Comentário semanal

Começamos a ver sinais de que já se passaram os momentos mais críticos da crise que se iniciou no mercado americano de financiamento imobiliário e que esteve perto de levar o sistema financeiro mundial ao colapso. As altas dos mercados nesta segunda-feira – o índice Dow Jones subiu +4,7%, o S&P 500 +4,8%, e o Ibovespa avançou +8,4% – são alguns dos indicadores desse alívio.

Porém, o principal indicador de um movimento de retorno à normalidade está no comportamento dos mercados interbancários. A crise financeira castigou bastante os balanços dos bancos e de outros veículos de investimento que carregavam títulos e derivativos complexos cujo valor estava baseado, de uma maneira ou de outra, nos pagamentos de hipotecas no mercado americano. A seqüência de problemas em instituições como os bancos de investimentos Bear Stearns e Lehman Brothers e a seguradora AIG levou a uma paralisação do interbancário, já que as instituições com excesso de liquidez passaram a proteger seu capital, preferindo investir em títulos do tesouro americano a emprestar para outros bancos.

Um termômetro útil tem sido o chamado “TED Spread”, a diferença entre os juros pagos pelo tesouro americano (o retorno sobre os treasury bills de três meses) e a taxa paga pelos grandes bancos no interbancário (a taxa LIBOR do mesmo período). Durante a crise atual, o TED Spread saiu da sua média histórica de 30 pontos base (ou seja, 0,3 ponto percentual) e chegou a atingir níveis acima de 400 pontos base nos últimos meses, indicando um mercado essencialmente paralisado. Essa situação não podia perdurar por muito tempo, pois sem crédito a economia global entraria rapidamente em colapso.

As ações dos governos europeus (seguidas pelos Estados Unidos), no entanto, parecem ter diminuído esse risco. As injeções de capital nos sistemas bancários e as garantias sobre os depósitos parecem ter sido suficientes para afastar o pânico que se instalara nos mercados recentemente. As incertezas não foram totalmente eliminadas, e essas incertezas explicam muito das variações extremas vistas nos mercados nos últimos dias. Mas já podemos dizer que nos afastamos da borda do precipício. Para os governos, a preocupação maior agora é evitar que a recessão se transforme em uma depressão. Parece cada vez mais provável que o governo americano coloque em prática mais um pacote de estímulo fiscal com esse objetivo.

Para os investidores, o assunto agora é saber se estamos no ponto onde a aquisição de ações com uma perspectiva de longo prazo faz sentido. Warren Buffett, por exemplo, escreveu no New York Times que está comprando ações de empresas americanas. Ele deixa claro que não está comprando indiscriminadamente, que está procurando empresas pouco alavancadas, com posições competitivas fortes nos mercados em que atuam.

O mesmo raciocínio se aplica ao mercado brasileiro. O momento é para identificar quais as empresas que estão mais bem posicionadas para crescer e lucrar no novo cenário, sem ignorar os riscos ainda consideráveis. Apesar de o pior parecer já ter passado, ainda devemos ter muitos movimentos bruscos pela frente. Contudo, como diz Warren Buffett, essa pode ser uma ótima hora para se investir. Segundo o mega-investidor: “be fearful when others are greedy, and be greedy when others are fearful”.

Olhando para o mercado de câmbio, as medidas recentes tomadas por nosso Banco Central parecem ter aliviado parte das pressões sobre a moeda brasileira, que se depreciou fortemente frente ao dólar. Contudo, enquanto as linhas de financiamento para os exportadores não se normalizarem, o mercado de moeda deverá continuar bastante tenso.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

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