Archive for abril \29\UTC 2008

Comentário semanal

abril 29, 2008

A semana começou com os mercados em compasso de espera, sem direção definida, na expectativa do resultado da próxima reunião do Open Market Committee, o comitê de política monetária do Fed.

A expectativa dos investidores é que o comunicado, que será publicado na quarta-feira, traga um corte de um quarto de ponto percentual na taxa básica de juros da economia americana. A questão, no entanto, é o que o teor do comunicado sinalizará para o futuro da política monetária americana. O dilema vivido pelo Fed é dos mais difíceis. Ainda não se sabe o tamanho da conta da crise financeira que começou no segmento “subprime” dos financiamentos imobiliários, e comentaristas qualificados continuam dizendo que é muito cedo para dizer que o pior já passou. Essa incerteza com relação às dimensões da crise é um forte argumento para continuar reduzindo os juros.

Por outro lado, o espectro da inflação limita a liberdade de ação do Fed. A alta dos preços de energia e dos alimentos certamente já teria levado a uma elevação dos juros, não fosse o risco de recessão. Essa preocupação com o risco de inflação em alta também pesa sobre as perspectivas para os juros no Brasil. O relatório Focus divulgado hoje pelo Banco Central trouxe novas altas para as expectativas de juros e de inflação. A discussão pública sobre o cada vez mais provável reajuste da gasolina alimentou esse clima de incerteza.

Clique aqui para nossa tabela de acompanhamento de fundos semanal.

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E surge a tese de doutorado

abril 28, 2008

A tese de doutorado de Alan Greenspan — apresentada a uma banca da New York University em 1977 — tem sido assunto para inúmeros boatos desde 1987, quando a única cópia pública do documento sumiu da biblioteca da NYU, atendendo a pedidos do autor. A reavaliação da sua gestão do Fed sob a luz (e o calor) do estouro da bolha imobiliária trouxe o assunto de volta aos jornais.

A tese finalmente reapareceu, chegando às mãos de Jim McTague, do Barron’s, através de um dos professores que fizeram parte daquela banca, Paul Wachtel. A tese é de fato uma coleção de artigos previamente publicados, mas Wachtel — claramente preocupado em defender a reputação da NYU — diz que não há nada de errado nisso.

O declínio da indústria financeira

abril 28, 2008

A indústria financeira americana praticamente cresceu sem parar nos últimos 30 anos, em termos de percentual do mercado de ações, do total de lucros como do tamanho da economia como um todo. Mas parece que essa tendência está mostrando sinais de reversão, segundo o Wall Street Journal. A securitização, que foi um dos motores desse crescimento, parece ter se esgotado. Além disso, os governos pelo mundo afora começam a exigir mais capital das instituições financeiras, ou seja, menos alavancagem, o que implica em lucros menores.
Os fluxos globais de capitais devem continuar crescendo, segundo as fontes ouvidas pela reportagem, mas de maneira mais transparente e menos lucrativa.

Comentário Semanal

abril 23, 2008

Em sua última reunião, na semana passada, o Copom aumentou a taxa de juros pela primeira vez desde 2005. O aumento de 0,5 pp, por unanimidade, correspondeu ao topo das expectativas do mercado. Segundo o texto publicado pelo BC, um movimento brusco agora na elevação da taxa pode ser benéfico e reduzir a magnitude final do ajuste como um todo.

O acontecimento mais esperado da semana corrente é a publicação da ata da reunião do Copom, na próxima quinta-feira. Espera-se que ela esclareça a avaliação do comitê a respeito das perspectivas da atividade econômica e inflação, bem como do balanço de riscos do cenário do BC.

E com a alta dos juros, o real voltou a se valorizar fortemente. Na semana passada a taxa de câmbio atingiu 1,66 real por dólar americano. Em conseqüência, as preocupações com o balanço de pagamentos começam a aumentar. Também tivemos uma ótima semana na bolsa de valores, com o índice Bovespa médio subindo 3,60%. No mês, a alta já chega a 7,46%.

