Archive for maio \30\UTC 2008

Venezuela importa cada vez mais petróleo

maio 30, 2008

O Banco Central da Venezuela divulgou um relatório que mostrou um crescimento de 150% nas importações da PDVSA, a estatal venezuelana de petróleo, no primeiro trimestre de 2008 comparado com o mesmo período de 2007. Segundo o despacho da Associated Press, publicado no International Herald Tribune, isso é mais um sinal de que os números de produção publicados pela PDVSA são irreais e que a produção da Venezuela está caindo.

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Inflação e bolha

maio 29, 2008

Há quem argumente que existe uma bolha nos preços do petróleo, alimentada pelas compras especulativas de hedge funds e outros investidores.

A questão é importante. Uma bolha seria sinal de uma política monetária excessivamente folgada, e indicaria que faz sentido elevar juros. Por outro lado, se o que existe é um problema de oferta, não faz sentido tentar combatê-lo através de política monetária.

Não é tão simples identificar uma bolha. Quem seriam os especuladores por trás dela? Quem se debruça sobre a questão vê que a resposta não é óbvia. E a produção de petróleo não tem reagindo aos altos preços do produto. Segundo dados citados pelo Wall Street Journal, a produção caiu 2,5% em 2007 e essa tendência negativa continua em 2008.

Por outro lado, a demanda por energia cresce rapidamente, o que pode ser sinal de dinheiro fácil alimentando taxas de crescimento insustentáveis. O economista John Taylor, por exemplo, está preocupado com a alta global da inflação, e tem uma proposta nova: ele acha que muitos bancos centrais estão mantendo juros baixos demais por medo de provocar valorização de suas moedas, provocando assim alta de preços de commodities. A solução? Coordenação internacional dos regimes de metas de inflação (Reuters).

Comentário Semanal

maio 27, 2008

Com o feriado americano de Memorial Day, a segunda-feira foi de baixo volume. Mas uma olhada nas publicações de lá pode dar uma boa noção do que anda na mente dos investidores.

No Wall Street Journal a discussão é sobre o que é uma bolha financeira. A pergunta não é tão irrelevante quanto pode parecer à primeira vista. A definição do dicionário diz que há uma bolha quando existe um descompasso entre os preços de um ativo e o seu valor fundamental, na medida em que os investidores acreditam que poderão vender mais caro do que compraram.

Contudo, não é fácil dizer se existe ou não uma bolha no caso das commodities, pois não há como determinar se os preços estão alinhados com seu valor fundamental. E os preços podem oscilar violentamente, especialmente no caso do petróleo, onde oferta e demanda são rígidas no curto prazo, mas respondem ao preço no médio e longo prazo. Ou seja, é razoável esperar um ajuste nesse mercado, mas não é possível dizer nem quando esse ajuste virá, nem qual será a sua magnitude. Mas o movimento de alta não persistirá para sempre.

E a alta das commodities gera preocupação com pressão inflacionária nos bancos centrais do mundo todo. Muitos acreditam que o ciclo de corte de taxas de juros na economia americana, por exemplo, pode ter chegado ao fim.

Olhando para a bolsa americana depois da crise no mercado de crédito, muitos investidores parecem acreditar que os preços das ações das instituições financeiras já estão mais ou menos alinhados com o seu valor fundamental. Mas o ponto não é pacífico, como mostra entrevista publicada na última edição do semanário Barron’s que está repercutindo na blogosfera financeira. Nessa entrevista o gestor de fundos Sy Jacobs comenta que o processo de destruição de crédito que levou à quebra do banco de investimentos Bear Stearns continua vivo, que vários segmentos dos mercados financeiros ainda têm sérios problemas pela frente, e que o mercado de securitização não recuperou a sua credibilidade. Em resumo, ainda temos muita volatilidade pela frente.

Aqui no Brasil a bolsa tem se comportado de maneira relativamente tranqüila, principalmente pela forte presença de empresas produtoras de commodities, como a Petrobrás, em nosso principal índice. Na semana passada o Ibovespa caiu -1,81%, o Dow Jones -3,91% e o S&P500 -3,47%.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

