Archive for agosto \26\UTC 2008

Comentário semanal

agosto 26, 2008

Os mercados tiveram uma segunda-feira difícil. O índice Bovespa caiu -2,46%, influenciado pelos mercados americanos. As quedas de -2,08% no índice Dow Jones e de -1,96% no índice S&P 500 foram puxadas principalmente pelas ações de empresas do setor financeiro. Desta vez, no entanto, o problema não parece estar na Fannie Mae e Freddie Mac. As ações das duas valem hoje frações dos seus picos históricos, refletindo a percepção de que o seu resgate pelo Tesouro dos EUA está próximo e não beneficiará seus acionistas atuais.

A preocupação agora gira em torno de papéis como os da seguradora AIG e do banco de investimentos Lehman Brothers. Analisada de uma perspectiva de longo prazo, a questão não é somente o destino dessas duas empresas, e sim o que acontecerá com o setor financeiro como um todo. O estrategista Byron Wien, um respeitado veterano de Wall Street, sugere em entrevista no último Barron’s que a recuperação do setor financeiro deve ser lenta e rasa, pois as instituições não poderão voltar tão cedo aos níveis de alavancagem que atingiram antes da crise de crédito, e sem alavancagem seus resultados também não crescerão. O cenário é particularmente difícil para os bancos de investimento, e já se fala em consolidação.

Wien acha que o risco de inflação nos Estados Unidos está sob controle, mas não espera um retorno rápido ao crescimento econômico lá ou nos mercados europeus. Ele acredita que o crescimento virá dos emergentes, principalmente Índia e China, e beneficiará produtores de alimentos e de energia. Ele está particularmente otimista com relação ao Brasil. O segredo, segundo ele, estaria em nossa política econômica que privilegia o controle da inflação.

E hoje o UBS Pactual também enviou relatório para seus clientes recomendando ações brasileiras. O banco cita cinco motivos para se voltar a investir aqui, depois da grande saída de investidores estrangeiros dos últimos meses: ações baratas em termos de preço/lucro; crescimento econômico relativamente pouco afetado pelas oscilações das economias centrais; perspectivas de preços de commodities ainda fortes para o futuro próximo; crescimento sustentado do lucro das empresas e boas perspectivas para a inflação.

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Comentário semanal

agosto 19, 2008

O real continua forte, apesar do recuo dos últimos dias, e a taxa de câmbio valorizada provoca mudanças no comportamento dos consumidores brasileiros. Um indicador forte disso tem sido a presença cada vez maior de celebridades internacionais nos anúncios nos jornais e TVs. Sarah Jessica Parker, Sylvester Stallone e Kiefer Sutherland se tornaram figurinhas fáceis por aqui. Segundo notícia publicada pela agência Bloomberg, o real forte torna os custos de contratação dessas estrelas internacionais bastante competitivo.

O crescimento acelerado do nosso déficit em conta corrente – US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre, contra um superávit de US$ 2,4 bilhões no mesmo período de 2007 – parece indicar que o real está excessivamente valorizado. No entanto, as oscilações da nossa moeda parecem estar cada vez mais ligadas aos movimentos das commodities que dominam a nossa pauta de exportação. Enquanto essa correlação se mantiver, vai ser preciso continuar vigiando de perto os números da conta corrente.

As bolsas de valores continuam voláteis, refletindo a incerteza quanto aos rumos da economia mundial e também com relação à saúde das principais instituições financeiras dos países desenvolvidos. Hoje, segunda-feira, as ações das americanas Fannie Mae e Freddie Mac caíram mais de 22% cada uma, depois que o semanário Barron’s sugeriu, na sua última edição, que cresce a probabilidade de um resgate pelo tesouro americano, que resultaria na destruição do valor dos atuais acionistas.

A queda da bolsa de Nova York – o índice Dow Jones caiu -1,6% hoje, segunda-feira – levou consigo os mercados ao redor do mundo e a Bovespa não foi exceção. Com a queda de -1,69% no pregão desta segunda-feira, a bolsa de São Paulo já acumula uma perda de -16,5% no ano de 2008. Estamos a níveis próximos ao de janeiro deste ano quando a bolsa sofreu pesadas perdas, contudo se recuperando rapidamente nos meses seguintes.

A pergunta que todos se fazem é até quando o Ibovespa vai continuar caindo. Pergunta impossível de responder. Contudo, o que podemos dizer é que aos preços atuais, parece interessante ter investimentos em renda variável.