Recentemente a empresa ARX Capital, gestora dos fundos ARX PLUS, ARX FIA e ARX EXTRA, entre outros, foi comprada pela BNY Mellon, braço de gestão de recursos da Mellon Serviços Financeiros. A compra visa juntar a expertise das duas empresas. A equipe de gestão da ARX, capitaneada por Carlos Eduardo Ramos, continuará à frente do time. Algumas modificações no regulamento dos fundos de ambas as empresas deverão ocorrer nas próximas semanas para permitir a incorporação dos fundos de mesmo perfil, trazendo assim o ganho de escala esperado por sua união.

Clique aqui para nossa tabela de acompanhamento de fundos semanal. Os fundos multimercado em sua maioria têm tido boa performance este mês, com destaque para o fundo Upside, que está com rentabilidade acumulada em abril de 2,74% (463% do CDI).

É quase como estar em Berkeley

abril 22, 2008

Brad DeLong, professor de economia em Berkeley, Califórnia, colocou no seu blog o áudio e os slides de uma palestra recente (21 de abril) sobre o estado da economia americana. Crescimento do PIB, emprego, investimento estrangeiro e balança comercial, mercado imobiliário, mercados financeiros e política monetária, está tudo lá.

Comentário Roberto Teixeira da Costa

abril 18, 2008

P E R S P E C T I V A

Abril/2008

Viajando, viajando, viajando…

Três viagens consecutivas ao exterior em pouco mais de duas semanas realmente não é algo que recomendo.
Porém, as circunstâncias assim me obrigaram. Vou aqui destacar os pontos de maior relevância, começando por Lima, numa reunião da Diretoria Internacional do CEAL. (more…)

Medo de ficar para trás

abril 18, 2008

O Citigroup divulgou seu resultado trimestral hoje. Os números, apesar de ruins, não foram tão catastróficos quanto alguns analistas esperavam. O resultado foi uma forte alta nos mercados americanos, apesar dos sinais de que a crise financeira ainda não foi debelada. A explicação técnica, aparentemente, é a seguinte: os gestores profissionais de investimentos estão comprando agressivamente, com medo de perder o bonde da alta. A Fonte é Barry Ritholtz, do The Big Picture.

Esse TED é meu

abril 17, 2008

É o que diz Paul Krugman em seu blog. O TED Spread tornou-se o instrumento padrão para quem quiser acompanhar o desenrolar da crise financeira, e Krugman não quer que ninguém esqueça que ele é o pai da idéia.

Diga-se de passagem que esse indicador ainda não sinaliza o fim da crise. O gráfico abaixo, do Blog Naked Capitalism, mostra que a situação do mercado interbancário ainda é delicada:

TED Spread

Termômetro quebrado, febre alta

abril 16, 2008

A taxa Libor, um dos mais importantes indicadores financeiros do mundo, está com problemas, segundo o WSJ (em português no Valor). A taxa é uma média dos custos de captação de vários bancos que atuam no mercado de Londres. Surgiu a desconfiança agora que alguns dos bancos não estão informando o seu verdadeiro custo de captação, para não mostrar o quanto estão apertados.

Essa quebra de confiança tem várias conseqüências, todas negativas. A pior talvez seja o risco de descasamento para os bancos que indexam seus empréstimos à Libor. Além disso, a notícia não vai ajudar em nada a destravar os mercados de dinheiro (Across the Curve). E os fãs do TED spread terão que achar outro termômetro para medir a saúde do sistema financeiro.

Macroeconomia? Ninguém sabe de nada.

abril 15, 2008

Essa, pelo menos, é a opinião de Justin Fox, blogueiro de economia e finanças da revista Time. Ele diz que lá pelos anos 90 aprendeu que sintonia fina em macroeconomia é impossível, e que por isso mesmo seria melhor que o Fed se preocupasse só em manter a inflação sob controle, e que o resto do governo só se preocupasse com os incentivos corretos de longo prazo.

O drama é que nos momentos de crise todos os responsáveis acham que têm que fazer alguma coisa, e não há uma base técnica tão forte assim para dizer o que deve ser feito. O resultado é que podemos economistas qualificados propondo políticas diametralmente opostas, como ficou registrado recentemente no blog de Greg Mankiw, professor de macro em Harvard.