Comentário semanal

O mês de março começou com um dia bastante difícil nos mercados. A preocupação crescente com a crise financeira dos países do leste europeu e a inesperada chamada de capital do HSBC derrubaram as ações de bancos na Europa. O índice FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu -5,33%, atingindo o seu nível mais baixo dos últimos seis anos. A onda de pessimismo continuou nos mercados americanos, com quedas de -4,24% no índice Dow Jones e de -4,66% no S&P 500. O índice Bovespa acompanhou a tendência, caindo -5,09%.

Os problemas dos países do leste europeu são sérios. Alguns deles – Hungria, Letônia e Ucrânia – já pediram ajuda ao FMI, e outros, como Bulgária, Romênia, Estônia e Lituânia, não estão em situação confortável no que diz respeito às necessidades de capital para financiamento dos seus déficits externos. As condições dos diversos países são bastante distintas, e cada um deles tem os seus problemas particulares. Mas estamos diante da lógica do contágio, muito conhecida na América Latina, onde a ordem é vender primeiro e fazer perguntas depois. Diante desse cenário, o que se espera é uma ação coordenada dos líderes da UE de apoio a esses países.

Mas o grande assunto do dia foi a AIG, a seguradora que foi salva pelo tesouro americano seis meses atrás e que continua surpreendendo o mercado com prejuízos cada vez maiores. Desta vez tivemos o anúncio de um prejuízo inédito de US$ 61,7 bilhões no quarto trimestre de 2008, acompanhado de uma nova injeção de recursos do tesouro para manter a empresa em funcionamento, da ordem de US$ 30 bilhões.

O caso AIG é complexo, mas sua posição no epicentro da crise é conseqüência das operações de “credit default swaps” através das quais a empresa assumia parte do risco de determinadas operações bancárias, permitindo assim uma maior alavancagem dos bancos, principalmente nos Estados Unidos e Europa. Ao contrário do que fazia nas operações de seguros normais, a AIG simplesmente carregava esses riscos, na esperança de nunca ter que honrar essas obrigações. O resultado é que uma quebra da AIG hoje arriscaria levar consigo uma boa parte dos sistemas bancários americano e europeu.

A situação, portanto, permanece delicada. O problema dos bancos mortos-vivos, que não quebram mas também não emprestam, precisa ser resolvido e até mesmo James Baker, republicano e ex-secretário do Tesouro, escreve no Financial Times que a nacionalização de alguns deles é inevitável.

E enquanto não tivermos uma perspectiva para a solução dos problemas do sistema financeiro internacional, provavelmente continuaremos a conviver com grande volatilidade em todos os mercados.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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