Archive for junho \30\UTC 2009

Comentário semanal

junho 30, 2009

O momento é de relativa calma nos mercados. Nos Estados Unidos o grande assunto desta segunda-feira é a condenação de Bernard Madoff a 150 anos de prisão por operar o maior esquema de pirâmide da história, levando a perdas bilionárias para os investidores que aplicaram seu dinheiro com ele. De acordo com a Bloomberg, as perdas para esses investidores chegam a US$ 65 bilhões.

Mas o prejuízo certamente não termina aí. O affair Madoff revelou vulnerabilidades preocupantes no sistema de regulação e supervisão dos mercados americanos. Poucos imaginavam que fosse possível operar por tanto tempo um esquema tão grande e tão primário de fraude.

É possível argumentar que a responsabilidade, em última análise, é dos investidores que não fizeram a sua lição de casa e se deixaram seduzir pelas promessas de ganhos altos, constantes e independentes das condições dos mercados oferecidos por Madoff e pelos intermediários que promoviam seus fundos. Mas o dano à integridade dos mercados é real, e nem mesmo a pena de 150 anos na cadeia será suficiente para devolver aos investidores a confiança em veículos de investimento complexos e muitas vezes pouco transparentes.

No que diz respeito à economia americana, o momento é de espera. A economista Christina Romer, que preside o conselho de assessores econômicos da Casa Branca, diz que o efeito do pacote de estímulo do governo Obama deve ser sentido nos próximos meses, e que ainda não chegou o momento de apertar políticas monetária e fiscal. Ela acha que estamos perto do fundo do poço, e que uma recuperação rápida em 2010 é bastante possível.

Aqui no Brasil o último relatório de inflação do Banco Central, divulgado na sexta-feira, trouxe projeções de inflação bastante benignas para 2009 e 2010, de 4,1% e 3,9% respectivamente. Essas projeções, abaixo dos 4,5% da meta, em tese sugerem que há mais espaço para corte de juros. Mas o economista Eduardo Loyo escreve em seu comentário para clientes do UBS Pactual que talvez a situação não seja tão simples assim. Segundo ele, o Banco Central agirá de maneira cautelosa, não devendo reduzir os juros além do meio ponto percentual que ele espera para a reunião de julho do Copom.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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junho 23, 2009

Os mercados abriram a semana em baixa, nos Estados Unidos e aqui, com quedas de -2,35% no índice Dow Jones, -3,06% no S&P 500, e -3,66% no Bovespa. A grande questão, aparentemente, é saber se a recuperação dos preços das ações nos últimos meses correspondeu ou não a uma melhoria equivalente nos fundamentos das economias.

De acordo com o blog Alphaville, do Financial Times, os gurus do mercado inclinam-se, no momento, ao pessimismo. A tese mais corrente, expressa, por exemplo, por Christopher Wood, do CLSA, seria de que a alta dos últimos três meses estaria se esgotando. Os investidores estariam nervosos com o crescimento de pressões deflacionárias no ocidente, e com a forte reação dos bancos centrais a essas pressões.

Nouriel Roubini explica: diante da ameaça de deflação, o Fed partiu para uma política monetária extraordinariamente frouxa, que estaria alimentando um boom global em mercados de ações e de commodities. Segundo Roubini, essa bolha nos preços das commodities, e especialmente do petróleo, pode por em risco a frágil recuperação econômica que se inicia e colocar o mundo novamente em recessão no final de 2010 ou no início de 2011.

No curto prazo todos os olhos estão voltados para o Fed, e para o seu comitê de política monetária (FOMC), que se reúne na terça- e quarta-feira da semana corrente. O foco do interesse não está tanto na taxa básica de juros da economia americana, e sim nos programas de “afrouxamento quantitativo”, ou seja, de aquisição pelo Fed de títulos emitidos pelo Tesouro americano. Investidores estarão atentos ao comunicado do FOMC e ao que ele dirá sobre perspectivas inflacionárias e sobre esses programas.

