Comentário semanal

A crise que começou no mercado americano de hipotecas para devedores pouco qualificados e que se espalhou pelo mundo financeiro parece ainda longe de ter esgotado seus efeitos. E os economistas ainda parecem longe de um consenso sobre as suas causas, seu desdobramento, e sobre as medidas que os governos já tomaram e ainda devem tomar para ajudar os mercados a voltar à normalidade.

Uma boa ilustração vem do economista Brad DeLong, da Universidade de Berkeley. Ele escreve sobre a relação entre o que aconteceu no mercado de títulos lastreados em hipotecas, um mercado importante mas nem tanto assim, e a destruição de riqueza quase sem precedentes que vimos mundo afora, e pergunta: como explicar que o valor do estoque de capital do planeta caiu, segundo ele, de US$ 80 trilhões para US$ 60 trilhões?

Segundo DeLong, são cinco as razões pelas quais o estoque de capital do planeta varia: a acumulação de poupança, que financia investimentos, que alimentam o crescimento; o fluxo de notícias, que altera as expectativas de resultados futuros; um desconto proporcional ao risco de default, ou seja, de que as obrigações não serão cumpridas; um desconto de liquidez, que exprime a preferência das pessoas por dinheiro na mão; e finalmente um desconto que exprime a maior ou menor tolerância dos investidores ao risco.

Nos últimos dois anos não mudou quase nada no que diz respeito a poupança e investimentos e tampouco houve notícias terrivelmente negativas que pudessem afetar as perspectivas de longo prazo para os investimentos no mundo. DeLong deduz, portanto, que o desaparecimento de US$ 20 trilhões se deve a mudanças nos descontos exigidos pelos investidores. Mas o problema, segundo ele, é que apesar dos economistas terem boas teorias para os descontos de liquidez e de risco, seus modelos nem de longe explicam a magnitude da destruição de riqueza que vivemos.

DeLong acha que a explicação eventualmente surgirá da investigação das limitações cognitivas dos seres humanos. Ou seja, a crise teria a ver com o fato de que a realidade é complexa demais para as nossas cabeças e acabamos exigindo mais descontos pelo que não entendemos. Enquanto isso, continuamos convivendo com uma situação de extrema volatilidade. Ontem, segunda-feira, a notícia de que o Congresso americano deve passar um pacote de ajuda às montadoras de automóveis provocou altas expressivas nos mercados. O índice Dow Jones subiu +3,5% e o S&P 500 se valorizou +3,8%. O índice Bovespa, por sua vez, subiu +8,3%. Só para se ter uma idéia do tamanho da incerteza, de seu nível mais baixo nessa crise até o fechamento de hoje o Ibovespa já apresentou uma variação de +30%.

O outro fator importante por trás das altas de hoje parece ter sido a divulgação dos planos do presidente eleito Barack Obama para investimento em infra-estrutura. O que importa neste momento não é o detalhamento desses planos, e sim o aparecimento de um novo governo com quadros de alta qualidade e com a disposição de fazer o que for necessário para tirar os Estados Unidos da crise.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: