Comentário semanal

Foi mais um fim de semana cheio de movimentação político-econômica, e mais uma segunda-feira de movimentos dramáticos nos preços das ações. Ao contrário do que aconteceu em semanas anteriores, no entanto, as notícias são positivas e os movimentos dos mercados foram explosivos. Os índices Dow Jones e S&P 500 subiram 11,2% e 11,6% respectivamente, depois de fortes altas nos mercados asiáticos e europeus. Foram os maiores movimentos nas bolsas americanas desde a década de 30. O mercado brasileiro seguiu a tendência global, com o índice Bovespa subindo 14,7%.

Depois de uma semana difícil como a passada, os mercados reagiram a um conjunto de anúncios e medidas que vieram não só de Washington mas, principalmente, das capitais européias. O governo britânico liderou o movimento, anunciando um pacote que inclui a nacionalização de grandes bancos, garantia estatal para operações no mercado interbancário e injeção de enormes volumes de liquidez. Alemanha e França anunciaram pacotes semelhantes, desenhados para restabelecer a confiança nas suas instituições financeiras. São programas nacionais, diferentes nos detalhes, mas trazem duas novidades importantes.

A primeira novidade é o foco na capitalização dos bancos. O consenso dos economistas vinha apontando cada vez mais para a necessidade dessa recapitalização, mas, por uma razão ou por outra, os governos relutavam em colocá-la em prática, preferindo medidas para aumentar a liquidez dos mercados. O TARP, programa americano de recuperação de ativos problemáticos, saiu do departamento do Tesouro com esse objetivo. A legislação aprovada pelo congresso, no entanto, é mais flexível e permite que parte dos US$ 700 bilhões seja usada para capitalizar os bancos americanos.

A outra novidade dos últimos dois ou três dias foi a capacidade de ação coordenada demonstrada pelos governos europeus. É verdade que não foi possível colocar em prática um programa único, pan-europeu de recuperação do sistema financeiro. Mas a ação coordenada é um tremendo progresso, pois impede que os diversos países embarquem em políticas com conseqüências negativas para os vizinhos. E serviu também para colocar pressão sobre as autoridades americanas, que devem anunciar o seu programa de capitalização dos bancos nessa terça-feira pela manhã.

As linhas mestras do programa americano são as seguintes: o Tesouro investirá US$ 250 bilhões nos bancos, ampliará o programa de seguro de depósitos, e poderá também garantir as operações do mercado interbancário. Os nove maiores bancos serão obrigados a aceitar o investimento do tesouro em “preferred shares”, ações que recebem um dividendo fixo.

O fim do mundo foi evitado, mas a situação da economia mundial ainda é bastante delicada. Mais do que o mercado de ações, o principal indicador de sucesso nos próximos dias e semanas será o estado dos mercados de crédito. Os bancos precisam voltar a emprestar, entre si e para empresas e pessoas físicas. Por outro lado, o custo potencial dessas operações de socorro é enorme. Se o plano der certo, esses trilhões de dólares que estão sendo emprestados pelos governos serão devolvidos e o contribuinte pode até ter algum lucro. Mas o risco obviamente também é muito alto.

No Brasil, o relativo isolamento do nosso sistema financeiro vem limitando o impacto dessa crise global. Até aqui as principais conseqüências da redução da liquidez internacional têm sido sobre os preços de determinados ativos (como as ações de empresas abertas) e sobre os balanços de instituições financeiras de médio e pequeno porte – nada, até agora, que possa caracterizar risco sistêmico. O maior problema, no entanto, foi sentido no mercado de câmbio com a grande desvalorização do real. Com dificuldades para obter linhas de crédito para exportação, além dos problemas gerados em alguns casos particulares por posições descabidas nos mercados de derivativos, as empresas exportadoras não têm como cumprir seu papel de grande fornecedora de dólares em nosso mercado de moeda. Contudo, espera-se uma atitude mais pró-ativa do Banco Central nessa questão, não só disponibilizando instrumentos para facilitar a obtenção das linhas de crédito para exportação, como também usando nossas reservas diretamente no mercado á vista de dólares. Afinal de contas, acumular reservas custa caro. Está na hora de usá-las. Principalmente se considerarmos a importância da taxa de cambio para a formação dos preços internos e seu potencial de pressão sobre os índices de inflação.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

Em momentos como o atual, onde se observa variações maiores que +10% ou inferiores a -10% de um dia para o outro nos mercados, podem acontecer grandes variações nas cotas dos fundos, tornando muito difícil a avaliação de performance em períodos curtos de tempo. Além disso, o custo de movimentações e realocações cresce muito, pois, por exemplo, perdendo-se um dia como o de hoje, pode-se perder-se uma valorização de + 10 ou 15%. Por isso, recomendamos o menor número de movimentações possível. Variações de mercado são um risco que se assume ao investir. Contudo, acompanhamos de perto as carteiras dos fundos para nos certificar de que os mesmos não carregam alavancagem excessiva que possa por em risco o patrimônio de seus cotistas.

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