Archive for outubro \28\UTC 2008

O FMI adentra a sala de operações

outubro 28, 2008

E o receituário parece ser o mesmo de sempre, para o bem ou para o mal.

A lista de pacientes não para de crescer: Islândia, Hungria, Ucrânia, Polônia. Polônia?

Comentário semanal

outubro 28, 2008

A segunda-feira começou com quedas fortes nos mercados asiáticos e nas praças européias, mas a onda vendedora não atingiu as Américas com a mesma força. O índice Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, caiu -12,7%, e o Nikkei, da bolsa de Tóquio, caiu -6,4%, atingindo o seu ponto mais baixo dos últimos 26 anos. O índice DJStoxx 600, que mede o desempenho dos mercados europeus, caiu -1,9%. O mercado americano, no entanto, abriu em alta e chegou a avançar bastante, mas devolveu todos os ganhos nos últimos minutos do pregão. O índice Dow Jones caiu -2,4% e o índice S&P 500 fechou em queda de -3,2%. O índice Bovespa, por sua vez, caiu -6,5%.

Essas ondas de vendas que parecem se auto-alimentar nem sempre têm lógica econômica. É verdade que alguns fatores afetam de maneira semelhante a maior parte dos mercados do mundo, mas é fato também que cada país, cada mercado tem a sua própria dinâmica, suas vantagens e seus problemas na crise atual. O Japão, por exemplo, enfrenta dificuldades muito específicas. Por muitos anos as baixas taxas de juros e a estabilidade cambial tornaram o yen muito atraente para investidores que tomavam empréstimos naquela moeda e aplicavam em títulos com rendimentos mais altos em outros mercados. Esses investidores, no entanto, estão liquidando essas operações (o chamado “carry trade”) e repatriando os yens, o que acaba levando à valorização excessiva da moeda japonesa. A conseqüência é a perda de competitividade das exportações e o risco de uma recessão aprofundada, que preocupa os ministros das finanças do G7, e que pode levar a uma intervenção no mercado de câmbio.

Fora o yen, o dólar vem se valorizando frente às demais moedas importantes. A libra esterlina saiu de uma cotação de cerca de 2,03 dólares por libra, em março deste ano, para 1,55 dólar por libra, no fechamento de hoje. E o Euro não ficou atrás, caindo de 1,60 dólar por euro, cotação alcançada em abril último, para 1,24 dólar por euro, no fechamento de hoje.

E as atenções começam a se virar para os mercados emergentes, cujas moedas também têm sofrido grandes desvalorizações frente ao dólar. Seguimos de perto o movimento do Real, mas desvalorizações parecidas também têm acontecido com as moedas dos Tigres Asiáticos e dos países do Leste Europeu. Estes últimos, devido a suas contas externas vulneráveis, já estão batendo à porta do FMI, para conseguir socorro.

Aqui no Brasil temos uma situação relativamente confortável em nossas contas externas e reservas internacionais. E as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio têm sido bastante bem vindas. Contudo, apesar de nosso sistema bancário ser bastante sólido, temos visto muitos boatos nos últimos dias, principalmente devido às desastrosas operações com derivativos de câmbio realizadas pela Aracruz e outras grandes empresas. Os prejuízos foram grandes, mas parecem poder ser absorvidos pelas instituições sem grandes riscos sistêmicos. Contudo, os últimos movimentos de nossas autoridades monetárias, ao invés de ajudar, acabaram por deixar o mercado mais tenso, levando bancos como o Itaú, Bradesco e Unibanco a anteciparem o anúncio de seus resultados do terceiro trimestre que, por sinal, foram bons.

A edição da MP 443, que prevê a compra desde bancos até empresas de construção pela Caixa Econômica e Banco do Brasil, criou a desconfiança no mercado sobre qual seria a instituição com problemas. Não se solta uma medida como essa se não há urgência em usá-la. Se as autoridades achavam a medida necessária e urgente deveriam tê-la soltado juntamente com o anúncio da compra da instituição em perigo, ou seja, um “fait accompli”. Da forma como foi feito, só serviu para trazer mais incerteza a um mercado já muito nervoso.

