Comentário semanal

A segunda-feira começou com quedas fortes nos mercados asiáticos e nas praças européias, mas a onda vendedora não atingiu as Américas com a mesma força. O índice Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, caiu -12,7%, e o Nikkei, da bolsa de Tóquio, caiu -6,4%, atingindo o seu ponto mais baixo dos últimos 26 anos. O índice DJStoxx 600, que mede o desempenho dos mercados europeus, caiu -1,9%. O mercado americano, no entanto, abriu em alta e chegou a avançar bastante, mas devolveu todos os ganhos nos últimos minutos do pregão. O índice Dow Jones caiu -2,4% e o índice S&P 500 fechou em queda de -3,2%. O índice Bovespa, por sua vez, caiu -6,5%.

Essas ondas de vendas que parecem se auto-alimentar nem sempre têm lógica econômica. É verdade que alguns fatores afetam de maneira semelhante a maior parte dos mercados do mundo, mas é fato também que cada país, cada mercado tem a sua própria dinâmica, suas vantagens e seus problemas na crise atual. O Japão, por exemplo, enfrenta dificuldades muito específicas. Por muitos anos as baixas taxas de juros e a estabilidade cambial tornaram o yen muito atraente para investidores que tomavam empréstimos naquela moeda e aplicavam em títulos com rendimentos mais altos em outros mercados. Esses investidores, no entanto, estão liquidando essas operações (o chamado “carry trade”) e repatriando os yens, o que acaba levando à valorização excessiva da moeda japonesa. A conseqüência é a perda de competitividade das exportações e o risco de uma recessão aprofundada, que preocupa os ministros das finanças do G7, e que pode levar a uma intervenção no mercado de câmbio.

Fora o yen, o dólar vem se valorizando frente às demais moedas importantes. A libra esterlina saiu de uma cotação de cerca de 2,03 dólares por libra, em março deste ano, para 1,55 dólar por libra, no fechamento de hoje. E o Euro não ficou atrás, caindo de 1,60 dólar por euro, cotação alcançada em abril último, para 1,24 dólar por euro, no fechamento de hoje.

E as atenções começam a se virar para os mercados emergentes, cujas moedas também têm sofrido grandes desvalorizações frente ao dólar. Seguimos de perto o movimento do Real, mas desvalorizações parecidas também têm acontecido com as moedas dos Tigres Asiáticos e dos países do Leste Europeu. Estes últimos, devido a suas contas externas vulneráveis, já estão batendo à porta do FMI, para conseguir socorro.

Aqui no Brasil temos uma situação relativamente confortável em nossas contas externas e reservas internacionais. E as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio têm sido bastante bem vindas. Contudo, apesar de nosso sistema bancário ser bastante sólido, temos visto muitos boatos nos últimos dias, principalmente devido às desastrosas operações com derivativos de câmbio realizadas pela Aracruz e outras grandes empresas. Os prejuízos foram grandes, mas parecem poder ser absorvidos pelas instituições sem grandes riscos sistêmicos. Contudo, os últimos movimentos de nossas autoridades monetárias, ao invés de ajudar, acabaram por deixar o mercado mais tenso, levando bancos como o Itaú, Bradesco e Unibanco a anteciparem o anúncio de seus resultados do terceiro trimestre que, por sinal, foram bons.

A edição da MP 443, que prevê a compra desde bancos até empresas de construção pela Caixa Econômica e Banco do Brasil, criou a desconfiança no mercado sobre qual seria a instituição com problemas. Não se solta uma medida como essa se não há urgência em usá-la. Se as autoridades achavam a medida necessária e urgente deveriam tê-la soltado juntamente com o anúncio da compra da instituição em perigo, ou seja, um “fait accompli”. Da forma como foi feito, só serviu para trazer mais incerteza a um mercado já muito nervoso.

O movimento de desalavancagem é geral e parece afetar todos os mercados, dando sinais de que pode não acabar tão rápido. Gillian Tett, do Financial Times, explica. Temos visto enorme volatilidade nas últimas semanas, que parece ser causada pelas vendas dos bancos, hedge funds e outros veículos de investimento. Essa volatilidade, no entanto, é uma das principais variáveis usadas por intermediários financeiros nos seus modelos de risco. Quando a volatilidade sobe, os modelos matemáticos indicam que o risco cresce, forçando investidores a vender ativos indiscriminadamente.

Esse movimento de desalavancagem tem limites. O primeiro deles é o próprio preço dos ativos, que eventualmente chega a um nível que atrai compradores. Mercados altamente voláteis criam incerteza entre os investidores, reduzindo a demanda por investimentos. Mas é nesses movimentos exagerados que surgem as melhores oportunidades para quem investe com uma perspectiva de médio e longo prazo.

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