Comentário semanal

A decisão da Standard & Poor, na semana passada, de baixar a nota dos títulos da dívida da Grécia e de colocar a dívida da Espanha e da Irlanda sob observação abriu um debate sobre o risco de calote soberano. A novidade é que o foco da discussão não está nos suspeitos de sempre, como Equador, Venezuela ou Turquia. Dessa vez estamos falando de países europeus, membros da zona do Euro.

As agências de classificação de risco já perderam muito de seu prestígio, e a avaliação de risco soberano nunca foi o seu forte. Ainda assim, a decisão da S&P tem bases técnicas. Esses países enfrentam situações fiscais difíceis, com tendência de queda de arrecadação e crescimento dos déficits. Altos índices de endividamento e grandes déficits em conta corrente não ajudam.

A questão, no entanto, é que esses países fazem parte da zona do Euro e, portanto, não podem resolver seus problemas emitindo dinheiro ou desvalorizando suas moedas. Assim, fica a dúvida: o que aconteceria se um deles declarasse uma moratória? Qual seria o impacto sobre o Euro?

Segundo Wolfgang Münchau, colunista do Financial Times, o debate está mal colocado. Ele argumenta que seria loucura para um país com dificuldades para pagar suas dívidas deixar o euro, pois essa ação só criaria mais dificuldades. O mais provável, segundo ele, no caso de um calote, seria uma resposta coordenada na marra entre Banco Central Europeu e os países membros da zona do Euro. O medo de contágio os levaria a montar um pacote de ajuda para o país em dificuldades, com condições semelhantes àquelas que o FMI costumava impor aqui na América Latina.

Estamos lidando com uma série de hipóteses, mas o exemplo serve para mostrar que a crise financeira pode ter conseqüências ainda imprevistas.

Aqui no Brasil tivemos na segunda-feira a divulgação oficial dos números referentes à criação de postos de trabalho no mês de dezembro. Como já se esperava, os dados mostraram que mais de 600 mil postos foram fechados no mês, confirmando assim a rápida desaceleração da nossa economia. É mais um elemento que aponta para a redução dos juros na próxima reunião do Copom, na quarta-feira. A expectativa da média do mercado é de um corte de 0,75pp.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

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