Archive for julho \28\UTC 2009

Comentário semanal

julho 28, 2009

Em sua última reunião, realizada na semana passada, o Copom não surpreendeu ninguém ao reduzir a taxa de juros Selic de 9,25% para 8,75% ao ano. A decisão era esperada pelos mercados, e a ausência de viés indica que o Banco Central acredita que está encerrando um ciclo de baixa da taxa de juros. Teremos mais detalhes com a publicação da ata do Copom na próxima quinta-feira, mas a última pesquisa Focus, divulgada pelo BC, indica que o mercado espera que a taxa Selic mantenha-se nesse mesmo patamar até o final do ano.

A taxa de juros Selic encontra-se, portanto, no nível mais baixo dos últimos anos, mas mesmo assim o capital estrangeiro continua entrando em ritmo forte no mercado brasileiro, à procura de uma relação risco-retorno mais favorável do que aquela que se obtém nos mercados maduros. O BC relata que no mês de julho a entrada líquida foi de US$ 5,5 bilhões, dos quais US$ 2,4 bi apenas para o lançamento de ações da operadora de cartões de crédito VisaNet.

No cenário econômico americano não há muitas novidades. A relativa normalidade da conjuntura pode ser medida pela maneira como a agenda passou a ser ocupada por temas importantes, mas pouco urgentes, como a reforma do sistema de saúde e a conveniência de mais um mandato de Chairman do Fed para o professor Bernanke, já que o seu mandato atual se encerra em janeiro. O consenso de economistas e comentaristas é de que ele agiu certo ao tomar medidas dramáticas para evitar que a crise produzisse uma segunda grande depressão. Mas a impopularidade da autoridade monetária americana pode tornar o seu segundo mandato inviável.

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Comentário semanal

julho 21, 2009

A crise financeira e econômica que começou nos mercados de financiamento imobiliário dos Estados Unidos e que se alastrou pelo mundo inteiro levou muita gente a questionar o valor da teoria econômica. Afinal, de que valem os economistas se eles não são capazes de prever – e impedir – uma crise dessa proporção? E mais: o que fazer se os próprios modelos econômicos usados por investidores para precificar ativos são defeituosos e parcialmente responsáveis pela gigantesca bolha que estourou?

A revista Economist dessa semana traz importantes reflexões a respeito do (suposto) fracasso da teoria econômica, e de como a crise está provocando mudanças na mesma. As principais críticas focam dois ramos da teoria econômica moderna, a macroeconomia e a economia financeira. Segundo a revista, os macroeconomistas erraram na condução da política monetária. Eles se convenceram – e convenceram o resto do mundo – de que o único objetivo dos bancos centrais deveria ser o controle da inflação, e com isso permitiu-se a formação de bolhas sucessivas nos mercados financeiros. Os macroeconomistas não teriam sido responsáveis somente pelas condições que levaram à crise, mas também teriam ignorado completamente os sinais de que havia algo de errado. Além disso, dizem os críticos, eles não têm nenhuma idéia de como tirar o mundo da recessão em que nos encontramos.

Os economistas financeiros, por sua vez, têm a responsabilidade de ter formalizado as teorias de mercados eficientes, alimentando as crenças de que os mercados, quando deixados em paz, se regulam por conta própria e de que a inovação em produtos financeiros é sempre positiva. Essas idéias teriam sido os fundamentos sobre os quais Wall Street construiu seus super complexos instrumentos de investimento.

Segundo a revista, as falhas não podem ser atribuídas exclusivamente aos economistas, já que muitos deles haviam alertado para o uso indiscriminado de modelos excessivamente simples para precificar instrumentos muito complicados. E alguns deles haviam alertado para as bolhas de ativos. Mas há problemas reais, muitos derivados da falta de comunicação entre os especialistas das várias sub-disciplinas. Os macroeconomistas precisam entender melhor como funcionam os mercados financeiros, e os economistas financeiros precisam estudar melhor questões que não fazem parte de seus modelos, como risco de contraparte ou de iliquidez. No final das contas, economia é uma ciência social, imperfeita, mas que tem base na realidade e deve ser útil no mundo real.

Esse debate está repercutindo pela blogosfera, e merece ser acompanhado. É muito importante estudar, refletir e entender o que aconteceu para podermos tentar evitar que a próxima crise financeira seja tão destrutiva.

Na última semana os mercados tanto aqui quanto lá fora apresentaram boa performance, devido, entre outros fatores, aos bons resultados de alguns bancos americanos como o Goldman Sachs.

