Comentário semanal

Os eleitores americanos escolheram um novo presidente na semana passada. Apesar de sua posse só ocorrer no dia 20 de janeiro, o presidente-eleito Barack Obama encontra-se sob enorme pressão para indicar os rumos da sua política econômica – e também os nomes dos executores dessa política.

A pressão sobre Obama não se deve apenas às expectativas criadas por uma campanha que falou muito em mudança. O problema é que as últimas notícias e estatísticas indicam que os desdobramentos da crise financeira sobre a economia americana e sobre a economia global ainda estão longe de esgotados, a situação dos sistemas financeiros e das economias do mundo permanece delicada, e muitas decisões difíceis terão que ser tomadas nos próximos dias, semanas e meses. A volatilidade dos mercados, oscilando em função das notícias, é reflexo disso. A alta na abertura de segunda-feira, embalada pela notícia de um pacote de estímulo na China, acabou cedendo e os índices Dow Jones e S&P 500 fecharam em queda de -0,82 e -1,27% respectivamente. O índice Bovespa devolveu os ganhos do início do pregão e fechou em alta de +0,30%.

O caso da AIG mostrou que problemas que pareciam resolvidos podem voltar a trazer novas dores de cabeça para os governos.  A seguradora divulgou na segunda-feira seu resultado para o terceiro trimestre do ano. Foi a quarta perda consecutiva, um prejuízo de US$ 24,5 bilhões. A empresa anunciou também que renegociou os termos do pacote de ajuda que recebeu do Tesouro americano menos de dois meses atrás, reduzindo o valor do empréstimo de US$ 85 bilhões para US$ 60 bilhões. O pacote, no entanto, cresceu, pois o Fed adquiriu US$ 40 bilhões em ações preferenciais emitidas pela AIG e US$ 52,5 bilhões em títulos lastreados em hipotecas de sua carteira.

Essa renegociação do acordo levanta uma série de questões. Não teria sido possível deixar essa decisão para o próximo governo? A AIG não agüentaria mais três meses? O Tesouro estaria tentando evitar um colapso do mercado de “credit default swaps”, onde a AIG era muito importante? Seja como for, a decisão de ampliar o pacote de ajuda dificulta muito a posição do governo nas discussões com as montadoras de automóveis. A sua situação financeira periclitante foi um dos temas de hoje nos mercados, graças a um relatório de analista de investimento dizendo que sem ajuda do governo a GM só tem dinheiro para funcionar até dezembro. Um resgate da indústria automobilística americana provavelmente não é uma boa idéia do ponto de vista econômico, mas talvez seja politicamente inevitável.

Não sabemos o que Obama faria de diferente nesses casos. Economistas como Paul Krugman e Brad DeLong sugerem que ele deve colocar em prática um plano agressivo de estímulo econômico e de investimento em infra-estrutura, deixando para mais tarde o problema do déficit fiscal. Quanto ao sistema financeiro, o novo governo terá muito o que fazer, tanto do ponto de vista da regulação de bancos e de entidades não-bancárias, como do ponto de vista da administração do TARP e dos outros programas criados pelo governo Bush.

No resto do mundo a grande notícia dos últimos dias foi o programa de estímulo fiscal anunciado pelo governo chinês, que se propõe a gastar mais de US$ 500 bilhões nos próximos dois anos em projetos de infra-estrutura. É uma boa notícia para os países fornecedores de insumos, como o Brasil, mas ainda não está claro se essa cifra se refere a dinheiro novo, e nem qual será o seu ritmo de desembolso. Mesmo com o Ibovespa subindo apenas +0,30% as ações da Vale fecharam com forte alta de +4%, devida em grande parte ao anúncio deste pacote.

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