Comentário Roberto Teixeira da Costa

Produtividade no Brasil: Chave do Desenvolvimento

Participei durante esta semana de um interessante debate com o ex-Presidente do Banco Central Gustavo Loyola sobre o fascinante tema da PRODUTIVIDADE, sob os auspícios da Alexander Proudfoot.
Muito embora não seja justo afirmar que no passado os empresários brasileiros estivessem despreocupados com a discussão do assunto, nos dias de hoje a busca de maior produtividade, em qualquer setor de atividade, é essencial. No passado, empresas especializadas na consultoria de produtividade estiveram basicamente focadas no corte de cabeças. Hoje, essa busca de eficiência já não está centrada nessa abordagem. É evidente que em muitas situações é inevitável uma readequação de força de trabalho, mas ela deixou de ser o único instrumento usado pelas empresas.
Uma análise mais profunda vai identificar alguns gargalos, quer no sistema de suprimentos, distribuição, qualidade dos produtos ou serviços, análises de mercados globais e assim por diante. Hoje o empresário industrial tem que olhar esse amplo universo de um mundo globalizado para situar uma empresa competitivamente. Quais as minhas vantagens comparativas? Tenho escala para competir? Devo estar presente no exterior?
Esse tipo de análise ganhou relevância adicional a partir do momento em que nossa moeda passou a valorizar-se em relação ao dólar norte-americano. Se de um lado a modernização do seu parque industrial torna-se mais barata com produtos importados mais acessíveis, do outro a concorrência se tornou para alguns produtos bem mais complicada, pela invasão de produtos finais bem mais baratos.
Existem fatores que a empresa pode acessar para buscar maior eficiência produtiva. Certamente, do lado positivo, a maior disponibilidade de recursos é dado relevante. Também pelo aspecto do mercado de capitais, que vem mostrando nos últimos anos estar preparado para suprir as empresas com recursos de longo prazo.
É verdade também, que os empresários não podem fazer milagres. Loyola lembrou que a portaria da fábrica é uma boa divisória. Do lado de dentro, temos modificações e aprimoramentos sensíveis. Da porta para fora, o terreno ainda precisa ser bem aplainado. O famoso Custo Brasil é sempre lembrado, uma carga fiscal pesada, a informalidade da concorrência, estrutura trabalhista superada, custo de capital competitivamente elevado, e vai por ai afora. O insatisfatório diálogo entre a universidade e a indústria também foi lembrado.
A produtividade no Brasil tem certamente melhorado. Duas semanas após ser promovido a grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), o Brasil recebeu uma boa notícia sobre o nível de competitividade de sua economia: o país galgou seis posições no ranking de 2008 da escola de negócios suíça IMD. O Brasil pulou do 49º para o 43º lugar, numa lista com 55 países, depois de dois anos seguidos de queda no Anuário de Competitividade Mundial da IMD. O salto foi impulsionado principalmente pela maior eficiência de negócios e pelo bom desempenho da economia. Na comparação com os outros países do grupo dos BRIC, o Brasil aparece atrás da China (17ª) e da Índia (29ª), mas à frente da Rússia (47ª). No entanto, a economia brasileira foi a única entre as quatro a ganhar postos neste ano – a chinesa e a indiana perderam duas posições cada uma e a russa, quatro. A liderança é dos EUA, seguidos de perto por Cingapura.
O problema é que o crescimento no Brasil tem sido inferior ao de grande parte da Ásia e da Europa do leste ex-socialista, que começou a diminuir seu atraso. Foi salientado nos debates que seguiram as apresentações que no nosso caso específico existem setores modernos que convivem com outros ainda muito atrasados. Certamente o grande desafio para aquelas empresas que não atingiram seu estágio de modernidade competitiva é o de lutar com todos os mecanismos ao seu alcance, para superar essa defasagem. Essa é uma das preocupações que estão presentes na Política Industrial, anunciada recentemente com muita pompa e circunstância pelo Presidente da República. Essa é certamente uma das chaves do nosso crescimento. E o papel do Governo é estar atento para que nossas empresas não entrem nessa competição em desvantagem.

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