Archive for maio \26\UTC 2009

Comentário semanal

maio 26, 2009

Estaria a China presa a uma “armadilha do dólar”, como diz a manchete do Financial Times de hoje, segunda-feira? De acordo com a matéria do jornal, as crescentes queixas de dirigentes chineses, preocupados com o risco de um colapso do dólar, não tiveram ainda nenhuma contrapartida na gestão das reservas por parte daquele país. Os dados mais recentes indicam que as autoridades chinesas continuam investindo a maior parte de suas crescentes reservas de divisas em títulos do tesouro americano. Só no mês de março o volume de títulos do U.S. Treasury comprados diretamente pelos chineses subiu US$ 23,7 bilhões, atingindo o novo recorde de US$ 768 bilhões.

O principal problema dos gestores das reservas chinesas é o volume de recursos à sua disposição. São, de acordo com Brad Setser do Council on Foreign Relations, quase US$ 2,5 trilhões somando-se as reservas formais, os ativos externos dos bancos estatais e outros itens. E essas reservas continuam crescendo, apesar da crise econômica mundial, já que os chineses continuam gerando superávits em conta corrente da ordem de 8 a 9% do seu PIB.

O volume é tão grande que são poucos os mercados do mundo capazes de absorver esses recursos. Os chineses temem perder duas vezes se tentarem vender títulos do tesouro americano para comprar papéis denominados em outras moedas. Perderiam na desvalorização dos títulos em dólar e na valorização dos títulos em outras moedas. Diante da probabilidade cada vez maior de uma alta dos juros americanos (em função da alta da inflação) só resta aos chineses a alternativa de dirigir seus investimentos para instrumentos de curto prazo, o que parece estar acontecendo, segundo o FT.

O movimento do dólar no curto e médio prazo é muito mais determinado pelos fluxos de investimento privados. Sua desvalorização recente frente ao real e frente também a várias moedas do mundo parece muito mais relacionada com o retorno do apetite de risco dos investidores, que tem beneficiado muito nossos mercados, do que com fatores políticos.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

Comentário semanal

maio 19, 2009

Esta segunda-feira foi mais um dia de mercados aquecidos, aqui e lá fora. Nos Estados Unidos as ações dos bancos empurraram as altas de +2,85% no índice Dow Jones e de +3,04% no S&P 500. Aqui no Brasil subiram as ações de bancos e empresas de commodities, entre elas as da Petrobras. O Ibovespa fechou com alta de +5,01%.

A Petrobras, de longe a empresa mais importante para a economia brasileira e para o nosso mercado de ações, é objeto da atenção de exércitos de repórteres, economistas e analistas, mas nem por isso pode-se dizer que seja um exemplo de transparência. Hoje mesmo a empresa está nas manchetes em função da CPI que senadores da oposição querem instalar, aparentemente com o objetivo de jogar um pouco de luz nessa caixa preta. Mas isso não parece estar preocupando os investidores no momento, pois no mercado de hoje a ação PN da empresa subiu +4,92% e a ON +5,44%.

Outra notícia, no entanto, serve para mostrar o potencial de criação de riqueza dessa empresa, e o quanto é difícil avaliar se esse potencial se realizará. A missão presidencial que se encontra na China tem o objetivo, segundo o Wall Street Journal, de fechar acordo sobre financiamento chinês para a exploração das reservas do pré-sal. Segundo o jornal americano, a Petrobras busca dinheiro chinês para financiar parte de seu multi-bilionário programa de investimento, já que os mercados de crédito ainda se encontram parcialmente fechados. Como contrapartida a empresa estaria oferecendo garantias de fornecimento aos chineses, que, segundo o Journal, também querem ser fornecedores de serviços e equipamentos.

Com ou sem CPI, parece razoável imaginar que a gestão da Petrobras continuará bastante politizada. No entanto, as conversas com os chineses são um indicador de que os fundamentos da demanda por commodities básicas continuam fortes. O crescimento das classes médias e os grandes investimentos em infra-estrutura nos países em desenvolvimento devem voltar a pressionar os preços de energia, metais e alimentos nos próximos anos, em uma competição global por recursos finitos.

Os programas de gastos governamentais para combate à desaceleração das economias, financiando gastos em infra-estrutura, também devem ter um impacto positivo sobre a demanda por commodities. No curto prazo, a injeção de recursos dos bancos centrais nos seus respectivos sistemas financeiros parece estar ajudando na recuperação dos mercados de ações e de commodities – para a alegria dos investidores na Bovespa. A questão é saber até que ponto esse movimento se sustenta caso as economias centrais voltem a perder velocidade, dada a importância dos fluxos estrangeiros para a alta no nosso mercado.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.. É importante destacar que os dados não consideram o forte mercado desta segunda-feira, já que a última cota disponível da maior parte dos fundos acompanhados é da última sexta-feira, dia 15 de maio.

