Comentário semanal

A última reunião do Comitê de Política Monetária do Fed, realizada semana passada, indicou que estamos mais uma vez explorando território virgem em termos de política monetária. Depois de afirmar que as condições dos mercados continuam em deterioração e que as perspectivas para a atividade econômica estão mais fracas, o comunicado diz que na avaliação do comitê a fraqueza da economia exigirá taxas de juros muito baixas nos próximos trimestres. Além disso, o Comitê afirma que daqui para a frente o Fed procurará manter o estímulo à economia e o apoio ao funcionamento do sistema financeiro através das operações de política monetária, e que está estudando os benefícios da aquisição de títulos longos do tesouro americano.

O banco central dos EUA está muito próximo de uma taxa de juros igual a zero, e está procurando outras maneiras de continuar injetando liquidez na economia. A aquisição de títulos do tesouro é uma delas, mas o colunista Martin Wolf, do Financial Times, cita várias outras. O Fed pode, por exemplo, prometer que vai manter as taxas de curto prazo muito baixas por um bom tempo, forçando assim a queda das taxas de longo prazo. Pode emprestar diretamente para o setor privado, ou financiar os gastos do governo no nível que achar necessário.

Em outras palavras, enfrentar risco de deflação deveria ser brincadeira de criança para um banco central que pode emitir dinheiro a vontade. Mas isso não quer dizer que os problemas do planeta estão resolvidos, escreve Wolf. O objetivo dessas políticas é trazer a inflação de volta, mas a grande questão é o que fazer quando esse objetivo é atingido. O banco central precisará vender ativos e o governo terá que reduzir seu déficit, pois do contrário a inflação pode voltar a ser um problema.

A extrema volatilidade das taxas de câmbio das principais moedas do mundo nos últimos dias indica que o panorama continua bastante incerto. Nada garante que o mar de liquidez que está sendo injetado na economia mundial se converterá em empréstimos dos bancos para empresas e pessoas físicas. Mas a reação dos mercados indica um certo otimismo, uma crença de que mais cedo ou mais tarde alguma coisa dará certo. Alguns sinais positivos já podem ser enxergados: o TED spread, usado como medida para a condição do mercado de crédito, atingiu seu valor mais baixo desde a quebra da Lehman. Quanto mais baixo o TED spread, melhor a condição deste mercado.

Aqui no Brasil, a ata da última reunião do Copom reforçou a percepção de que o Banco Central vai iniciar em breve um movimento de queda de juros. Para vários economistas, essa queda já estaria mais do que refletida nos mercados de juros.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

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