O movimento de desalavancagem é geral e parece afetar todos os mercados, dando sinais de que pode não acabar tão rápido. Gillian Tett, do Financial Times, explica. Temos visto enorme volatilidade nas últimas semanas, que parece ser causada pelas vendas dos bancos, hedge funds e outros veículos de investimento. Essa volatilidade, no entanto, é uma das principais variáveis usadas por intermediários financeiros nos seus modelos de risco. Quando a volatilidade sobe, os modelos matemáticos indicam que o risco cresce, forçando investidores a vender ativos indiscriminadamente.

Esse movimento de desalavancagem tem limites. O primeiro deles é o próprio preço dos ativos, que eventualmente chega a um nível que atrai compradores. Mercados altamente voláteis criam incerteza entre os investidores, reduzindo a demanda por investimentos. Mas é nesses movimentos exagerados que surgem as melhores oportunidades para quem investe com uma perspectiva de médio e longo prazo.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

A crise como cortina de fumaça

outubro 23, 2008

Planet Money:

“Untrustworthy governments can use the crisis as a smokescreen for destructive, self-serving policies that wouldn’t normally fly.”

Não, o tema não é o PROER enrustido do ministro Mantega. O governo que não merece a confiança dos autores daquele blog é o da Argentina. O risco, político e econômico, é enorme.

O resgate mais falso do mundo

outubro 22, 2008

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

E a história se repete.

Volatilidade extrema

outubro 22, 2008

James Surowiecki, jornalista da revista New Yorker, tem escrito freqüentemente no seu excelente blog sobre a extrema volatilidade dos mercados de ações nas últimas semanas. Os sites especializados em finanças procuram razões para explicar porque o mercado caiu ou subiu, mas essas explicações são quase sempre vazias. O fato é que temos visto movimentos enormes sem nenhuma informação nova. Será que a volatilidade se auto-alimenta?

Não é a toa que os argentinos guardam seu dinheiro…

outubro 22, 2008

…em Montevidéu e em Miami. Óbviamente não faz sentido manter sua poupança nas instituições financeiras argentinas (Financial Times, Wall St Journal, Clarín, La Nación). Os papéis argentinos viram pó (Infobae, por exemplo).

O próximo passo pode ser um feriado bancário ou um congelamento dos depósitos (Felix Salmon).

A análise de Domingo Cavallo aqui.

Comentário semanal

outubro 21, 2008

Começamos a ver sinais de que já se passaram os momentos mais críticos da crise que se iniciou no mercado americano de financiamento imobiliário e que esteve perto de levar o sistema financeiro mundial ao colapso. As altas dos mercados nesta segunda-feira – o índice Dow Jones subiu +4,7%, o S&P 500 +4,8%, e o Ibovespa avançou +8,4% – são alguns dos indicadores desse alívio.

Porém, o principal indicador de um movimento de retorno à normalidade está no comportamento dos mercados interbancários. A crise financeira castigou bastante os balanços dos bancos e de outros veículos de investimento que carregavam títulos e derivativos complexos cujo valor estava baseado, de uma maneira ou de outra, nos pagamentos de hipotecas no mercado americano. A seqüência de problemas em instituições como os bancos de investimentos Bear Stearns e Lehman Brothers e a seguradora AIG levou a uma paralisação do interbancário, já que as instituições com excesso de liquidez passaram a proteger seu capital, preferindo investir em títulos do tesouro americano a emprestar para outros bancos.

