Comentário semanal

Segunda-feira foi um dia muito bom para os mercados de ações e, principalmente, para as ações das empresas financeiras nos mercados americanos. A notícia do salvamento do Citigroup pelo Tesouro americano foi recebida com alguma euforia. As ações do banco subiram +59%. Na média, as ações de bancos que fazem parte do índice S&P 500 avançaram +21% no dia. O índice S&P como um todo fechou em alta de +6,5% e o Dow Jones subiu +4,9%. A animação chegou aqui também e o índice Bovespa subiu +9,4%.

Esta reação eufórica talvez tenha mais a ver com os defeitos do que com as qualidades do plano de salvamento do Citi. O plano é razoavelmente simples. O Tesouro dos EUA comprou US$ 20 bilhões em ações preferenciais do Citi, que pagam um dividendo anual de 8%, e recebeu mais US$ 7 bilhões dessas ações como remuneração pela garantia do Tesouro americano sobre US$ 306 bilhões de ativos podres do balanço do banco – garantia essa válida por até dez anos. O Tesouro americano não exigiu mudanças na diretoria do Citi, nem parece ter pedido nenhuma mudança substancial na maneira como o banco é administrado além de uma redução dos seus dividendos anuais.

Em outras palavras, a injeção de capital custou muito pouco para os atuais administradores do banco e para os investidores que carregam seus títulos de renda fixa. Os acionistas vêm sofrendo com a queda do preço de seus papéis, mas não foram prejudicados por uma diluição excessiva de suas posições. A operação de salvamento era necessária. Se existe alguma instituição no mundo que é grande demais para quebrar, essa instituição financeira é o Citigroup. Mas os termos e condições do pacote de ajuda parecem excessivamente lenientes, e o precedente criado aqui pode custar caro no futuro. Fica cada vez mais difícil para Washington negar ajuda financeira para as montadoras de automóveis, e para os outros que certamente aparecerão depois delas com o chapéu na mão.

O cenário econômico é sombrio. De acordo com o Bloomberg, o governo americano já se comprometeu a fornecer mais de sete trilhões de dólares em resposta à crise financeira. Uma catástrofe parece ter sido evitada, mas há fortes indicações de que os bancos vão precisar de mais capital. Além disso, uma recessão profunda e prolongada nos EUA é cada vez mais provável.

Diante desse panorama, o impulso de muitos investidores é de buscar opções mais conservadoras, abandonando as ações para comprar títulos do tesouro. Essa troca, no entanto, pode ser um erro fatal, como demonstra o economista Brad DeLong em um comentário recente. Segundo o economista de Berkeley, os preços das ações são função principalmente das perspectivas de resultados das empresas que as emitem e da percepção de risco dos investidores. Apesar da crise, as boas empresas não perderam suas perspectivas de rentabilidade no longo prazo, e os preços de suas ações devem se recuperar quando as percepções de risco se ajustarem. O desafio é escolher bem as ações com melhores perspectivas, e manter o sangue frio diante das violentas oscilações de preços que devem ainda continuar por um bom tempo.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

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