Comentário semanal

Uma matéria do Wall Street Journal de segunda-feira expressa bem o crescente otimismo dos investidores com relação às perspectivas para os mercados emergentes. De acordo com o Journal, as altas recentes dos preços das ações do Brasil e de outros países estão atraindo cada vez mais investidores, fato comprovado pelas crescentes entradas de recursos nos fundos de investimento especializados em mercados emergentes – US$ 4 bilhões na semana de 6 de maio, de acordo com dados citados na matéria.

Os dados da Bovespa confirmam essa tendência. Abril foi o terceiro mês consecutivo com entrada líquida de recursos estrangeiros na bolsa, com um saldo positivo de R$ 3,77 bilhões no mês. Esses capitais têm ajudado a fazer a performance da bolsa brasileira uma das melhores do mundo nesse momento de alta, tendo subido cerca de 70% desde o ponto mais baixo atingido em outubro de 2008.

Essa valorização tem bastante a ver com uma avaliação mais racional dos fundamentos da economia brasileira e do seu contexto no cenário global. A sensação de terror passou, e as percepções apocalípticas comuns no auge da crise deram lugar a avaliações mais sóbrias segundo as quais o pior já passou e as perspectivas para algumas das economias emergentes são melhores do que aquelas para as economias maduras.

Os motivos para esse otimismo são familiares para os leitores desse comentário semanal. Em primeiro lugar, a atuação dos governos – e principalmente dos bancos centrais – dos países ricos parece ter sido suficiente para conter a crise. Talvez seja prematuro falar em início da recuperação, mas a fase de queda livre parece encerrada. Assim, já parece possível separar as economias e empresas que estão melhor posicionadas para o novo cenário. O Brasil leva vantagem na avaliação em função da saúde do seu sistema bancário e das boas perspectivas para as commodities graças ao plano de estímulo chinês.

Esses fundamentos explicam em grande parte os fortes fluxos de capitais dos últimos meses. No entanto, alguns observadores qualificados começam a se perguntar se os movimentos recentes dos mercados não teriam mais relação com os volumes de dinheiro que os bancos centrais têm injetado nos seus respectivos sistemas financeiros do que com as perspectivas de crescimento econômico e de rentabilidade para as empresas listadas em bolsa.

Enquanto tivermos essa combinação de fundamentos positivos e fluxo favorável as perspectivas para o mercado brasileiro serão muito boas. Contudo, é muito importante continuar atento para qualquer mudança no cenário.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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