Comentário Roberto Teixeira da Costa

maio 19, 2008

Produtividade no Brasil: Chave do Desenvolvimento

Participei durante esta semana de um interessante debate com o ex-Presidente do Banco Central Gustavo Loyola sobre o fascinante tema da PRODUTIVIDADE, sob os auspícios da Alexander Proudfoot.
Muito embora não seja justo afirmar que no passado os empresários brasileiros estivessem despreocupados com a discussão do assunto, nos dias de hoje a busca de maior produtividade, em qualquer setor de atividade, é essencial. No passado, empresas especializadas na consultoria de produtividade estiveram basicamente focadas no corte de cabeças. Hoje, essa busca de eficiência já não está centrada nessa abordagem. É evidente que em muitas situações é inevitável uma readequação de força de trabalho, mas ela deixou de ser o único instrumento usado pelas empresas.
Uma análise mais profunda vai identificar alguns gargalos, quer no sistema de suprimentos, distribuição, qualidade dos produtos ou serviços, análises de mercados globais e assim por diante. Hoje o empresário industrial tem que olhar esse amplo universo de um mundo globalizado para situar uma empresa competitivamente. Quais as minhas vantagens comparativas? Tenho escala para competir? Devo estar presente no exterior?
Esse tipo de análise ganhou relevância adicional a partir do momento em que nossa moeda passou a valorizar-se em relação ao dólar norte-americano. Se de um lado a modernização do seu parque industrial torna-se mais barata com produtos importados mais acessíveis, do outro a concorrência se tornou para alguns produtos bem mais complicada, pela invasão de produtos finais bem mais baratos.
Existem fatores que a empresa pode acessar para buscar maior eficiência produtiva. Certamente, do lado positivo, a maior disponibilidade de recursos é dado relevante. Também pelo aspecto do mercado de capitais, que vem mostrando nos últimos anos estar preparado para suprir as empresas com recursos de longo prazo.
É verdade também, que os empresários não podem fazer milagres. Loyola lembrou que a portaria da fábrica é uma boa divisória. Do lado de dentro, temos modificações e aprimoramentos sensíveis. Da porta para fora, o terreno ainda precisa ser bem aplainado. O famoso Custo Brasil é sempre lembrado, uma carga fiscal pesada, a informalidade da concorrência, estrutura trabalhista superada, custo de capital competitivamente elevado, e vai por ai afora. O insatisfatório diálogo entre a universidade e a indústria também foi lembrado.
A produtividade no Brasil tem certamente melhorado. Duas semanas após ser promovido a grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), o Brasil recebeu uma boa notícia sobre o nível de competitividade de sua economia: o país galgou seis posições no ranking de 2008 da escola de negócios suíça IMD. O Brasil pulou do 49º para o 43º lugar, numa lista com 55 países, depois de dois anos seguidos de queda no Anuário de Competitividade Mundial da IMD. O salto foi impulsionado principalmente pela maior eficiência de negócios e pelo bom desempenho da economia. Na comparação com os outros países do grupo dos BRIC, o Brasil aparece atrás da China (17ª) e da Índia (29ª), mas à frente da Rússia (47ª). No entanto, a economia brasileira foi a única entre as quatro a ganhar postos neste ano – a chinesa e a indiana perderam duas posições cada uma e a russa, quatro. A liderança é dos EUA, seguidos de perto por Cingapura.
O problema é que o crescimento no Brasil tem sido inferior ao de grande parte da Ásia e da Europa do leste ex-socialista, que começou a diminuir seu atraso. Foi salientado nos debates que seguiram as apresentações que no nosso caso específico existem setores modernos que convivem com outros ainda muito atrasados. Certamente o grande desafio para aquelas empresas que não atingiram seu estágio de modernidade competitiva é o de lutar com todos os mecanismos ao seu alcance, para superar essa defasagem. Essa é uma das preocupações que estão presentes na Política Industrial, anunciada recentemente com muita pompa e circunstância pelo Presidente da República. Essa é certamente uma das chaves do nosso crescimento. E o papel do Governo é estar atento para que nossas empresas não entrem nessa competição em desvantagem.

Reviravolta

maio 19, 2008

Semana passada o investidor Carl Icahn lançou uma ofensiva contra o conselho de administração da Yahoo!, que, segundo ele, teria cometido um sério erro ao recusar a oferta da Microsoft pelo controle da companhia. Icahn quer substituir o conselho da Yahoo! por outro, indicado por ele, mais aberto a negociações.

Mas a sopa engrossou. Para os acionistas da Yahoo! só faz sentido apoiar Icahn se ele tiver como trazer a Microsoft de volta à mesa, com uma oferta compensadora (veja Henry Blodget comentando no próprio site da Yahoo!). E parece que a Microsoft e Yahoo! estão conversando sobre uma espécie de acordo operacional, que excluiria a aquisição. Pode ser bom para os acionistas das duas, mas não fica claro como Icahn vai reagir (MarketWatch).

Proxy fight

maio 15, 2008

As ações têm conseqüências, e as inações também. Quando recusou a proposta de aquisição da Microsoft e não ofereceu nenhuma alternativa estratégica, a direção da Yahoo! ficou em posição altamente vulnerável. E acaba de surgir um oportunista para ganhar dinheiro em cima dos erros de Jerry Yang, fundador e executivo-chefe da Yahoo!. Seu nome é Carl Icahn, e seu status é de figura lendária em Wall Street. Ele enviou hoje uma carta para o presidente do conselho da empresa dizendo que seus acionistas perderam confiança na direção atual, que teria agido de forma “irracional” diante da oferta da Microsoft. Icahn pretende, portanto, derrubar o atual conselho de administração da Yahoo! e colocar no seu lugar um board disposto a negociar com a Microsoft.

O Deal Journal, do WSJ, explica como é o modus operandi de Icahn. A pressão será enorme, e a briga pode demorar meses. Paul Kedrosky visualiza Jerry Yang escondido embaixo da mesa.

