Comentário semanal

Depois de quatro dias de queda, o mercado americano fechou a segunda-feira, último dia do mês e do trimestre, em alta. O índice Dow Jones subiu 0,4%, o índice S&P subiu 0,6%. O Nasdaq subiu 0,8%. No Brasil, o índice Bovespa seguiu a tendência, com alta de 0,85%. Os principais índices de mercado fecharam o primeiro trimestre com quedas substanciais: -7,55% para o Dow Jones, -9,92% para o S&P 500, -14,07% para o Nasdaq e -4,57% para o Ibovespa.

O secretário do Tesouro Henry Paulson apresentou hoje, segunda-feira, a sua proposta de reforma regulatória dos mercados financeiros americanos. Esta proposta está longe de ser a última palavra sobre o assunto, mas merece ser analisada como base para as complexas discussões que vêm por aí.

Segundo o próprio departamento do Tesouro, o projeto inclui medidas de curto, médio e longo prazo. No curto prazo, ele recomenda melhor coordenação entre as diversas agências responsáveis, e melhor supervisão dos mercados. No médio prazo ele pede a criação de uma agência para cuidar da originação de hipotecas, protegendo os consumidores, e fala em modernizar a estrutura regulatória eliminando algumas duplicidades e criando estruturas para tomar conta de segmentos que hoje não recebem a atenção adequada.

No longo prazo o plano de Paulson recomenda a reforma total da sistema de regulação do mercado financeiro, que deve adotar uma abordagem baseada em objetivos. A selva de agências que existe hoje seria substituída por um regulador de estabilidade dos mercados, um regulador prudencial, e um regulador de conduta dos negócios.

Talvez o ponto mais polêmico de toda a discussão seja o papel do Fed, que ocupou espaços ao longo da crise e assim ampliou bastante a sua esfera de poder. A proposta consolidaria a supervisão dos bancos e das holdings financeiras em apenas uma agência, que pode ser o Fed mas pode ser também a FDIC, seguradora de depósitos. Os economistas do Fed insistem que esse papel de supervisão é essencial para a condução da política monetária, especialmente nos momentos de “stress”.

Para o mercado, a grande dúvida é quanto ao preço que os bancos de investimentos, hedge funds e outros veículos de investimento pagarão. Bill Gross, um dos gestores mais respeitados do mercado americano, acha que esse preço será alto. Eles serão forçados a reduzir sua alavancagem, diminuindo assim sua rentabilidade.

Um movimento de desalavancagem pode ter conseqüências sérias por aqui também, reduzindo a entrada de recursos e a valorização do real e dos ativos financeiros locais. Esse é um assunto que deve dominar as atenções do mercado.

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