Comentário semanal

A reunião do Copom que acontece na terça e na quarta-feira dessa semana será uma das mais esperadas dos últimos tempos. Diante dos sinais de que a crise econômica internacional chegou ao Brasil, derrubando as projeções de crescimento para 2009, crescem as expectativas de um corte maior na nossa taxa básica de juros. Os contratos futuros de juros negociados na BM&F apontavam, no fechamento de segunda-feira, para um corte de 1 a 1,5 ponto percentual na taxa Selic.

Membros do Copom têm sugerido, em declarações e vazamentos para a imprensa nas últimas semanas, que o Brasil é diferente, que a inflação aqui ainda não está totalmente debelada, e que precisamos seguir com muita cautela na redução dos juros, sem necessariamente acelerar o ritmo de queda da taxa Selic. Mas as últimas estatísticas, apesar de voláteis, indicam forte desaceleração da economia e preços sob controle. O fraco desempenho do PIB no quarto trimestre de 2008, divulgado na manhã de terça, confirmou essa tendência.

De qualquer maneira, é muito pouco provável que a economia mundial se revele fonte de estímulo para o crescimento, ou pressão nos preços, nos próximos meses. Os economistas americanos parecem cada vez mais convencidos de que o pacote de estímulo recentemente aprovado pelo Congresso americano será insuficiente diante da escala da recessão em curso, e a idéia de mais aumentos de gastos não parece politicamente palatável no momento. Muitos economistas conceituados acreditam que o governo Obama está patinando, perdendo tempo com propostas tímidas de recuperação dos bancos, quando a única saída real seria a sua nacionalização.

Há bons argumentos a favor da cautela. Vários comentaristas têm chamado atenção para os riscos de uma política de nacionalização de bancos implementada às pressas e sem a devida consideração dos efeitos colaterais dessa ação. Mas o risco de não fazer nada também é enorme, como mostra o exemplo do Japão, que até hoje não se recuperou plenamente do estouro da sua bolha financeira no início dos anos 90.

O mês de março começou com queda para as bolsas ao redor do mundo, e aqui no Brasil não foi diferente. Contudo, como mostra reportagem da revista The Economist desta semana, temos algumas vantagens nesta crise: a forte presença do estado no sistema de crédito não é novidade nenhuma, mas os nossos bancos, engessados pelos impostos, pelo compulsório e pelo direcionamento de crédito não se meteram em apostas arriscadas como fizeram seus semelhantes nos países desenvolvidos. O mais importante, porém, tem sido uma política fiscal responsável, que levou ao declínio do endividamento do setor público. Resta torcer para que esse comportamento se mantenha.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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