O Brasil e a rodada de Doha

Duas análises de jornalistas que vêm acompanhando o processo de negociações: Assis Moreira, no Valor, e Clóvis Rossi, na Folha. Como relatada à Assis Moreira por funcionários do Itamaraty, a adesão do Brasil à proposta de consenso foi um gesto puramente pragmático, decorrente de uma avaliação de que o processo  já tinha atingido o limite, e que novas concessões aos interesses brasileiros custariam muito caro na barganha mercantilista da OMC.

Segundo a versão narrada por Assis Moreira, não houve uma “traição” ao G-20. O que houve foi uma radicalização da posição da Índia, que o Brasil não quis acompanhar. E a China não estaria disposta a fazer mais concessões agora, pois seus dirigentes sentem que já abriram demais na adesão à OMC sete anos atrás.

O curioso é que dentro da lógica mercantilista da OMC e especialmente no contexto da rodada de Doha resistir à abertura comercial virou sinônimo de liderança, como se lê na matéria de Clóvis Rossi. É uma inversão total dos objetivos dessas negociações. Para quem quer posar de defensor dos fracos e oprimidos, muito bem. Mas se a idéia é fechar um acordo a atitude tem que ser outra.

Update: as agências de notícias acabam de anunciar o colapso das negociações. A bomba ficou no colo de Índia, China e EUA. A manobra de Celso Amorim teve o mérito de tirar o Brasil da lista dos “bad guys.”

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