Comentário semanal

Os mercados abriram a semana em baixa, nos Estados Unidos e aqui, com quedas de -2,35% no índice Dow Jones, -3,06% no S&P 500, e -3,66% no Bovespa. A grande questão, aparentemente, é saber se a recuperação dos preços das ações nos últimos meses correspondeu ou não a uma melhoria equivalente nos fundamentos das economias.

De acordo com o blog Alphaville, do Financial Times, os gurus do mercado inclinam-se, no momento, ao pessimismo. A tese mais corrente, expressa, por exemplo, por Christopher Wood, do CLSA, seria de que a alta dos últimos três meses estaria se esgotando. Os investidores estariam nervosos com o crescimento de pressões deflacionárias no ocidente, e com a forte reação dos bancos centrais a essas pressões.

Nouriel Roubini explica: diante da ameaça de deflação, o Fed partiu para uma política monetária extraordinariamente frouxa, que estaria alimentando um boom global em mercados de ações e de commodities. Segundo Roubini, essa bolha nos preços das commodities, e especialmente do petróleo, pode por em risco a frágil recuperação econômica que se inicia e colocar o mundo novamente em recessão no final de 2010 ou no início de 2011.

No curto prazo todos os olhos estão voltados para o Fed, e para o seu comitê de política monetária (FOMC), que se reúne na terça- e quarta-feira da semana corrente. O foco do interesse não está tanto na taxa básica de juros da economia americana, e sim nos programas de “afrouxamento quantitativo”, ou seja, de aquisição pelo Fed de títulos emitidos pelo Tesouro americano. Investidores estarão atentos ao comunicado do FOMC e ao que ele dirá sobre perspectivas inflacionárias e sobre esses programas.

Aqui no Brasil o tema da semana é a abertura de capital da operadora de cartões de crédito Visanet, operação que deve movimentar algo em torno de seis bilhões de reais. Essa operação será um bom indicador do grau de apetite dos investidores externos por novas colocações de papéis brasileiros.

São cada vez mais freqüentes entre os analistas e comentaristas estrangeiros os elogios à gestão prudente da política econômica brasileira. Já há quem chame o nosso Banco Central de “o Bundesbank da América Latina.” Nesse contexto, a procura pelas ações da Visanet será vista como um termômetro da confiança dos investidores estrangeiros em nossa política econômica e no crescimento sustentado dos gastos do consumidor brasileiro.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Os fundos de ações e os multimercado com posições em ações sofreram com a performance ruim da Bovespa na semana passada. A valorização do dólar frente ao real também teve algum impacto nos fundos multimercado que carregam posições vendidas na moeda americana.

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