Archive for janeiro \27\UTC 2009

Comentário semanal

janeiro 27, 2009

A equipe econômica de Barack Obama parece estar administrando as expectativas dos americanos. Larry Summers, diretor do Conselho Econômico, disse nos últimos dias que os próximos meses serão “muito difíceis”, e que essa fase de dificuldades pode até mesmo durar um pouco mais do que se espera.

As declarações de Summers devem ser vistas no contexto das batalhas políticas de Washington. Obama e sua equipe trabalham para aprovar o seu pacote de estímulo econômico de mais de US$ 800 bilhões, e precisam de apoio popular para isso. O caminho parece exigir uma graduação fina dos prognósticos econômicos, mostrando que a conjuntura é difícil mas não desesperadora. Ou seja, o ambiente demanda ação do governo.

O fluxo de estatísticas econômicas parece compatível com esse cenário. Os últimos indicadores de emprego parecem reforçar a impressão negativa. Hoje, segunda-feira, tivemos um anúncio da empresa Caterpillar de que pretende demitir 20 mil empregados como resposta à forte queda de suas vendas e lucros em escala global.

Por outro lado, os números de vendas de imóveis nos EUA em dezembro foram surpreendentemente bons, com um crescimento de 6,5% nas vendas de imóveis usados. Este crescimento foi acompanhado por uma queda no valor médio dos imóveis transacionados. O que não deixa de ser um sinal positivo, pois indica que o mercado está voltando a funcionar.

Os mercados financeiros, no entanto, ainda enfrentam sérias dificuldades para voltar a operar. Summers garante que a operação de salvamento de bancos será conduzida de maneira mais transparente e responsável, mas a nacionalização de grandes bancos, impensável alguns meses atrás, está sendo discutida como alternativa mais barata e mais eficaz do que os programas de capitalização implantados até aqui.

Um dos problemas enfrentados pelo Fed é que as suas taxas de juros já chegaram muito próximo do zero e, portanto, não há muito mais o que fazer em termos de política monetária convencional. O Banco Central do Brasil certamente está longe deste problema. Mesmo depois da redução de um ponto percentual na reunião do COPOM semana passada, a taxa Selic de 12,75% ainda demonstra espaço considerável para mais cortes nos próximos meses.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark. Mesmo com a queda na bolsa brasileira na semana passada, o índice Ibovespa continua positivo no mês. E os fundos multimercado em sua maioria estão com boa rentabilidade acumulada no período, devido, em grande parte, ao movimento de fechamento dos juros futuros.

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Comentário semanal

janeiro 20, 2009

A decisão da Standard & Poor, na semana passada, de baixar a nota dos títulos da dívida da Grécia e de colocar a dívida da Espanha e da Irlanda sob observação abriu um debate sobre o risco de calote soberano. A novidade é que o foco da discussão não está nos suspeitos de sempre, como Equador, Venezuela ou Turquia. Dessa vez estamos falando de países europeus, membros da zona do Euro.

As agências de classificação de risco já perderam muito de seu prestígio, e a avaliação de risco soberano nunca foi o seu forte. Ainda assim, a decisão da S&P tem bases técnicas. Esses países enfrentam situações fiscais difíceis, com tendência de queda de arrecadação e crescimento dos déficits. Altos índices de endividamento e grandes déficits em conta corrente não ajudam.

A questão, no entanto, é que esses países fazem parte da zona do Euro e, portanto, não podem resolver seus problemas emitindo dinheiro ou desvalorizando suas moedas. Assim, fica a dúvida: o que aconteceria se um deles declarasse uma moratória? Qual seria o impacto sobre o Euro?

Segundo Wolfgang Münchau, colunista do Financial Times, o debate está mal colocado. Ele argumenta que seria loucura para um país com dificuldades para pagar suas dívidas deixar o euro, pois essa ação só criaria mais dificuldades. O mais provável, segundo ele, no caso de um calote, seria uma resposta coordenada na marra entre Banco Central Europeu e os países membros da zona do Euro. O medo de contágio os levaria a montar um pacote de ajuda para o país em dificuldades, com condições semelhantes àquelas que o FMI costumava impor aqui na América Latina.

Estamos lidando com uma série de hipóteses, mas o exemplo serve para mostrar que a crise financeira pode ter conseqüências ainda imprevistas.

Aqui no Brasil tivemos na segunda-feira a divulgação oficial dos números referentes à criação de postos de trabalho no mês de dezembro. Como já se esperava, os dados mostraram que mais de 600 mil postos foram fechados no mês, confirmando assim a rápida desaceleração da nossa economia. É mais um elemento que aponta para a redução dos juros na próxima reunião do Copom, na quarta-feira. A expectativa da média do mercado é de um corte de 0,75pp.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

Comentário semanal

janeiro 13, 2009

Já estamos na segunda semana de 2009, mas o ano político e econômico só começa de verdade no dia 20 de janeiro com a posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos. Os mercados, no entanto, procuram antecipar o resultado das políticas econômicas do novo presidente, e especialmente do seu plano de estímulo para a economia americana.

A urgência do plano vem da avaliação, da maioria dos economistas, de que os instrumentos de política monetária e fiscal empregados até aqui não foram suficientes para afastar o risco de uma depressão econômica. O relatório de emprego divulgado semana passada — taxa de desemprego de 7,2%, com queda de 524 mil postos de trabalho em dezembro — serviu como alerta.

Barack Obama está propondo um pacote de estímulo da ordem de US$ 800 bilhões em dois anos, incluindo cortes de impostos e aumento de gastos. Parece um número bastante grande, mas o programa tem recebido críticas tanto de economistas, como Paul Krugman, que consideram o valor insuficiente, quanto de economistas como Willem Buiter, que acreditam que problemas estruturais da economia americana limitam a sua capacidade de absorver um pacote que implicará em aumento substancial da dívida pública. Caso Buiter esteja certo, uma forte queda do dólar é um resultado possível.

Esse debate passa agora para um novo patamar, o da discussão no Congresso das propostas de estímulo de Obama. O sistema legislativo americano é desenhado para evitar as decisões apressadas, e provavelmente teremos ainda algumas semanas de discussão acalorada, alimentada pelas estatísticas do PIB e de desemprego.

Aqui no Brasil começamos a sentir os primeiros sinais da crise nos indicadores econômicos. Na semana passada o destaque foi a publicação do dado de Produção industrial de novembro que apontou contração de 6,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O enfraquecimento da atividade brasileira maior do que o previsto continua se refletindo em menores pressões inflacionárias. Dados como este vêm provocando a revisão das estimativas de vários analistas, que já trabalham com a possibilidade de cortes mais expressivos em nossa taxa básica de juros.

E a bolsa brasileira, que começou o ano com uma grande seqüência de altas, teve um dia difícil na segunda-feira, com baixa de -5,24% para o Ibovespa. Queda nos preços do petróleo e das commodities afetam diretamente as maiores empresas da bolsa paulista. Contudo, no ano de 2009, mesmo com a queda de hoje, o Ibovespa apresenta uma alta acumulada de +4,9%. Já as bolsas americanas estão no vermelho em 2009, com o Dow Jones acumulando perdas de -3,4% e o S&P 500 de -3,7%.

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