Comentário semanal

Os mercados de ações fecharam em queda na segunda-feira, seguindo a tendência das commodities. Apesar de uma recuperação no final do pregão, tivemos queda de -2,13% no índice Dow Jones e de -2,38% no S&P 500. Aqui no Brasil o índice Bovespa seguiu o movimento, fechando em queda de -2,85%.

Procurar as razões por trás dos movimentos diários dos mercados é sempre um exercício dúbio, mas chamam a atenção os comentários dos ministros do G8, e principalmente do russo Alexei Kudrin. As declarações de confiança no dólar americano tiveram o efeito de valorizar aquela moeda, o que por sua vez deprimiu os preços das commodities. A questão fundamental, no entanto, é saber se as expectativas de recuperação econômica embutidas na recente valorização dos mercados são válidas.

As dúvidas surgem em várias frentes. O economista Paul Krugman, que tem acertado muito mais do que tem errado, falou de suas preocupações em uma longa entrevista para o jornal britânico Guardian. Ele acredita que o mundo inteiro corre o risco de um longo período de estagnação, comparável à década perdida vivida pelo Japão. E o mais preocupante, segundo Krugman, é que não é tão óbvio assim que as lições do Japão foram devidamente aprendidas, que seus erros não se repetirão, e que acharemos uma saída para a crise atual. Ele acredita que o relativo otimismo dos últimos meses se deve apenas a uma estabilização das principais economias. Elas pararam de cair, mas não é claro ainda de onde sairá a sua recuperação.

Nos Estados Unidos cresce a preocupação com o crescimento explosivo da dívida pública. O economista Willem Buiter fala em seu blog de um “buraco negro fiscal”, afirmando que sem um aperto fiscal significativo assim que o país começar a sair da recessão será muito difícil evitar um crescimento explosivo da dívida pública, e duvida da viabilidade política de um ajuste, seja reduzindo gastos, seja aumentando impostos. Na Europa o grande tema (além da probabilidade de quebra da Letônia) é o risco de que os governos – principalmente o da Alemanha – estariam colocando o carro na frente dos bois ao trazer à discussão prematuramente estratégias de saída da crise, ao invés de atacar problemas ainda não resolvidos como o mau estado de saúde de seus bancos.

Ou seja, os riscos para a economia mundial e para os ativos financeiros ainda são bastante substanciais, e toda estratégia de investimento deve ter isso em conta.

Aqui no Brasil, o Banco Central surpreendeu o mercado na semana passado ao reduzir a taxa de juros básica da economia para 9,25% a.a., o que tende a ser bom para os ativos de renda variável. Contudo, os motivos dessa decisão só serão esclarecidos com a publicação da ata da reunião, esperada para a próxima quinta-feira.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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