Comentário semanal


Começamos mais uma semana com os mercados bastante agitados. As bolsas pelo mundo tiveram um dia ruim, começando pela Ásia e Europa. Nas Américas não foi diferente, com os índices da bolsa americana caindo -1,29% (Dow Jones), -1,55% (S&P500) e -1,95% (NASDAQ) e o Ibovespa fechando em forte baixa de -3,02%. No acumulado da semana passada os números também não foram animadores: Dow Jones -3,04%; S&P500 -2,80%; NADAQ -2,60% e Ibovespa -2,55%.

As preocupações com a economia americana e o sistema financeiro continuam, acentuadas pelo fluxo de notícias ruins. Do lado da economia real, o destaque foi o dado de emprego divulgado na última sexta-feira, muito mais fraco do que o esperado. E o enfraquecimento da economia americana parece já afetar a China, que publicou hoje seu saldo de balança comercial de fevereiro: menos da metade do esperado pelos analistas.

Do lado do sistema financeiro as notícias são abundantes. Na última quinta-feira o fundo de títulos hipotecários Carlyle Capital anunciou que não tinha condições de depositar as margens exigidas por seus credores sobre seu portfolio de 21,7 bilhões de dólares, 32 vezes alavancado. Devido à crise no mercado de crédito, os bancos têm aumentado as margens exigidas em suas operações, produzindo um efeito em cascata. Atingindo em cheio os fundos que tomam dinheiro emprestado para aumentar sua exposição nos mercados. O Carlyle Capital não foi o primeiro, nem será o último hedge fund a apresentar problemas nesta crise. Segundo a Bloomberg, desde o dia 15 de fevereiro pelo menos seis hedge funds, com um total de mais de US$ 5,4 bilhões de dólares, foram obrigados a liquidar ou vender ativos para cobertura de margens.

Problemas de liquidez fizeram com que o Fed anunciasse na semana passada novas medidas para injetar cerca de US$ 100 bilhões no sistema financeiro. Contudo, hoje os boatos atingiram o banco de investimentos Bear Stearns, que sofreu perdas de bilhões de dólares com a crise no mercado de hipotecas americano. Suas ações chegaram a cair -14% durante o dia, fechando o pregão com queda de -11%. Nos últimos 12 meses a ação do Bear Stearns caiu -59%.

Paul Krugman reproduz em seu blog uma de suas citações favoritas de Keynes, do livro “Ensaios em Persuasão”, onde o economista inglês tenta explicar a natureza da grande depressão de 1929, ainda em seu estágio inicial: “We have a magneto (alternator) trouble”. Ou seja, escreve Krugman, “temos um problema no alternador. O motor econômico continuava com a potência de sempre, mas uma peça fundamental estava falhando, e precisava ser consertada. É mais ou menos onde estamos hoje. O alternador com defeito é o sistema financeiro. Nós substituímos o velho sistema centrado nos bancos por um aparelho de alta tecnologia supostamente mais eficiente. Mas esse aparelho depende de circuitos de computador para funcionar, e acontece que há erros fatais na sua programação. Alguém conhece um bom mecânico?”

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