Comentário Semanal

George Soros é um investidor de grande sucesso, e um dos homens mais ricos do mundo. Quando ele diz que estamos vivendo a explosão de uma “super-bolha” com 25 anos de crescimento, como ele faz em seu último livro, ele consegue atrair a atenção de muita gente. Afinal, estamos vivendo condições de mercado bastante difíceis. Na segunda-feira, por exemplo, o banco de investimentos Goldman Sachs voltou atrás na sua avaliação do início de maio, quando recomendou ações de bancos a seus clientes. Dizendo que a avaliação do mês passado estava equivocada, admitiu que os problemas do sistema financeiro americano ainda não acabaram. O ciclo de deterioração de crédito ainda não chegou ao fim, os bancos precisarão de mais capital, e o fraco desempenho dos seus papéis tornará mais difícil levantar recursos.

O mercado de energia, por sua vez, continua turbulento. A última novidade neste segmento vital para a economia mundial foi o encontro de produtores e consumidores que aconteceu no último domingo na Arábia Saudita. Pressionados para aumentar suas vendas, os sauditas revelaram planos para aumentar a sua capacidade de produção nos próximos anos. No curto prazo, no entanto, a sua margem de manobra é muito limitada, e a queda de produção da Nigéria mais do que compensa qualquer aumento de produção anunciado pelos sauditas. Contudo, a história nos mostra que grandes aumentos do custo de energia tendem a provocar inflação e ajustes na economia global: com menor crescimento econômico e incentivos ao incremento de produção e substituição de matriz energética que podem gerar excesso de capacidade num futuro próximo. Depois dos choques do petróleo das décadas de setenta e oitenta, os preços do petróleo tiveram grandes quedas e passaram longos períodos em valores bem mais baixos que seus picos. Segue anexo gráfico com a série histórica do preço médio anual do barril de petróleo.

Isso não quer dizer, no entanto, que Soros esteja certo. O financista tem um longo histórico de previsões catastróficas que não se realizaram, e apesar de boa parte de sua tese parecer verossímil, o fato é que alertas como o dele têm um impacto, e investidores e governos reagem. As projeções, portanto, não se realizam. O risco real de uma grave crise financeira seguida de uma recessão profunda parece ter sido afastado, mas não sem custos para a sociedade. O mais latente é a inflação que está crescendo em todo o mundo.

Num cenário como este, torna-se cada vez mais difícil a condução da política monetária. Com a pressão dos preços dos alimentos e energia, já não há mais espaço para queda de juros na economia americana. Ao contrário, os discursos já falam em possíveis aumentos nas taxas de juros. Aqui no Brasil, estamos sujeitos às mesmas pressões que, mesmo parcialmente compensadas pela valorização do real, estão presentes nos índices de inflação recentemente publicados. O cenário que temos pela frente, como demonstram as projeções do relatório focus, é de alta de juros.

Com essas perspectivas a bolsa brasileira tem sofrido bastante este mês, com queda acumulada no período de -11%. Contudo, enquanto os preços das commodities se sustentarem em patamares elevados, algumas empresas brasileiras tenderão a se beneficiar desta condição. O problema é saber até quando isso durará.

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