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Comentário semanal

agosto 12, 2008

Hoje, segunda-feira, os mercados sofreram aqui no Brasil. O índice Ibovespa caiu -3,29% e o real se desvalorizou frente ao dólar, com a moeda americana subindo +0,31%, e fechando o dia a R$ 1,61/US$. Já o mercado americano andou na direção oposta, apresentando alta de +0,41%. A que se deve este movimento?

A bolsa americana tem subido devido à queda do petróleo e das commodities em geral, o que deve trazer alívio para as pressões inflacionárias e favorecer uma recuperação da economia dos EUA. Aqui no Brasil, no entanto, nosso índice é extremamente concentrado em ações de empresas produtoras de commodities, como Petrobras e Vale do Rio Doce, por exemplo. Quando os preços desses produtos caem, as ações dessas empresas têm perdas, levando aos movimentos que temos visto. O petróleo, por exemplo, que já esteve perto dos 150 dólares por barril, voltou ao patamar dos US$ 115, apesar da guerra entre Rússia e Geórgia. É o famoso descolamento dos mercados, que no passado recente ajudou a bolsa brasileira, quando os mercados americanos estavam em queda. Só que agora ele está no sentido contrário.

Estamos passando no momento por um realinhamento de preços em vários ativos. Assim como nas commodities, temos visto movimentos fortes também no mercado de câmbio. O dólar tem se valorizado frente à quase todas as moedas. É difícil dizer quanto tempo isso deve durar. Contudo acreditamos que os preços atuais refletem mais os fundamentos do que os picos alcançados no passado recente.

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Na Argentina a economia depende da política

agosto 8, 2008

Os mercados de títulos públicos argentinos estão em queda livre, como resultado da curiosa política de financiamento adotada pelos Kirchner. Como o mercado financeiro internacional continua fechado para os títulos argentinos, o tesouro daquele país vende suas emissões para o governo da Venezuela. Mas o governo de Hugo Chávez não fica com o papel: ele o repassa para os bancos, que os vendem no mercado. Acontece que os bancos podem vender em NY e ficar com os dólares, coisa rara na economia bolivariana. O resultado é uma foret pressão de venda, apesar do alto retorno (15% a.a.) oferecido pelos papéis. Muita gente em Buenos Aires se pergunta se essa estratégia ainda faz algum sentido (Clarín).

Mais de um ano de “credit crunch”

agosto 6, 2008

Crônicas e análises de qualidade no Financial Times.

Comentário semanal

agosto 5, 2008

O economista Paul Krugman tem sido um dos mais agudos observadores da crise financeira americana que começou a se delinear mais claramente faz um ano. Na sua coluna de hoje, segunda-feira, no New York Times, Krugman nos lembra que a crise, apesar de se desenrolar em câmera lenta, pode fazer um grande estrago.

Os preços das residências nos EUA já caíram 16%, e ainda não se estabilizaram, e os indicadores de emprego se deterioraram. O Fed reduziu repetidas vezes a sua taxa de juros, mas o custo de captação do setor privado pouco se alterou, pois instituições financeiras e investidores não parecem dispostos a arriscar seu capital em instrumentos sem garantia do governo federal.

Krugman defende mais estímulo fiscal para impedir uma queda maior no emprego, mas sugere que ainda vamos conviver por muito tempo com os efeitos da crise. Ele espera queda nos gastos dos consumidores, queda nos preços das residências, e redução nas carteiras de empréstimos dos bancos.

O cenário continua sendo de grande volatilidade nos mercados, e de incerteza na avaliação de suas perspectivas. Isso também vale para os ativos brasileiros. Apesar da queda de quase 25% com relação ao pico atingido em 20 de maio, os investidores estão divididos com relação ao futuro do índice Bovespa. O gestor Mark Mobius, por exemplo, acha que a nossa experiência com governos responsáveis e orçamentos equilibrados é curta, e que podemos voltar à velha inflação. Segundo dados da Bovespa, só no mês de julho, os investidores estrangeiros tiraram cerca de R$ 7,6 bilhões de investimentos na bolsa paulista.

Os preços alcançados recentemente, que levaram o índice Ibovespa para mais de 73 mil pontos, estavam de certa forma exagerados. Contudo, com as quedas recentes, estamos mais próximos de preços razoáveis e, por isto, acreditamos que possa haver oportunidades para horizontes mais longos de investimento.

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