Crise de abundância

A crise das retenções de exportação na Argentina, que engrossou bastante nos últimos dias, tem alguns aspectos curiosos. Um deles — como observou Miriam Leitão — é a solidariedade da população urbana aos agricultores, que ontem resultou em choques entre “Kirchneristas” e “caceroleros”. Há indicações de que os conflitos podem piorar. Os Kirchneristas estão convocando para um grande ato de apoio à política econômica da presidenta hoje a noite em Buenos Aires.

O economista Daniel Fernández Canedo, que mantém um blog no site do jornal Clarín, explica o que está acontecendo: as retenções sobre exportações de soja são uma fonte importante de receita para o estado argentino, que faz um grande esforço fiscal. A idéia é evitar a emissão de dívida, e juntar divisas para importar energia no inverno. Por outro lado, a retenção serve também para regular os preços dos produtos agrícolas no mercado interno, e seria uma espécie de compensação paga pelos fazendeiros em troca dos subsídios que recebem na taxa de câmbio e no preço dos combustíveis. Em outras palavras, é um rolo. E esse rolo acontece exatamente em um momento de preços recordes para a soja. Coisas da heterodoxia.

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Uma resposta to “Crise de abundância”

  1. Os preços das commodities « Notícias do mercado Says:

    […] Argentina é um exemplo das tensões que esse tipo de política provoca. Depois de semanas de lock-out dos agricultores, a situação do abastecimento em Buenos Aires é […]

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