Comentário semanal

Talvez por conta do feriado americano, as notícias desta segunda-feira vêm da Ásia. O tema, no entanto, é o mesmo das últimas semanas: o desenrolar global da crise econômica que se iniciou com os problemas nos mercados americanos de títulos lastreados em financiamento imobiliário.

O choque do dia veio do Japão, que registrou uma contração em sua economia no quarto trimestre de 2008 de -12,7% (taxa anualizada). A economia japonesa nunca se recuperou do ciclo de bolha seguida por recessão nos anos 90, e foi atingida em cheio pela desaceleração da economia mundial. A queda nas exportações, de -13,9%, não foi compensada pela demanda doméstica, que tende a se manter fraca nos próximos trimestres. Alguns economistas acreditam que o envelhecimento da população japonesa limita severamente o potencial de crescimento de sua economia, e que na ausência de uma abertura maior para imigrantes estrangeiros a tendência será de mais estagnação.

A incapacidade do Japão de sair da estagnação tem sido motivo de muito estudo ao logo dos anos. E uma questão importante é se os Estados Unidos, enfrentando hoje problemas semelhantes àqueles que os japoneses enfrentaram nos anos 90, serão capazes de evitar uma recessão tão prolongada. O caminho para isso deve passar por ações decisivas na recuperação do sistema bancário, pois sem crédito não há possibilidade de recuperação da economia. Ao contrário do que ocorreu no Japão, os americanos parecem ter percebido relativamente rápido que o sistema financeiro não vai se recuperar sozinho. Resta saber se existe a disposição de tomar medidas politicamente difíceis, mas que parecem a cada dia mais inevitáveis, como a nacionalização de algumas das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos.

Os números recentes da economia japonesa parecem comprovar também que o desaquecimento econômico é global e não deve acabar tão rápido, e o Brasil não ficará livre de seus efeitos. Isso deve significar menor atividade econômica, menor pressão inflacionária e mais espaço para a queda de nossos juros domésticos nos próximos meses.

Veja aqui o acompanhamento de fundos distribuídos pela Benchmark.

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