Comentário semanal

O grande assunto dos últimos dias foi o colapso das operações do gestor americano Bernard Madoff, que por trás de uma fachada de competência e exclusividade aparentemente operava um esquema de pirâmide que custou dezenas de bilhões de dólares aos investidores que confiaram nele.

Madoff não era um gestor de “hedge fund” e sim o controlador de uma pequena corretora que atuava como “market maker” de ações em Nova York e que também geria recursos de terceiros. Com uma brilhante reputação, grande penetração na sociedade de Manhattan e de Palm Beach, e com um histórico de retornos consistentes ano após ano, Madoff atraía investidores do mundo todo. Esses investidores aplicavam em fundos de fundos que por sua vez colocavam seus recursos sob a gestão de Madoff.

Os sinais de que havia algo de errado ali são claríssimos. Os retornos divulgados por Madoff eram sempre extraordinariamente consistentes, da ordem de 0,7 a 1,0% ao mês, mês após mês, ano após ano, sob quaisquer condições de mercado – algo que raramente acontece no mundo real. Ele falava pouco em público sobre as estratégias de investimento que utilizava para obter esses retornos, mas o pouco que dizia não parecia fazer muito sentido, e ninguém conseguia obter resultados sequer parecidos fazendo aquilo que ele dizia fazer. Muitos acreditavam que Madoff se valia das informações privilegiadas a que tinha acesso como market maker para obter esses retornos. Alguns investidores chegaram a fazer reclamações junto a SEC sobre essa questão, que nem é o centro do escândalo atual, mas a autoridade do mercado americano não tomou nenhuma medida.

Ainda há muito que não sabemos sobre o caso Madoff, mas já parece possível tirar algumas lições. A principal delas é bastante óbvia. Não há milagres nos mercados financeiros. Desconfie sempre de gestores que dizem conseguir retornos muito altos e/ou muito consistentes independente das condições de mercado. Como dizia um grande administrador de recursos com quem trabalhei: “se alguém lhe oferecer um investimento que dê 3% ao mês, todo o mês, sem risco, não precisa ter dúvida, é certeza de prejuízo.”

Os mercados globais parecem ter sofrido sob as revelações do escândalo Madoff. Mas as estatísticas econômicas também não estão ajudando a melhorar o humor enquanto se espera o resultado da reunião do comitê de política monetária do Fed que deve ser divulgado amanhã, terça-feira, onde a expectativa é de um corte de 0,5 pp. Hoje o Dow Jones caiu -0,75%; o S&P 500 -1,27% e o Ibovespa -2,68%.

Contudo a semana passada foi muito boa para os mercados aqui no Brasil. A bolsa de São Paulo teve alta de +11,4% no período, o que resultou na boa performance dos fundos de ação e multimercado, que em sua maioria estão com rentabilidade bem acima do CDI no acumulado do mês de dezembro.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

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