Comentário semanal

maio 12, 2009

Uma matéria do Wall Street Journal de segunda-feira expressa bem o crescente otimismo dos investidores com relação às perspectivas para os mercados emergentes. De acordo com o Journal, as altas recentes dos preços das ações do Brasil e de outros países estão atraindo cada vez mais investidores, fato comprovado pelas crescentes entradas de recursos nos fundos de investimento especializados em mercados emergentes – US$ 4 bilhões na semana de 6 de maio, de acordo com dados citados na matéria.

Os dados da Bovespa confirmam essa tendência. Abril foi o terceiro mês consecutivo com entrada líquida de recursos estrangeiros na bolsa, com um saldo positivo de R$ 3,77 bilhões no mês. Esses capitais têm ajudado a fazer a performance da bolsa brasileira uma das melhores do mundo nesse momento de alta, tendo subido cerca de 70% desde o ponto mais baixo atingido em outubro de 2008.

Essa valorização tem bastante a ver com uma avaliação mais racional dos fundamentos da economia brasileira e do seu contexto no cenário global. A sensação de terror passou, e as percepções apocalípticas comuns no auge da crise deram lugar a avaliações mais sóbrias segundo as quais o pior já passou e as perspectivas para algumas das economias emergentes são melhores do que aquelas para as economias maduras.

Os motivos para esse otimismo são familiares para os leitores desse comentário semanal. Em primeiro lugar, a atuação dos governos – e principalmente dos bancos centrais – dos países ricos parece ter sido suficiente para conter a crise. Talvez seja prematuro falar em início da recuperação, mas a fase de queda livre parece encerrada. Assim, já parece possível separar as economias e empresas que estão melhor posicionadas para o novo cenário. O Brasil leva vantagem na avaliação em função da saúde do seu sistema bancário e das boas perspectivas para as commodities graças ao plano de estímulo chinês.

Esses fundamentos explicam em grande parte os fortes fluxos de capitais dos últimos meses. No entanto, alguns observadores qualificados começam a se perguntar se os movimentos recentes dos mercados não teriam mais relação com os volumes de dinheiro que os bancos centrais têm injetado nos seus respectivos sistemas financeiros do que com as perspectivas de crescimento econômico e de rentabilidade para as empresas listadas em bolsa.

Enquanto tivermos essa combinação de fundamentos positivos e fluxo favorável as perspectivas para o mercado brasileiro serão muito boas. Contudo, é muito importante continuar atento para qualquer mudança no cenário.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

Comentário semanal

maio 5, 2009

A Bovespa fechou em forte alta na segunda-feira 4 de maio, seguindo a tendência dos mercados globais. O índice Dow Jones teve alta de +2,61% e o S&P 500 subiu +2,58%. O Ibovespa subiu +6,59%, atingindo o patamar de 50 mil pontos pela primeira vez desde setembro de 2008.

Esse desempenho prolonga a tendência de alta dos últimos dois meses, aqui e lá fora. O índice S&P 500, por exemplo, já zerou as perdas desde o início do ano. O índice Bovespa, por sua vez, já subiu +34% em 2009, considerando o mercado desta segunda-feira, indicando uma avaliação positiva por parte dos investidores das perspectivas para a economia brasileira.

Mais especificamente, os sinais vindos da China – como o índice de gerentes de compras divulgado na segunda – sugerem que a retomada do crescimento naquele país pode ser a locomotiva do crescimento mundial, levando vários comentaristas a vislumbrar sinais de recuperação. Esses dados são particularmente importantes para o mercado brasileiro já que nossa bolsa é bastante concentrada em empresas produtoras de commodities. Além disso, nossa taxa de juros interna continua em trajetória de queda, com a inflação sob controle. Com o corte resultante da última reunião do Copom a taxa Selic atingiu 10,25% a.a., cenário este que tem contribuído para a boa performance de nossos mercados.

Contudo, para alguns analistas muito do movimento recente dos mercados pode ter mais a ver com a grande injeção de liquidez no sistema financeiro pelo Fed e outros bancos centrais do que com os fundamentos da economia, principalmente quando se fala da bolsa americana.

O futuro das instituições financeiras continua sendo um fator decisivo para o mercado americano. Espera-se para o final da semana a divulgação do resultado dos testes de stress propostos pelo departamento do Tesouro para os bancos americanos, e correm boatos de que grandes instituições como o Citigroup, Bank of America e Wells Fargo precisarão de mais capital. Porém, apesar dos rumores, as ações dos bancos estão entre as que mais se valorizaram nas últimas semanas.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.