Comentário semanal

A segunda-feira foi um dia histórico para os mercados e para a economia mundial. A rejeição pela câmara dos representantes do pacote de ajuda para o sistema financeiro provocou fortes quedas nos mercados. O índice Dow Jones caiu -6,98%. O S&P 500, mais representativo do mercado e das carteiras dos investidores médios, fechou em queda de -8,81%, seu pior desempenho desde outubro de 1987. O índice Bovespa chegou a atingir -10% de queda durante o pregão, levando à suspensão automática dos negócios por meia hora. Ainda assim, a queda no final do dia foi de -9,36%.

Esses são apenas alguns dos indicadores mais visíveis do grau de “stress” nos mercados. Outros sinais de tensão estão presentes nos mercados de crédito e de câmbio, e na atuação das agências do governo americano. Somente no dia de segunda tivemos um acréscimo de 330 bilhões no volume de dólares à disposição dos bancos centrais da Europa e Japão. Os bancos centrais europeus tiveram um dia cheio, montando ajudas de emergência para instituições como Hypo Real Estate na Alemanha, Fortis no Benelux e Bradford & Bingley na Inglaterra. Tivemos também mais um dia de stress no mercado interbancário americano, que continua essencialmente paralisado apesar das enormes injeções de recursos pelo Fed.

Por outro lado, é difícil encontrar algum economista que tenha defendido o plano de resgate que o governo Bush mandou para o Congresso. A proposta de Paulson e Bernanke foi muito criticada por não atacar diretamente o problema da falta de capital do sistema bancário, pelo aspecto de risco moral, pela falta de punições para os responsáveis, e pelo excesso de poder que ela colocava nas mãos do secretário do Tesouro. Mas era a única alternativa sobre a mesa, e ainda não sabemos quais serão os próximos passos. No momento em que escrevemos, as notícias dizem que Paulson voltará ao trabalho com o Congresso, mas é difícil identificar as bases de um novo acordo.

Enquanto esse novo plano não sair, o Fed deve voltar aos instrumentos que tem usado nos últimos meses, como as linhas especiais de crédito, além do socorro caso a caso, como nos casos do AIG, Washington Mutual e Wachovia. Uma redução dos juros também é possível. Mas se você escutar alguém dizendo que sabe para onde caminha a solução, pode ter certeza de que não é verdade.

A não aprovação do pacote pegou a maior parte dos agentes de surpresa. Junte-se a isso a falta de apoio da população americana às medidas anunciadas e uma eleição para o congresso e Casa Branca no início de novembro. Não é o fim do mundo, mas as incertezas são imensas. Uma das incertezas é quanto à disposição dos investidores estrangeiros de continuar colocando dinheiro nos EUA, onde uma crise política veio se somar à crise financeira. O dólar, no entanto, se segurou no dia de hoje, em parte por causa dos problemas vividos pelas outras economias de moeda forte. A confusão é tamanha que, segundo notícia da Bloomberg, os mercados temem intervenção dos bancos centrais para reduzir a volatilidade das taxas de câmbio.

Quanto ao Brasil, podemos dizer que nosso sistema bancário tem uma boa posição hoje, com a maior parte dos bancos bem capitalizada. Nosso sistema financeiro também evoluiu desde a última crise bancária, que levou à criação do PROER. Um dos grandes avanços foi a criação do Fundo Garantidor de Crédito, que garante depósitos em instituições financeiras de até R$ 60 mil por cliente, por instituição. Esse tipo de garantia tem um efeito muito positivo, pois assegurando um valor mínimo por depositante, tende a evitar a corrida aos bancos em tempos de crise. Muitos analistas acreditam que ainda não houve uma corrida generalizada dos correntistas americanos aos bancos de lá graças a esse tipo de seguro, que nos EUA garante até US$ 100 mil por cliente por instituição.

Na semana passada o Banco Central brasileiro aliviou as regras para o recolhimento do compulsório para facilitar um pouco a vida dos bancos de médio porte. Esses bancos vinham captando bastante dinheiro lá fora para emprestar aqui dentro. Além do aperto na liquidez mundial e o congelamento do mercado de crédito, contribuíram para a necessidade de liquidez os prejuízos incorridos por empresas como Sadia e Aracruz em suas operações de hedge cambial.

Por enquanto temos visto apenas problemas bastante localizados. Contudo, como regra geral, em um momento como esse é bom ter aplicações em instituições sólidas. No caso dos fundos distribuídos pela Benchmark A.A.I. podemos dizer o seguinte: os fundos administrados pela BNY Mellon, como a família de fundos da Arx e o Upside, têm sua custódia no Banco Bradesco; o Unibanco está entre os maiores bancos brasileiros; o Credit Suisse é um dos bancos mais capitalizados entre os grandes do mundo; e o Calyon é um dos maiores bancos franceses. Além disso, procuramos sempre fundos que usem pouca alavancagem, o que evita riscos maiores em cenários de muita volatilidade como agora.

Quanto aos preços dos ativos, isso é uma outra questão. Temos visto movimentos fortes durante o dia, e de um dia para o outro. E às vezes até perdemos a noção de valor. Só para se ter uma idéia, mesmo com a forte queda de segunda, o Ibovespa fechou a 46.028 pontos, acima do fechamento do dia 17 de setembro, há pouco mais de uma semana, quando o índice da bolsa paulista encerrou o pregão a 45.908 pontos. As incertezas são muitas, e é por isso que os preços têm oscilado tanto, em tão curto espaço de tempo. Enquanto elas continuarem, não podemos esperar um cenário diferente deste. A vantagem é que hoje temos ativos com preços bastante razoáveis, o que tende, de certa forma, a limitar o espaço para quedas.

Para superar um momento como este, o melhor a fazer é ter uma boa alocação de carteira e tentar se movimentar o menos possível, pois dada a grande variação dos preços nos mercados, essas movimentações poderão ter custos muito altos. Estando investido em fundos que tenham bons ativos, ou nos próprios ativos diretamente, as cotas ou preços podem cair e subir bastante de um dia para o outro, mas olhando para um horizonte mais longo, esses ativos tenderão a atingir preços mais compatíveis com seus fundamentos.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

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