Comentário Semanal

O mercado americano reagiu com euforia ao anúncio, na manhã de segunda-feira, de uma revisão substancial na oferta do banco J.P. Morgan pelo controle do banco de investimentos Bear Stearns. O índice Dow Jones subiu 1,52% e o S&P 500 subiu 1,53%, puxados pelas ações dos bancos. A outra notícia do dia foi um dado positivo de vendas de residências, que ajudou as ações de empresas do setor habitacional. Aqui no Brasil o Ibovespa fechou em alta de 1,40%.

A nova oferta pelo Bear Stearns ainda representa um valor muito abaixo daquele atingido pelas ações do banco no passado recente, mas parece ter alimentado expectativas de que o pior já passou para as instituições financeiras americanas. E parece que estamos sentindo também o impacto da enorme injeção de liquidez proporcionada pelo Fed, já que tivemos evolução positiva em praticamente todos os mercados financeiros, inclusive com reversão do movimento de fuga dos ativos de maior risco. O TED spread – a diferença entre uma nota de três meses do tesouro americano e um empréstimo interbancário com a mesma maturidade – caiu de 2% semana passada para 1,52%, indicando que a mais recente crise de liquidez já passou do pico. Além disso, o número de comentaristas internacionais procurando sinais de que o mercado já atingiu o fundo do poço parece indicar que o otimismo voltou a Wall Street. Resta saber se os fatos corresponderão aos desejos.

Aqui no Brasil, depois de meses repetindo que a economia estava forte e imune à crise externa o governo parece ter mudado o discurso na semana passada. Tanto o presidente Lula quanto o ministro Mantega demonstraram preocupações em seus discursos recentes. É verdade que nossa economia está aquecida e que alguns números publicados recentemente podem ser encarados como sinais de alerta. Por exemplo, hoje foi divulgada a nova projeção do Banco Central para o déficit em transações correntes, que passou de US$ 3,5 bilhões para US$ 12 bilhões. O crescimento das importações, o aumento de remessa de lucros de multinacionais e a redução do envio de dólares dos brasileiros no exterior foram os principais motivos dessa mudança. Ou seja, economia interna aquecida e real forte já causam algum impacto em nossas contas externas.

Ontem tivemos algumas reuniões com gestores de fundos que no geral estão otimistas com o Brasil. A preocupação com o cenário externo continua, porém acreditam que o pior já pode ter passado.

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