Comentário Semanal

O início de julho tem se mostrado muito ruim para os mercados, com o Ibovespa apresentando queda acumulada de -9,12% no mês, até o dia de hoje. O mercado acionário brasileiro foi bastante volátil nesta segunda-feira, chegando a apresentar alta de mais de 2%, queda maior que -1% e fechando o pregão com queda -0,47%, aos 59.088 pontos. O cenário dominante é o externo e a bolsa brasileira seguiu os índices americanos em suas mudanças de direção durante o dia.

O economista Nouriel Roubini, que nos últimos meses tem acertado mais do que tem errado nas suas previsões de catástrofe financeira, volta à carga hoje no seu blog. O alvo, dessa vez, é o arranjo internacional que vale hoje para as taxas de câmbio, conhecido por Bretton Woods 2. Esse arranjo, que não chega a ser um sistema, funciona mais ou menos da seguinte maneira: países emergentes como a China geram superávits no seu comércio com os Estados Unidos, gerando reservas que são acumuladas por seus bancos centrais. Essas reservas são aplicadas em títulos do governo americano, financiando assim o seu déficit orçamentário.

Esse arranjo permite que os americanos continuem financiando os seus dois déficits (fiscal e comercial), o que favorece também os exportadores de bens de consumo para o mercado americano, já que com o dinheiro emprestado por eles os americanos compram adoidado. Todos ficam satisfeitos, apesar dos baixos retornos oferecidos pelos títulos do tesouro americano, e apesar do acúmulo de uma enorme dívida americana.

Roubini, no entanto, acredita que a inflação causada pela política monetária frouxa dos Estados Unidos vai botar tudo a perder, repetindo os acontecimentos de 1971-73, quando o acordo de Bretton Woods inicial foi enterrado. Os países que participam do arranjo atual precisam intervir nos seus mercados de câmbio para impedir a apreciação de suas moedas. O custo disso é a emissão de papel, gerando inflação. Roubini acredita que esses países vão preferir deixar a inflação subir a valorizar suas moedas, e essa inflação será exportada para os Estados Unidos. Os anos de ouro de baixa inflação e alto crescimento são coisa do passado, segundo ele.

Um cenário de alta inflação não é favorável para as instituições financeiras, que continuam enfrentando sérias dificuldades. As perdas no mercado de crédito não parecem ter chegado ao fim, e a provável necessidade de mais capital para o setor não anima investidores. Hoje, segunda-feira, foi a vez das securitizadoras Fannie Mae e Freddie Mac, que talvez precisem de mais alguns bilhões de dólares em capital. As quedas em suas ações foram de -16% e -18%, respectivamente.

Mas nem tudo está perdido, pois é em momentos difíceis como esses que surgem as boas oportunidades. Tudo depende do preço que se está pagando.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

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