Comentário semanal

O grande assunto do fim de semana que passou foi o encontro dos representantes do Grupo dos 20 em Washington para discutir a reforma do sistema financeiro internacional. Jornalistas e comentaristas têm falado com freqüência em um “novo Bretton Woods” ou em um “Bretton Woods 2”. É um enorme exagero, que não ajuda nem a entender os objetivos da reunião nem a avaliar os seus resultados.

Há razões de sobra para acreditar que o sistema financeiro internacional precisa de atenção. As últimas estatísticas indicam que as principais economias do mundo (Estados Unidos, Europa, Japão) estão entrando em recessão. A redução da demanda nesses países é um problema sério para a China, cujas taxas de crescimento ainda dependem bastante das exportações de bens de consumo para os países ricos. Um resultado dessas exportações é o grande acúmulo de reservas pelos chineses, que investem esses recursos em títulos dos EUA, ajudando assim a financiar o enorme e crescente déficit do governo americano.

O comércio internacional é outro motivo de preocupação. A retração do crédito cria dificuldades para as empresas exportadoras, que não conseguem obter linhas de financiamento com a facilidade com a qual estavam habituadas. E o fantasma do protecionismo sempre mostra as caras em horas como essa e só pode ser afastado através da ação coordenada dos governos.

Medidas coordenadas na supervisão e fiscalização dos sistemas financeiros também são possíveis. A crise está mostrando o quanto os mercados financeiros ao redor do mundo são interligados, o que significa dizer que os problemas não ficam isolados. É necessário, portanto, reforçar não só os sistemas nacionais de supervisão bancária como também os mecanismos de cooperação entre os países do mundo.

O fato do G-20 ter sido convocado para essa discussão já indica que houve uma mudança importante na governança da economia global. Alguns anos atrás uma crise dessas dimensões teria sido assunto para os países mais ricos do mundo, os membros do G-7. E o resultado da reunião corresponderia quase sempre aos desejos dos americanos, a potência hegemônica desde o fim da segunda guerra mundial. Uma questão importante é saber se essa “democratização” da governança global pode trazer resultados superiores.

Com muitos participantes e sem liderança clara, o mais provável é que se produza um acordo em termos muito gerais, sem grandes ambições. Parece ter sido esse o resultado da reunião de Washington. Descontadas as expectativas exageradas criadas pela conversa de “novo Bretton Woods”, o que se produziu foi uma declaração de (boas) intenções. Agora é preciso ver se as promessas de coordenação de políticas fiscais e de cooperação na supervisão bancária serão colocadas em prática.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark. A maior parte dos fundos multimercado com posições relevantes nos mercados de juros estão com boa performance em novembro. Já os fundos que investem mais em ações estão sofrendo junto com a bolsa, que está com rentabilidade acumulada no mês de -3,94%.

Ainda veremos muita volatilidade, mas aos preços de hoje acreditamos que o investimento em ações deverá trazer um bom retorno nos próximos 12 meses.

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