Archive for abril \28\UTC 2009

Comentário semanal

abril 28, 2009

Segunda-feira foi um dia atípico nos mercados: a principal fonte de preocupações não foi o estado de saúde dos bancos americanos ou da economia chinesa, e sim a possibilidade de uma pandemia global da gripe suína que já matou mais de 140 pessoas no México. Em meio a alertas das autoridades sanitárias, vimos a valorização de ações de empresas farmacêuticas e o declínio de papéis ligados a comércio e turismo internacionais. Contudo, é importante lembrar que ainda é muito cedo para se avaliar sua dimensão e o potencial de impacto na economia mundial.

É mais um complicador em um momento ainda bastante difícil, apesar da volta de um certo grau de otimismo nos mercados, assunto da matéria de capa da revista The Economist desta semana. A revista pergunta se faz sentido acreditar que o pior da crise financeira já passou. O principal indicador nessa direção tem sido o desempenho positivo da maior parte dos mercados de ações do mundo nas últimas semanas, além de alguns segmentos da economia real — China, algumas commodities e partes dos mercados imobiliários dos países ricos – que também começam a reagir.

Segundo a revista, esse otimismo todo traz dois riscos, um para os investidores e outro principalmente para os reguladores dos mercados. Para os investidores, o risco está na possibilidade dessa recuperação dos mercados não ser sustentável. E para os “policymakers”, o perigo é perder de vista que ainda há muito o que fazer para minorar os efeitos da crise atual e evitar que ela se repita.

Um indicador da seriedade da situação atual apareceu em um artigo do Financial Times de hoje, segunda-feira: de acordo com documentos internos do Fed, a taxa de juros ideal para os níveis atuais de desemprego e de inflação seria de -5% ao ano. Ou seja, ainda estamos em condições muito distantes da normalidade, e ainda resta muito o que fazer por parte dos bancos centrais dos Estados Unidos e dos outros países mais seriamente afetados pela crise.

Para o Brasil, a melhor notícia é que o programa de estímulo colocado em prática pelo governo da China parece estar funcionando. O FMI já prevê crescimento de 6,5% para a economia chinesa no ano corrente, principalmente graças aos gastos do governo, o que implica em provável recuperação dos preços das commodities, beneficiando algumas de nossas maiores empresas.

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Comentário semanal

abril 22, 2009

A segunda-feira foi um dia de fortes quedas nos mercados de ações. Nos Estados Unidos o índice Dow Jones caiu -3,6%, e o S&P 500 recuou -4,3%. O índice Bovespa seguiu a tendência, com queda de -2,9%.

Esse fraco desempenho se deve, aparentemente, a novas questões a respeito da saúde dos bancos americanos. Os resultados trimestrais positivos divulgados por alguns deles nas últimas semanas tiveram papel importante no melhora do humor dos investidores, mas começam a surgir dúvidas quanto à qualidade desses números.

O Bank of America, por exemplo, divulgou na segunda um lucro de US$ 4,25 bilhões no primeiro trimestre de 2009. Um resultado aparentemente bom para as circunstâncias, mas as primeiras análises indicam que uma boa parte dele se deveu a fatores que não se repetirão, como ganhos sobre certos produtos estruturados da carteira do banco de investimentos Merrill Lynch, adquirido pelo BofA no ano passado. Além disso, os números divulgados pelo banco indicam que a sua carteira de crédito continua se deteriorando.

A recuperação recente dos mercados teria sido um pouco exagerada? Os pessimistas acreditam que sim, e apontam para alguns fatores. Um deles é o tamanho da crise. A revista Fortune, por exemplo, divulgou a sua lista das 500 maiores empresas dos EUA em 2008. Foi o pior ano da história, com uma queda de quase 85% nos lucros das 500.

Por outro lado, após um movimento de alta de quase +30% em um período de seis semanas é natural que haja alguma reacomodação de preços. O movimento nas próximas semanas deve ser bastante influenciado pela divulgação dos resultados trimestrais das empresas.

Aqui no Brasil chama a atenção a gastança que o governo federal vem anunciando, com queda de impostos e pacotes de ajuda para estados e municípios, entre outras medidas. Ainda não está claro qual será o impacto dessas iniciativas sobre nossas contas públicas.

