Comentário semanal

Não é só o setor financeiro que preocupa a administração Obama nos Estados Unidos. O futuro da indústria automobilística também tem sido objeto de intensa discussão, uma discussão que interessa não apenas pela importância desse setor, mas também pelo que revela sobre a atitude do governo Obama sobre indústrias que receberam dinheiro do governo através de mega-pacotes de ajuda.

As montadoras General Motors e Chrysler, duas das três maiores dos Estados Unidos, sobrevivem hoje graças aos recursos do Tesouro americano. Com portfólios de produtos ultrapassados, altíssimos custos de pensões e planos de saúde, e uma imagem de produtores de veículos de baixa qualidade e depreciação rápida, elas se comprometeram a apresentar planos de reestruturação para receber mais dinheiro. O que não foi feito e, na ausência de planos com um mínimo de credibilidade, o governo americano endureceu as discussões com as duas montadoras neste final de semana.

A Chrysler aparentemente encontra-se em discussões avançadas com a italiana Fiat, e recebeu um ultimato do governo Obama: tem mais 30 dias para concluir as negociações em torno de uma participação da Fiat no seu capital se quiser receber ajuda do governo americano. A GM também recebeu um recado duríssimo. Obama exigiu a demissão do executivo-chefe Rick Wagoner e deixou claro que a preferência do seu governo é pela concordata da empresa, algo que seus executivos têm procurado evitar a todo custo.

O caminho da concordata, possivelmente dividindo a empresa em uma parte boa e uma parte ruim, parece ser uma saída muito mais barata e menos prejudicial ao funcionamento do mercado do que manter uma empresa morta-viva por um período indefinido de tempo. Resta saber até que ponto essa abordagem mais dura se aplica também ao setor financeiro, onde bancos em situação precária constituem uma parte importante do problema. O risco político dessas decisões – tanto as já tomadas, como aquelas que terão de ser enfrentadas em breve – é enorme. Mas ao menos ficou evidente que a Casa Branca não tem medo de tomar decisões, mesmo quando o custo imediato é alto.

Um dos indicadores de custo foi a reação dos mercados hoje, segunda-feira. As bolsas ao redor do mundo caíram diante da possibilidade de concordata da GM, que pode ter repercussões para os produtores de auto-peças. O índice Dow Jones caiu -3,27% e o S&P, -3,48%. Em situações como essa, é importante destacar que o desempenho dos índices de ações não pode ser tomado como indicador das perspectivas para a economia como um todo.

Aqui no Brasil, não foi diferente. Depois da grande alta da semana passada, o Ibovespa fechou com queda de -2,99%, nesta segunda-feira. E no cenário atual, esperamos que a bolsa brasileira continue bastante influenciada pelo mercado externo.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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