Aqui no Brasil o tema da semana é a abertura de capital da operadora de cartões de crédito Visanet, operação que deve movimentar algo em torno de seis bilhões de reais. Essa operação será um bom indicador do grau de apetite dos investidores externos por novas colocações de papéis brasileiros.

São cada vez mais freqüentes entre os analistas e comentaristas estrangeiros os elogios à gestão prudente da política econômica brasileira. Já há quem chame o nosso Banco Central de “o Bundesbank da América Latina.” Nesse contexto, a procura pelas ações da Visanet será vista como um termômetro da confiança dos investidores estrangeiros em nossa política econômica e no crescimento sustentado dos gastos do consumidor brasileiro.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Os fundos de ações e os multimercado com posições em ações sofreram com a performance ruim da Bovespa na semana passada. A valorização do dólar frente ao real também teve algum impacto nos fundos multimercado que carregam posições vendidas na moeda americana.

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junho 16, 2009

Os mercados de ações fecharam em queda na segunda-feira, seguindo a tendência das commodities. Apesar de uma recuperação no final do pregão, tivemos queda de -2,13% no índice Dow Jones e de -2,38% no S&P 500. Aqui no Brasil o índice Bovespa seguiu o movimento, fechando em queda de -2,85%.

Procurar as razões por trás dos movimentos diários dos mercados é sempre um exercício dúbio, mas chamam a atenção os comentários dos ministros do G8, e principalmente do russo Alexei Kudrin. As declarações de confiança no dólar americano tiveram o efeito de valorizar aquela moeda, o que por sua vez deprimiu os preços das commodities. A questão fundamental, no entanto, é saber se as expectativas de recuperação econômica embutidas na recente valorização dos mercados são válidas.

As dúvidas surgem em várias frentes. O economista Paul Krugman, que tem acertado muito mais do que tem errado, falou de suas preocupações em uma longa entrevista para o jornal britânico Guardian. Ele acredita que o mundo inteiro corre o risco de um longo período de estagnação, comparável à década perdida vivida pelo Japão. E o mais preocupante, segundo Krugman, é que não é tão óbvio assim que as lições do Japão foram devidamente aprendidas, que seus erros não se repetirão, e que acharemos uma saída para a crise atual. Ele acredita que o relativo otimismo dos últimos meses se deve apenas a uma estabilização das principais economias. Elas pararam de cair, mas não é claro ainda de onde sairá a sua recuperação.

Nos Estados Unidos cresce a preocupação com o crescimento explosivo da dívida pública. O economista Willem Buiter fala em seu blog de um “buraco negro fiscal”, afirmando que sem um aperto fiscal significativo assim que o país começar a sair da recessão será muito difícil evitar um crescimento explosivo da dívida pública, e duvida da viabilidade política de um ajuste, seja reduzindo gastos, seja aumentando impostos. Na Europa o grande tema (além da probabilidade de quebra da Letônia) é o risco de que os governos – principalmente o da Alemanha – estariam colocando o carro na frente dos bois ao trazer à discussão prematuramente estratégias de saída da crise, ao invés de atacar problemas ainda não resolvidos como o mau estado de saúde de seus bancos.

Ou seja, os riscos para a economia mundial e para os ativos financeiros ainda são bastante substanciais, e toda estratégia de investimento deve ter isso em conta.

Aqui no Brasil, o Banco Central surpreendeu o mercado na semana passado ao reduzir a taxa de juros básica da economia para 9,25% a.a., o que tende a ser bom para os ativos de renda variável. Contudo, os motivos dessa decisão só serão esclarecidos com a publicação da ata da reunião, esperada para a próxima quinta-feira.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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junho 9, 2009

A OCDE, organização que reúne as principais economias do planeta, divulgou nesta segunda-feira seu relatório mensal de indicadores antecedentes (“leading indicators”) para os 30 países membros da organização no mês de abril. De acordo com a OCDE, o índice subiu meio ponto no mês, a segunda alta mensal sucessiva, sugerindo que a recessão global pode ter atingido o fundo do poço, e que a recuperação pode começar nos próximos seis meses.

