Os preços das commodities

O New York Times traz hoje matéria que ilumina um aspecto obscuro mas importante dos mercados globais de commodities, a relação entre os preços dos contratos futuros e dos mercados a vista. Diz a teoria que esses preços devem convergir na medida em que os contratos se aproximam do vencimento, mas não é isso que tem acontecido com a soja, milho e trigo negociados em Chicago. Os preços nas bolsas de futuros têm ficado consistentemente acima dos preços no mercado a vista. Isso é curioso, pois parece que existe uma oportunidade de arbitragem que não está sendo aproveitada. E pode ser grave, pois indica que os mercados futuros não estão cumprindo o seu papel.

Esse papel é hoje bem mais importante do que era até poucos anos atrás, pois a alta das commodities está criando problemas sérios ao redor do globo. A Economist da semana fala sobre os vários países do mundo que estão taxando suas exportações de alimentos de maneira a garantir o suprimento dos seus mercados domésticos. A revista alerta para os riscos: elas desmotivam os fazendeiros, levam a perda de mercados internacionais, e reforçam ainda mais a tendência de alta desses produtos nos mercados globais.

A Argentina é um exemplo das tensões que esse tipo de política provoca. Depois de semanas de lock-out dos agricultores, a situação do abastecimento em Buenos Aires é grave. Falta tudo, até mesmo a sacrossanta carne das parrillas porteñas. A presidenta Cristina Fernández de Kirchner fez ontem um duro discurso, mas os jornais argentinos viram ali uma abertura para a negociação. Veremos.

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