos mercados, a julgar pelo desempenho dos índices de ações, impulsionados também pela divulgação de dados econômicos positivos nos EUA. O índice Dow Jones e o índice S&P 500 subiram +2,6% no dia. O índice Bovespa seguiu a tendência de alta e subiu 2,4% nesta segunda-feira.
Depois das altas dos meses de abril (+15,6%) e maio (+12,5%), investidores e analistas já começam a se perguntar se o mercado brasileiro não está ficando caro. Contudo, o principal determinante das altas recentes de ações, moedas, commodities e outros ativos – a criação de volumes enormes de liquidez pelos bancos centrais das principais economias – continua firme e forte. E enquanto enxergarmos fluxo de entrada de capital estrangeiro no Brasil, a alta da Bovespa deverá se sustentar.
Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Os destaques do mês de maio foram os fundos de ações e os fundos multimercado com posições em ações, como o Upside e os fundos BNY Mellon ARX.
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Maio 26, 2009 by binv
Estaria a China presa a uma “armadilha do dólar”, como diz a manchete do Financial Times de hoje, segunda-feira? De acordo com a matéria do jornal, as crescentes queixas de dirigentes chineses, preocupados com o risco de um colapso do dólar, não tiveram ainda nenhuma contrapartida na gestão das reservas por parte daquele país. Os dados mais recentes indicam que as autoridades chinesas continuam investindo a maior parte de suas crescentes reservas de divisas em títulos do tesouro americano. Só no mês de março o volume de títulos do U.S. Treasury comprados diretamente pelos chineses subiu US$ 23,7 bilhões, atingindo o novo recorde de US$ 768 bilhões.
O principal problema dos gestores das reservas chinesas é o volume de recursos à sua disposição. São, de acordo com Brad Setser do Council on Foreign Relations, quase US$ 2,5 trilhões somando-se as reservas formais, os ativos externos dos bancos estatais e outros itens. E essas reservas continuam crescendo, apesar da crise econômica mundial, já que os chineses continuam gerando superávits em conta corrente da ordem de 8 a 9% do seu PIB.
O volume é tão grande que são poucos os mercados do mundo capazes de absorver esses recursos. Os chineses temem perder duas vezes se tentarem vender títulos do tesouro americano para comprar papéis denominados em outras moedas. Perderiam na desvalorização dos títulos em dólar e na valorização dos títulos em outras moedas. Diante da probabilidade cada vez maior de uma alta dos juros americanos (em função da alta da inflação) só resta aos chineses a alternativa de dirigir seus investimentos para instrumentos de curto prazo, o que parece estar acontecendo, segundo o FT.
O movimento do dólar no curto e médio prazo é muito mais determinado pelos fluxos de investimento privados. Sua desvalorização recente frente ao real e frente também a várias moedas do mundo parece muito mais relacionada com o retorno do apetite de risco dos investidores, que tem beneficiado muito nossos mercados, do que com fatores políticos.
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Maio 19, 2009 by binv
Esta segunda-feira foi mais um dia de mercados aquecidos, aqui e lá fora. Nos Estados Unidos as ações dos bancos empurraram as altas de +2,85% no índice Dow Jones e de +3,04% no S&P 500. Aqui no Brasil subiram as ações de bancos e empresas de commodities, entre elas as da Petrobras. O Ibovespa fechou com alta de +5,01%.
A Petrobras, de longe a empresa mais importante para a economia brasileira e para o nosso mercado de ações, é objeto da atenção de exércitos de repórteres, economistas e analistas, mas nem por isso pode-se dizer que seja um exemplo de transparência. Hoje mesmo a empresa está nas manchetes em função da CPI que senadores da oposição querem instalar, aparentemente com o objetivo de jogar um pouco de luz nessa caixa preta. Mas isso não parece estar preocupando os investidores no momento, pois no mercado de hoje a ação PN da empresa subiu +4,92% e a ON +5,44%.
Outra notícia, no entanto, serve para mostrar o potencial de criação de riqueza dessa empresa, e o quanto é difícil avaliar se esse potencial se realizará. A missão presidencial que se encontra na China tem o objetivo, segundo o Wall Street Journal, de fechar acordo sobre financiamento chinês para a exploração das reservas do pré-sal. Segundo o jornal americano, a Petrobras busca dinheiro chinês para financiar parte de seu multi-bilionário programa de investimento, já que os mercados de crédito ainda se encontram parcialmente fechados. Como contrapartida a empresa estaria oferecendo garantias de fornecimento aos chineses, que, segundo o Journal, também querem ser fornecedores de serviços e equipamentos.
Com ou sem CPI, parece razoável imaginar que a gestão da Petrobras continuará bastante politizada. No entanto, as conversas com os chineses são um indicador de que os fundamentos da demanda por commodities básicas continuam fortes. O crescimento das classes médias e os grandes investimentos em infra-estrutura nos países em desenvolvimento devem voltar a pressionar os preços de energia, metais e alimentos nos próximos anos, em uma competição global por recursos finitos.