Um termômetro útil tem sido o chamado “TED Spread”, a diferença entre os juros pagos pelo tesouro americano (o retorno sobre os treasury bills de três meses) e a taxa paga pelos grandes bancos no interbancário (a taxa LIBOR do mesmo período). Durante a crise atual, o TED Spread saiu da sua média histórica de 30 pontos base (ou seja, 0,3 ponto percentual) e chegou a atingir níveis acima de 400 pontos base nos últimos meses, indicando um mercado essencialmente paralisado. Essa situação não podia perdurar por muito tempo, pois sem crédito a economia global entraria rapidamente em colapso.

As ações dos governos europeus (seguidas pelos Estados Unidos), no entanto, parecem ter diminuído esse risco. As injeções de capital nos sistemas bancários e as garantias sobre os depósitos parecem ter sido suficientes para afastar o pânico que se instalara nos mercados recentemente. As incertezas não foram totalmente eliminadas, e essas incertezas explicam muito das variações extremas vistas nos mercados nos últimos dias. Mas já podemos dizer que nos afastamos da borda do precipício. Para os governos, a preocupação maior agora é evitar que a recessão se transforme em uma depressão. Parece cada vez mais provável que o governo americano coloque em prática mais um pacote de estímulo fiscal com esse objetivo.

Para os investidores, o assunto agora é saber se estamos no ponto onde a aquisição de ações com uma perspectiva de longo prazo faz sentido. Warren Buffett, por exemplo, escreveu no New York Times que está comprando ações de empresas americanas. Ele deixa claro que não está comprando indiscriminadamente, que está procurando empresas pouco alavancadas, com posições competitivas fortes nos mercados em que atuam.

O mesmo raciocínio se aplica ao mercado brasileiro. O momento é para identificar quais as empresas que estão mais bem posicionadas para crescer e lucrar no novo cenário, sem ignorar os riscos ainda consideráveis. Apesar de o pior parecer já ter passado, ainda devemos ter muitos movimentos bruscos pela frente. Contudo, como diz Warren Buffett, essa pode ser uma ótima hora para se investir. Segundo o mega-investidor: “be fearful when others are greedy, and be greedy when others are fearful”.

Olhando para o mercado de câmbio, as medidas recentes tomadas por nosso Banco Central parecem ter aliviado parte das pressões sobre a moeda brasileira, que se depreciou fortemente frente ao dólar. Contudo, enquanto as linhas de financiamento para os exportadores não se normalizarem, o mercado de moeda deverá continuar bastante tenso.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

Finalmente uma boa notícia

outubro 20, 2008

A taxa LIBOR, que mede os juros interbancários na praça londrina, finalmente começou a cair. É uma indicação de que os mercados de dinheiro estão descongelando. E falando em gelo, o governo da Islândia finalmente se rendeu aos fatos e foi buscar a ajuda do FMI. Segundo o Financial Times, as negociações estão bastante avançadas e o Fundo não imporá condicionalidades muito duras, ao contrário do que fez com a Coréia do Sul em 1997.

Longe do abismo, mas ladeira abaixo

outubro 15, 2008

Na semana passada estivemos muito perto do abismo, isto é, de um colpaso do sistema financeiro nos Estados Unidos e nas principais economias da Europa. Os jornais de hoje traziam um sinal forte de alívio: tanto o Financial Times quanto o Wall Street Journal publicaram entrevistas com o secretário do Tesouro Hank Paulson. Considerando que a sua equipe anda trabalhando 24 horas por dia para salvar a economia americana, não deixa de ser um bom sinal que ele encontrou tempo para falar com a imprensa e vender seu peixe.

Mas o fato é que a crise de crédito ainda não acabou, e a economia americana se encontra em recessão. Há sinais positivos aqui e ali, mas o panorama geral não é dos mais animadores. Um detalhe relevante para o Brasil: as commodities também estão em queda forte.

Capitalização é um passo na direção certa

outubro 14, 2008

É o que pensam Brad deLong e um punhado de economistas citados por ele no seu blog. O risco, no entanto, está na compra de ações preferenciais, ao invés de ordinárias, pelo Tesouro.