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julho 14, 2009

O jornal O Globo publicou, no último domingo, uma matéria que dá o que pensar sobre a trajetória fiscal brasileira para os próximos anos. Segundo o economista Geraldo Biasoto Júnior, professor assistente da Unicamp, as decisões de gastos que estão sendo tomadas hoje pelo governo Lula terão um impacto fiscal significativo a partir de 2010, seja quem for o novo presidente da república.

De acordo com a matéria do Globo, Biasoto contabilizou as despesas já contratadas pelo governo atual que terão impacto no orçamento de 2010 e chegou à conclusão de que o resultado fiscal do governo poderá passar de um superávit de R$ 71,4 bilhões em 2008 para um déficit de R$ 2,1 bilhões no ano que vem.

O aumento das despesas ocorre principalmente nos programas sociais, como o Bolsa-Família, nos gastos com educação e nos salários dos servidores públicos. O governo alega que a expansão dos gastos tem caráter anticíclico, e que não há risco fiscal nenhum na trajetória atual, dentro do cenário adotado pelo Tesouro, que prevê crescimento da ordem de 4 a 4,5% em 2010.

Para muitos economistas, o problema é que esses gastos não têm caráter anticíclico, pois não podem ser facilmente reduzidos ou eliminados no momento em que a economia voltar a crescer com base no consumo e investimento privados. Assim, esse crescimento das despesas eleva o risco de trajetórias desfavoráveis da dívida pública e da inflação no médio e longo prazos. É um assunto importante para se estar atento e acompanhar de perto.

Já os mercados americanos tiveram bom desempenho na segunda-feira, devido, em boa parte, à analista Meredith Whitney, que recomendou aos seus clientes a compra de ações do banco de investimentos Goldman Sachs. Whitney ficou famosa por ter sido uma das principais vozes negativas de Wall Street nos últimos meses, e essa nova recomendação de compra não chega a ser exatamente um sinal de otimismo. Ela acredita que o cenário para a economia e para o sistema financeiro dos Estados Unidos continuará difícil nos próximos anos, mas que o Goldman Sachs conseguirá tirar proveito dessa situação. Porém, parece ainda cedo para falar em uma recuperação sustentada da economia americana.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. A performance ruim da bolsa nos últimos dias afetou principalmente os fundos de ações e os multimercado com posições em ações. Alguns fundos multimercado também sofreram devido aos últimos movimentos no mercado de câmbio.

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julho 7, 2009

Alguns economistas acreditam que a recessão americana pode já ter acabado. A discussão tem um aspecto bastante acadêmico, pois o fim da recessão só pode ser determinado retrospectivamente e os economistas que acompanham esse assunto levam meses para ter certeza de que a tendência de fato se inverteu. Mas o blog de economia do Wall Street Journal cita o economista de um banco japonês em Nova York que vê nas estatísticas semanais de seguro desemprego sinais de que a recessão poderia ter acabado em abril ou maio.

O índice ISM, divulgado na segunda-feira, parece confirmar essa perspectiva. Esse indicador de atividade subiu no mês de junho, mas permanece abaixo do nível que indicaria uma economia em expansão. É mais um sinal, portanto, de que a economia americana não está mais piorando tão rapidamente como acontecia no final do ano passado e no começo desse ano, mas ainda não é suficiente para confirmar que essa mesma economia já parou de encolher e está voltando a crescer.

A discussão tem um aspecto relevante para o mundo real. O governo de Barack Obama aprovou, no início do seu mandato, um plano de estímulo econômico que foi muito criticado por economistas como Paul Krugman e Brad DeLong, que temiam que ele esse pacote não fosse suficiente para impedir um aprofundamento da recessão que já parecia àquela altura inevitável. A discussão agora gira em torno da necessidade de um novo pacote de estímulo. Os porta-vozes do governo alegam que ainda não houve tempo suficiente para que o efeito do pacote implementado se faça sentir, mas o crescimento dos índices de desemprego aumenta a pressão para que se tome medidas adicionais.

Uma notícia sobre o Brasil, no entanto, parece ter ajudado o mercado americano a se recuperar no final do pregão de hoje. Depois de abrir para baixo, os índices Dow Jones e S&P 500 fecharam com alta de +0,53% e +0,26% respectivamente, recuperação devida pelo menos em parte ao anúncio da agência de classificação de risco Moody’s de que estaria estudando o “rating” do Brasil com vistas a uma possível elevação para “investment grade.”

Aqui no Brasil, apesar da boa notícia, o índice Bovespa, que chegou a estar caindo mais de 2% durante o dia, fechou em queda de -0,61%, em um início de semana curta com o feriado de 9 de julho em São Paulo.

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