Comentário semanal

A crise financeira e econômica que começou nos mercados de financiamento imobiliário dos Estados Unidos e que se alastrou pelo mundo inteiro levou muita gente a questionar o valor da teoria econômica. Afinal, de que valem os economistas se eles não são capazes de prever – e impedir – uma crise dessa proporção? E mais: o que fazer se os próprios modelos econômicos usados por investidores para precificar ativos são defeituosos e parcialmente responsáveis pela gigantesca bolha que estourou?

A revista Economist dessa semana traz importantes reflexões a respeito do (suposto) fracasso da teoria econômica, e de como a crise está provocando mudanças na mesma. As principais críticas focam dois ramos da teoria econômica moderna, a macroeconomia e a economia financeira. Segundo a revista, os macroeconomistas erraram na condução da política monetária. Eles se convenceram – e convenceram o resto do mundo – de que o único objetivo dos bancos centrais deveria ser o controle da inflação, e com isso permitiu-se a formação de bolhas sucessivas nos mercados financeiros. Os macroeconomistas não teriam sido responsáveis somente pelas condições que levaram à crise, mas também teriam ignorado completamente os sinais de que havia algo de errado. Além disso, dizem os críticos, eles não têm nenhuma idéia de como tirar o mundo da recessão em que nos encontramos.

Os economistas financeiros, por sua vez, têm a responsabilidade de ter formalizado as teorias de mercados eficientes, alimentando as crenças de que os mercados, quando deixados em paz, se regulam por conta própria e de que a inovação em produtos financeiros é sempre positiva. Essas idéias teriam sido os fundamentos sobre os quais Wall Street construiu seus super complexos instrumentos de investimento.

Segundo a revista, as falhas não podem ser atribuídas exclusivamente aos economistas, já que muitos deles haviam alertado para o uso indiscriminado de modelos excessivamente simples para precificar instrumentos muito complicados. E alguns deles haviam alertado para as bolhas de ativos. Mas há problemas reais, muitos derivados da falta de comunicação entre os especialistas das várias sub-disciplinas. Os macroeconomistas precisam entender melhor como funcionam os mercados financeiros, e os economistas financeiros precisam estudar melhor questões que não fazem parte de seus modelos, como risco de contraparte ou de iliquidez. No final das contas, economia é uma ciência social, imperfeita, mas que tem base na realidade e deve ser útil no mundo real.

Esse debate está repercutindo pela blogosfera, e merece ser acompanhado. É muito importante estudar, refletir e entender o que aconteceu para podermos tentar evitar que a próxima crise financeira seja tão destrutiva.

Na última semana os mercados tanto aqui quanto lá fora apresentaram boa performance, devido, entre outros fatores, aos bons resultados de alguns bancos americanos como o Goldman Sachs.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: