Archive for fevereiro \27\UTC 2009

Comentário semanal

fevereiro 27, 2009

Apesar do feriado de Carnaval, o mundo não parou nos últimos dias. Dados recentemente publicados indicam que o cenário econômico global continua difícil, e os governos dos países centrais continuam discutindo — e implementando — medidas audaciosas para combater a crise.

Os últimos dados sobre o mercado imobiliário americano, divulgados na quarta-feira, mostram que esse segmento permanece longe da normalidade. As vendas de casas usadas caíram -5,3% em janeiro, e a mediana dos preços das casas vendidas caiu -14,8% com relação ao mesmo mês de 2008. No entanto, o estoque de casas a venda também diminuiu, em -2,7%. Esses números devem ser analisados com cuidado, especialmente sabendo que os bancos estão vendendo no mercado, por preços baixos, imóveis retomados de maus pagadores. Mas uma primeira leitura indica que o mercado imobiliário ainda está longe da recuperação, apesar do bom sinal representado pela queda dos estoques.

Também tivemos a divulgação dos números da balança comercial japonesa em janeiro. As exportações do Japão caíram -46% no mês, resultando em um déficit comercial recorde. A economia japonesa deriva praticamente todo o seu dinamismo das vendas externas, e sem uma recuperação da demanda nos seus principais mercados — Estados Unidos e Europa — uma segunda década perdida torna-se uma possibilidade real.

Em Washington e Nova York o assunto voltou a ser o que fazer para recuperar o sistema bancário. A discussão não tem a mesma urgência daqueles fins de semana frenéticos que foram tão freqüentes em 2008, com altos funcionários do tesouro americano armando pacotes de emergência para salvar instituições consideradas grandes demais para quebrar. As ações e títulos emitidos pelos bancos passíveis de nacionalização já se encontram hoje a níveis bastante deprimidos, refletindo a percepção de que esses bancos não vão quebrar, mas seus acionistas e credores terão que assumir parte dos prejuízos.

A solução não pode, entretanto, esperar para sempre. Sem um sistema financeiro em ordem a recuperação da economia real será mais lenta e mais tardia, e os problemas dos bancos continuarão deprimindo os índices dos mercados de ações.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark. Parte dos fundos sofreu com a queda das ações na bolsa paulista na semana passada. Contudo, movimentos como este são normais em momentos de turbulência como o atual.

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Comentário semanal

fevereiro 17, 2009

Talvez por conta do feriado americano, as notícias desta segunda-feira vêm da Ásia. O tema, no entanto, é o mesmo das últimas semanas: o desenrolar global da crise econômica que se iniciou com os problemas nos mercados americanos de títulos lastreados em financiamento imobiliário.

O choque do dia veio do Japão, que registrou uma contração em sua economia no quarto trimestre de 2008 de -12,7% (taxa anualizada). A economia japonesa nunca se recuperou do ciclo de bolha seguida por recessão nos anos 90, e foi atingida em cheio pela desaceleração da economia mundial. A queda nas exportações, de -13,9%, não foi compensada pela demanda doméstica, que tende a se manter fraca nos próximos trimestres. Alguns economistas acreditam que o envelhecimento da população japonesa limita severamente o potencial de crescimento de sua economia, e que na ausência de uma abertura maior para imigrantes estrangeiros a tendência será de mais estagnação.

A incapacidade do Japão de sair da estagnação tem sido motivo de muito estudo ao logo dos anos. E uma questão importante é se os Estados Unidos, enfrentando hoje problemas semelhantes àqueles que os japoneses enfrentaram nos anos 90, serão capazes de evitar uma recessão tão prolongada. O caminho para isso deve passar por ações decisivas na recuperação do sistema bancário, pois sem crédito não há possibilidade de recuperação da economia. Ao contrário do que ocorreu no Japão, os americanos parecem ter percebido relativamente rápido que o sistema financeiro não vai se recuperar sozinho. Resta saber se existe a disposição de tomar medidas politicamente difíceis, mas que parecem a cada dia mais inevitáveis, como a nacionalização de algumas das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos.

Os números recentes da economia japonesa parecem comprovar também que o desaquecimento econômico é global e não deve acabar tão rápido, e o Brasil não ficará livre de seus efeitos. Isso deve significar menor atividade econômica, menor pressão inflacionária e mais espaço para a queda de nossos juros domésticos nos próximos meses.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

Comentário semanal

fevereiro 10, 2009

A semana começa com os mercados em estado de animação suspensa, esperando para ver que espécie de pacote fiscal será aprovado pelo Congresso americano e que plano será anunciado pelo Tesouro americano para atacar a crise bancária.

O pacote que sai do Senado é diferente em alguns aspectos daquele produzido pela Câmara. Os senadores decidiram cortar parte dos gastos propostos, gerando grande debate entre os economistas americanos. O professor Paul Krugman tem sido um dos mais estridentes defensores de um forte programa de estímulo, significativamente maior do que os US$ 800 bilhões que estão em discussão, e com muito mais ênfase em gastos do que cortes de impostos. Segundo ele, as pesquisas mostram que cortes de impostos têm impacto menor na atividade econômica porque esse dinheiro tende a ser poupado, e não gasto.

Outros economistas e comentaristas têm chamado atenção para o impacto desse plano de estímulo sobre o déficit e conseqüentemente sobre a dívida pública americana. Existe o risco de o plano não dar certo, mas Krugman nota que não fazer nada também traz enormes riscos de deflação e depressão.

De qualquer maneira, existe um consenso mínimo de que o pacote atual é melhor do que nada, e que esse programa de gastos não é a última palavra sobre o assunto. Há sinais de impaciência no eleitorado americano com os gastos do governo, mas o fluxo de estatísticas econômicas negativas é um forte impulso para que o governo tente de tudo.

As expectativas para o novo plano de ajuda aos bancos, que deve ser anunciado na terça-feira pelo secretário do Tesouro Tim Geithner, não são muito positivas. Segundo os relatos dos jornais de hoje, a principal medida do plano é mais uma variação sobre uma idéia que já foi tentada, sem sucesso, pelo seu antecessor Hank Paulson: a criação de uma instituição que compraria os ativos podres dos bancos, permitindo que eles limpem os seus balanços. A questão é saber que preços essa entidade – pública ou subsidiada – pagaria pelos ativos. Um preço de mercado não resolveria a situação. Muitos economistas acreditam que a nacionalização dos bancos seria uma saída mais eficaz e mais barata no longo prazo.

Aqui no Brasil os últimos dados indicam forte desaceleração da economia, abrindo espaço para uma redução maior dos juros. É esperar então pela próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central em março.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.