Esta segunda-feira foi mais um dia de mercados aquecidos, aqui e lá fora. Nos Estados Unidos as ações dos bancos empurraram as altas de +2,85% no índice Dow Jones e de +3,04% no S&P 500. Aqui no Brasil subiram as ações de bancos e empresas de commodities, entre elas as da Petrobras. O Ibovespa fechou com alta de +5,01%.
A Petrobras, de longe a empresa mais importante para a economia brasileira e para o nosso mercado de ações, é objeto da atenção de exércitos de repórteres, economistas e analistas, mas nem por isso pode-se dizer que seja um exemplo de transparência. Hoje mesmo a empresa está nas manchetes em função da CPI que senadores da oposição querem instalar, aparentemente com o objetivo de jogar um pouco de luz nessa caixa preta. Mas isso não parece estar preocupando os investidores no momento, pois no mercado de hoje a ação PN da empresa subiu +4,92% e a ON +5,44%.
Outra notícia, no entanto, serve para mostrar o potencial de criação de riqueza dessa empresa, e o quanto é difícil avaliar se esse potencial se realizará. A missão presidencial que se encontra na China tem o objetivo, segundo o Wall Street Journal, de fechar acordo sobre financiamento chinês para a exploração das reservas do pré-sal. Segundo o jornal americano, a Petrobras busca dinheiro chinês para financiar parte de seu multi-bilionário programa de investimento, já que os mercados de crédito ainda se encontram parcialmente fechados. Como contrapartida a empresa estaria oferecendo garantias de fornecimento aos chineses, que, segundo o Journal, também querem ser fornecedores de serviços e equipamentos.
Com ou sem CPI, parece razoável imaginar que a gestão da Petrobras continuará bastante politizada. No entanto, as conversas com os chineses são um indicador de que os fundamentos da demanda por commodities básicas continuam fortes. O crescimento das classes médias e os grandes investimentos em infra-estrutura nos países em desenvolvimento devem voltar a pressionar os preços de energia, metais e alimentos nos próximos anos, em uma competição global por recursos finitos.
Os programas de gastos governamentais para combate à desaceleração das economias, financiando gastos em infra-estrutura, também devem ter um impacto positivo sobre a demanda por commodities. No curto prazo, a injeção de recursos dos bancos centrais nos seus respectivos sistemas financeiros parece estar ajudando na recuperação dos mercados de ações e de commodities – para a alegria dos investidores na Bovespa. A questão é saber até que ponto esse movimento se sustenta caso as economias centrais voltem a perder velocidade, dada a importância dos fluxos estrangeiros para a alta no nosso mercado.
Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.. É importante destacar que os dados não consideram o forte mercado desta segunda-feira, já que a última cota disponível da maior parte dos fundos acompanhados é da última sexta-feira, dia 15 de maio.