Os programas de gastos governamentais para combate à desaceleração das economias, financiando gastos em infra-estrutura, também devem ter um impacto positivo sobre a demanda por commodities. No curto prazo, a injeção de recursos dos bancos centrais nos seus respectivos sistemas financeiros parece estar ajudando na recuperação dos mercados de ações e de commodities – para a alegria dos investidores na Bovespa. A questão é saber até que ponto esse movimento se sustenta caso as economias centrais voltem a perder velocidade, dada a importância dos fluxos estrangeiros para a alta no nosso mercado.
Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.. É importante destacar que os dados não consideram o forte mercado desta segunda-feira, já que a última cota disponível da maior parte dos fundos acompanhados é da última sexta-feira, dia 15 de maio.
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Maio 12, 2009 by binv
Uma matéria do Wall Street Journal de segunda-feira expressa bem o crescente otimismo dos investidores com relação às perspectivas para os mercados emergentes. De acordo com o Journal, as altas recentes dos preços das ações do Brasil e de outros países estão atraindo cada vez mais investidores, fato comprovado pelas crescentes entradas de recursos nos fundos de investimento especializados em mercados emergentes – US$ 4 bilhões na semana de 6 de maio, de acordo com dados citados na matéria.
Os dados da Bovespa confirmam essa tendência. Abril foi o terceiro mês consecutivo com entrada líquida de recursos estrangeiros na bolsa, com um saldo positivo de R$ 3,77 bilhões no mês. Esses capitais têm ajudado a fazer a performance da bolsa brasileira uma das melhores do mundo nesse momento de alta, tendo subido cerca de 70% desde o ponto mais baixo atingido em outubro de 2008.
Essa valorização tem bastante a ver com uma avaliação mais racional dos fundamentos da economia brasileira e do seu contexto no cenário global. A sensação de terror passou, e as percepções apocalípticas comuns no auge da crise deram lugar a avaliações mais sóbrias segundo as quais o pior já passou e as perspectivas para algumas das economias emergentes são melhores do que aquelas para as economias maduras.
Os motivos para esse otimismo são familiares para os leitores desse comentário semanal. Em primeiro lugar, a atuação dos governos – e principalmente dos bancos centrais – dos países ricos parece ter sido suficiente para conter a crise. Talvez seja prematuro falar em início da recuperação, mas a fase de queda livre parece encerrada. Assim, já parece possível separar as economias e empresas que estão melhor posicionadas para o novo cenário. O Brasil leva vantagem na avaliação em função da saúde do seu sistema bancário e das boas perspectivas para as commodities graças ao plano de estímulo chinês.
Esses fundamentos explicam em grande parte os fortes fluxos de capitais dos últimos meses. No entanto, alguns observadores qualificados começam a se perguntar se os movimentos recentes dos mercados não teriam mais relação com os volumes de dinheiro que os bancos centrais têm injetado nos seus respectivos sistemas financeiros do que com as perspectivas de crescimento econômico e de rentabilidade para as empresas listadas em bolsa.
Enquanto tivermos essa combinação de fundamentos positivos e fluxo favorável as perspectivas para o mercado brasileiro serão muito boas. Contudo, é muito importante continuar atento para qualquer mudança no cenário.
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Maio 5, 2009 by binv
A Bovespa fechou em forte alta na segunda-feira 4 de maio, seguindo a tendência dos mercados globais. O índice Dow Jones teve alta de +2,61% e o S&P 500 subiu +2,58%. O Ibovespa subiu +6,59%, atingindo o patamar de 50 mil pontos pela primeira vez desde setembro de 2008.
Esse desempenho prolonga a tendência de alta dos últimos dois meses, aqui e lá fora. O índice S&P 500, por exemplo, já zerou as perdas desde o início do ano. O índice Bovespa, por sua vez, já subiu +34% em 2009, considerando o mercado desta segunda-feira, indicando uma avaliação positiva por parte dos investidores das perspectivas para a economia brasileira.
Mais especificamente, os sinais vindos da China – como o índice de gerentes de compras divulgado na segunda – sugerem que a retomada do crescimento naquele país pode ser a locomotiva do crescimento mundial, levando vários comentaristas a vislumbrar sinais de recuperação. Esses dados são particularmente importantes para o mercado brasileiro já que nossa bolsa é bastante concentrada em empresas produtoras de commodities. Além disso, nossa taxa de juros interna continua em trajetória de queda, com a inflação sob controle. Com o corte resultante da última reunião do Copom a taxa Selic atingiu 10,25% a.a., cenário este que tem contribuído para a boa performance de nossos mercados.
Contudo, para alguns analistas muito do movimento recente dos mercados pode ter mais a ver com a grande injeção de liquidez no sistema financeiro pelo Fed e outros bancos centrais do que com os fundamentos da economia, principalmente quando se fala da bolsa americana.
O futuro das instituições financeiras continua sendo um fator decisivo para o mercado americano. Espera-se para o final da semana a divulgação do resultado dos testes de stress propostos pelo departamento do Tesouro para os bancos americanos, e correm boatos de que grandes instituições como o Citigroup, Bank of America e Wells Fargo precisarão de mais capital. Porém, apesar dos rumores, as ações dos bancos estão entre as que mais se valorizaram nas últimas semanas.
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