O cenário, no entanto, não é o mesmo para todas as economias incluídas no indicador. Os sinais de virada aparecem nos índices referentes a França, Itália, Reino Unido e China. Para os outros países que fazem parte do índice, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Japão, Brasil, Índia e Rússia, os números ainda apontam para desaceleração nos próximos meses. Os últimos dados de emprego nos Estados Unidos não são muito animadores: apesar do número de postos de trabalho ter caído relativamente pouco (345 mil), a taxa de desemprego atingiu 9,4%.

O economista Paul Krugman espera que a recessão termine antes de setembro, mas sugere que as taxas de desemprego devem se manter altas por bastante tempo. A solução para a economia americana pode ser um novo pacote de estímulo econômico do governo federal. Brad DeLong recomenda um pacote de ajuda aos estados, forçados por suas regras orçamentárias a cortar despesas em um momento onde deveriam aumentar seus gastos. O plano de DeLong teria a virtude de ser rápido e fácil de implementar, e portanto teria impacto imediato.

O cenário na zona do euro permanece bastante incerto. Segundo o FMI, a fragilidade do sistema financeiro desses países pode limitar a recuperação de suas economias. Além disso, a força da moeda européia deve dificultar a vida dos países onde a retomada do crescimento depende da vitalidade das exportações – ou seja, da Alemanha.

Aqui no Brasil estamos na expectativa pelo resultado do PIB no primeiro trimestre, que deve ser divulgado pelo IBGE na manhã de terça-feira. Caso se confirme o resultado negativo esperado pela maioria dos economistas aumentará a probabilidade de redução da taxa Selic na próxima reunião do Copom, na quarta-feira.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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junho 2, 2009

A grande notícia de segunda-feira foi, sem dúvida, o pedido de concordata da General Motors, uma das maiores empresas do mundo e um símbolo do capitalismo à moda americana. As dificuldades financeiras da GM já eram bastante conhecidas e o pedido de concordata em si já era esperado. Mas isso não tira a importância do evento – a maior reorganização de empresa industrial da história, com ativos de US$ 82 bilhões, e passivos de mais de US$ 172 bilhões.

A GM será dividida em duas empresas, uma GM “boa”, que deverá ficar com os ativos viáveis da companhia, e uma GM “ruim”, encarregada de fechar fábricas, cancelar contratos com revendedores, aposentar marcas e demitir funcionários. Na ausência de um parceiro estratégico – papel que a Fiat está desempenhando no caso da Chrysler – a principal fonte de apoio para a GM é o governo americano, que está oferecendo mais US$ 30 bilhões para a empresa, além dos US$ 20 bilhões que já havia emprestado. O resultado será a estatização – temporária, espera-se – da empresa.

A questão é saber se surgirá uma empresa viável ao final desse processo. Os problemas da GM, e especialmente das suas operações dos Estados Unidos e Canadá, são antigos e complexos. A reestruturação que vem por aí oferece uma chance única para colocar em prática medidas necessárias como a drástica redução do número de fábricas, de marcas e de concessionárias. O presidente Barack Obama garantiu que os executivos da empresa terão total liberdade para tomar as decisões necessárias, mas restam dúvidas quanto à sua capacidade de transformação diante das dimensões políticas da situação.

A notícia aparentemente foi bem recebida pelos mercados, a julgar pelo desempenho dos índices de ações, impulsionados também pela divulgação de dados econômicos positivos nos EUA. O índice Dow Jones e o índice S&P 500 subiram +2,6% no dia. O índice Bovespa seguiu a tendência de alta e subiu 2,4% nesta segunda-feira.

Depois das altas dos meses de abril (+15,6%) e maio (+12,5%), investidores e analistas já começam a se perguntar se o mercado brasileiro não está ficando caro. Contudo, o principal determinante das altas recentes de ações, moedas, commodities e outros ativos – a criação de volumes enormes de liquidez pelos bancos centrais das principais economias – continua firme e forte. E enquanto enxergarmos fluxo de entrada de capital estrangeiro no Brasil, a alta da Bovespa deverá se sustentar.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Os destaques do mês de maio foram os fundos de ações e os fundos multimercado com posições em ações, como o Upside e os fundos BNY Mellon ARX.