Economista entra para o mundo dos negócios, aprende alguma coisa

maio 14, 2008

Mike Moffatt é um desses economistas que encontraram sucesso no Web escrevendo sobre os assuntos mais variados possíveis. Tem o blog Freakonomics, no New York Times, Tyler Cowen, do Marginal Revolution, e Megan McArdle, que escreve para o site da Atlantic Monthly, entre outros. Moffatt escreve hoje sobre o efeito dos impostos sobre os investimentos privados. Diz ele que sempre subestimou o quanto altos impostos sobre o lucro tiram dinheiro da mão dos empreendedores. Mas agora que ele tem uma pequena empresa, percebeu que não é tão fácil como imaginava tomar dinheiro emprestado. Assim, percebeu que falta de recursos próprios é sim um problema complicado. Há coisas que não se aprende na torre de marfim.

Comentário Semanal

maio 13, 2008

O mercado de hoje, segunda-feira, trouxe mais um recorde no preço do petróleo, que atingiu a marca inédita de US$ 126 por barril. O preço de fechamento em Nova York foi de US$ 124, abaixo do fechamento de sexta-feira, mas ainda altíssimo em comparação com padrões históricos.

Ainda há analistas que insistem que essa alta de preços tem sido alimentada por especuladores, e que mais cedo ou mais tarde essa bolha vai estourar já que os fundamentos do mercado não suportam esses níveis de preços. Seus argumentos, no entanto, são fracos. Como escreveu Paul Krugman em sua coluna do New York Times, se a especulação fosse responsável pela alta de preços, os especuladores precisariam armazenar em algum lugar o óleo que compraram. Como esses estoques não existem, o razoável é concluir que essa alta é sustentada, causada por um crescimento da demanda que a oferta do produto não foi capaz de acompanhar.

Os mesmos fundamentos parecem estar em ação nos mercados de commodities alimentares, com pequenas variações. Eventos meteorológicos têm sua influência, mas os principais determinantes da alta de preços parecem ter base econômica e demográfica: o crescimento da demanda em países como Índia e China, e o aumento dos custos, especialmente dos fertilizantes, cujos preços estão vinculados ao preço da energia.

Esse cenário é bem menos benigno que o que enfrentávamos um ou dois anos atrás, e impõe desafios aos condutores da nossa política econômica. As expectativas de inflação continuam subindo, e junto com elas as projeções para as taxas de juros no final do ano. O relatório Focus divulgado hoje pelo Banco Central trouxe novas elevações para as expectativas dos índices de preços, com o IPCA cada vez mais perto do topo da meta. A média da taxa Selic no final do ano já está em 13,25%, um ponto percentual e meio acima do patamar atual.

No lado dos investimentos, continua um forte movimento na bolsa, alimentado basicamente pela entrada de capital estrangeiro. Contudo, geralmente uma alta dos juros significa menos atratividade para a renda variável.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. A performance dos fundos multimercado está bastante heterogênea e a volatilidade tem sido bastante acentuada.

O dólar em um mundo pós-americano

maio 12, 2008

Prever o declínio dos Estados Unidos é um perigo. O historiador Paul Kennedy, por exemplo, sofre até hoje as conseqüências de ter sugerido, 20 anos atrás, que o destino de toda grande potência é o declínio relativo. Quem está embarcando nessa agora é Fareed Zakaria, jornalista e “public intellectual”, que vê um mundo multipolar surgindo por aí, em função do crescimento econômico em países como China, Índia, Rússia e Brasil.

E o que aconteceria com o dólar nesse cenário? John Quiggin, no Crooked Timber, e Peter Goodman, no New York Times, desenham cenários parecidos. Ambos falam em uma diversificação muito lenta, muito gradual das reservas internacionais. O euro, libra esterlina e yen devem ocupar cada vez mais espaço, mas um colapso
do dólar é muito improvável. Não existe uma alternativa real, e os países superavitários têm relações comerciais importantes com os Estados Unidos. Não lhes interessa, portanto, esse colapso.

Mais alertas contra a volta da inflação

maio 8, 2008

Ver o Banco Central Europeu emitindo alertas contra a alta da inflação não chega a ser nenhuma surpresa. Desde a sua criação, o BCE sempre foi agressivo na defesa da estabilidade de preços. Mas Jean-Claude Trichet está longe de ser o único economista preocupado com o assunto. John Lipsky, do FMI, soltou hoje um alerta, admitindo que o crescimento rápido da China e Índia está puxando para cima o patamar de inflação global.

Lipsky parece acreditar que os banqueiros centrais devem buscar uma política de acomodação, ou seja, não procurar combater uma mudança no nível geral de preços como se fosse uma aceleração da taxa de inflação.

Não é só no Brasil que tem gente questionando o regime de metas de inflação. Uma alternativa talvez seja fechar os mercados de commodities. Não é muito mais absurdo do que algumas das propostas de John McCain e de Hillary Clinton.