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abril 14, 2009

Será que a economia mundial já se encontra em recuperação? Alguns indicadores parecem apontar nessa direção. Os bancos americanos, por exemplo, têm sinalizado resultados positivos. Depois do Wells Fargo, na quinta-feira, hoje, segunda-feira, foi a vez do Goldman Sachs anunciar resultado positivo no primeiro trimestre do ano. E o banco de investimentos foi além, dizendo que planeja fazer em breve um aumento de capital de US$ 5 bilhões para pagar de volta o dinheiro emprestado pelo Tesouro americano.

Há também sinais de retomada na economia chinesa e de recuperação dos preços das commodities, em parte explicada pela demanda da indústria chinesa. Esses sinais ainda são muito tênues, e talvez tenham mais a ver com distorções estatísticas e com ajustes da produção do que com uma reviravolta nas expectativas dos agentes da economia real.

A recuperação do sistema financeiro, por sua vez, é condição essencial para que os EUA saiam da crise. Foi ali que a crise começou, e não é possível uma retomada do crescimento sem que os bancos voltem a cumprir o seu papel de intermediação financeira. A questão é saber se essa recuperação é real. Diversos economistas têm sugerido que mercados de ativos tendem a levar muitos anos para se recuperar de colapsos como esse pelo qual passamos. Os balanços dos bancos ainda não mostram, segundo esses comentaristas, o impacto total da desaceleração da economia real. A desaceleração continua, apesar de menos rápida.

Quando os empresários resolverem voltar a investir, precisarão de recursos para fazê-lo. Para isso serão necessários mercados de capitais cumprindo sua função de levar capital para quem precisa dele. Ainda não está claro se as principais instituições financeiras do mundo estarão prontas para cumprir esse papel.

Aqui no Brasil, apesar dos recentes números ruins de nossa economia, nosso sistema financeiro parece saudável, o que ajuda e muito a nossa situação frente a essa crise global.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Tivemos um ótimo período para os fundos de ações e para os multimercado que investem em bolsa. No acumulado do mês de abril, considerando o fechamento da última quinta-feira, o Ibovespa apresenta alta de +11% no período.

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abril 7, 2009

A reunião do G-20 na semana passada superou as expectativas. É verdade que as expectativas eram muito baixas. O economista Dani Rodrik, por exemplo, desconfiava que líderes como o francês Sarkozy estavam tentando desviar a atenção do público com o assunto “paraísos fiscais”, que pouco tem a ver com a crise pela qual estamos passando. E o colunista Martin Wolf, do Financial Times, escreveu ainda na terça-feira da semana passada que os resultados do encontro certamente deixariam a desejar.

Segundo Wolf, a economia mundial precisa hoje não apenas de um aumento substancial na demanda agregada, mas também de uma redistribuição dessa demanda, dos países cronicamente deficitários para os cronicamente superavitários. Só assim, escreve o colunista, teremos uma chance de controlar o tamanho da desaceleração da economia mundial evitando um crescimento ainda maior dos desequilíbrios que têm dificultado a coordenação macroeconômica global. Mas não existe consenso suficiente para isso. Os países superavitários – China, Alemanha, Japão – não parecem dispostos a efetuar os ajustes necessários, e os países deficitários, como os Estados Unidos, não podem se endividar indefinidamente.

Os líderes dos governos dos países desenvolvidos aparentemente esperam os resultados dos pacotes de estímulo já colocados em prática. Mas a reunião do G-20 não foi totalmente inútil. Produziu-se uma surpresa positiva sob a forma de um anúncio de aumento de US$ 500 bilhões no capital do FMI. Este aumento de capital pode ser importante para os países com problemas de balança de pagamentos. Mas sua eficácia dependerá da disposição desses países de ir ao Fundo, uma ação que sempre se revelou traumática.

Segundo Simon Johnson, ex-economista chefe do FMI, o próximo diretor gerente do Fundo pode ser um indiano ou um brasileiro, o que aumentaria muito a sua legitimidade aos olhos dos emergentes. É muito positivo ver que políticas econômicas responsáveis têm levado ao crescimento da influência brasileira nos fóruns internacionais. Mas ainda há muito o que fazer, lá e aqui, para evitar o pior.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Depois de um excelente mês para a bolsa em março, com grande entrada de investimento estrangeiro, abril também começou com forte alta no mercado de ações.