Comentário Roberto Teixeira da Costa

Gangorra ou Montanha Russa?

O prestigioso jornal The New York Times publicou em sua edição de 19 de março, provocativa matéria com o título “Se você não consegue entender a crise de crédito, junte-se ao clube.”

Começa perguntando, com certa ironia que aqueles que não entendem a totalidade da crise financeira, por favor, “levantem a mão”. Aqui, se essa pergunta também fosse colocada, creio que o número de pessoas com mãos levantadas constituir-se-iam na grande maioria. Alguns, que pretensamente fingem entendê-la, na realidade também estão cheios de dúvida. Afinal de contas, por que razão uma crise no setor imobiliário norte americano, criada à partir da inadimplência de alguns compradores que não puderam honrar compromissos hipotecários assumidos, pode desencadear uma crise com a proporção que assumiu, com fortes repercussões em todo sistema financeiro mundial? Como explicar que tal inadimplência coloque em risco o sistema financeiro norte americano, congelando a concessão de créditos, afetando fortemente o preço das ações e de outros ativos, quase quebrando uma instituição financeira e acelerando a expectativa de recessão da economia norte americana?

Creio que quando essa página for virada, caberá aos analistas de mercado e principalmente aos historiadores econômicos um inventário da situação vivida e dele tirar as devidas lições.

O certo é que nenhum de nós em sã consciência pode hoje afirmar quando tudo irá terminar. Certamente, podemos antecipar que o aprendizado dessa crise vai obrigar os agentes financeiros a políticas bem mais conservadoras em suas operações de crédito, a auto regulação terá que ser aprimorada e, gostemos ou não, as entidades reguladoras oficiais irão baixar regras e políticas mais rígidas para instituições financeiras.

É bom lembrar que nenhuma crise é igual a outra. Se existem, pontos em comum, também é certo que muitos aspectos as diferenciam. Sabemos como começam, mas não como acabam!

A volta do fator credibilidade é essencial. Como bem sabemos, reconquistá-la é penoso e leva tempo.

No que nos toca, também estamos pagando o preço da correção do valor dos ativos que haviam sido inflados por um período de grande disponibilidade de capitais que percorreram o mundo em busca de ativos. Estamos vendo agora o reverso da medalha. E a safra de más notícias parece inesgotável.

Por sorte, não estamos sozinhos e resta-nos agir com cautela, muita prudência, esperando que os ventos que vem do norte não sejam um tornado! Como lembrava aquele analista arguto, as ações já estão bem baratas! O problema é que poderão ficar ainda bem mais baratas. Ninguém sabe.

Não estamos vivendo uma gangorra. Está mais próximo de uma montanha russa! Assim sendo, mantenham os cintos apertados!

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