Comentário semanal

Os bons resultados dos bancos britânicos HSBC e Barclays, divulgados nesta segunda-feira, ajudaram a animar os mercados, junto com as esperanças de melhor demanda para matérias-primas. O mercado brasileiro segue a tendência positiva. Ao fechar na segunda-feira ao nível de 55.997 pontos, o índice Bovespa volta ao patamar atingido pela última vez em agosto de 2008, antes do colapso da Lehman Brothers.

A crise financeira global levou muita gente a questionar o valor do banco central independente, e o Financial Times defende, em editorial, essa instituição que tem sido tão bombardeada não só por comentaristas mas também por políticos que parecem estar se aproveitando de um momento de vulnerabilidade para tentar conquistar de volta a influência que tiveram no passado distante.

Essa discussão não ocorre só no Brasil, onde comentaristas alinhados com uma certa visão intervencionista insistem em dizer que o BCB deveria jogar fora o sistema de metas de inflação para se concentrar apenas na tarefa de salvar a economia brasileira da catástrofe, como se não fosse possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Segundo o colunista John Plender, do FT, sinais de impaciência vêm do Japão, da Inglaterra e dos Estados Unidos. A chanceler alemã Angela Merkel também criticou publicamente o Banco Central Europeu, algo sem precedentes na história da República Federal da Alemanha, onde a independência da autoridade monetária é dogma absoluto.

Nos Estados Unidos existe uma antiga tradição de crítica populista ao Federal Reserve Bank, visto por muitos como uma instituição que serve aos interesses dos banqueiros e não do povo. Essa tradição voltou a ganhar força recentemente com as medidas que o Fed se viu obrigado a implementar para evitar o colapso do sistema financeiro americano, estendendo várias linhas de crédito diferentes aos bancos americanos.

O pior da crise parece já ter passado, mas ainda são várias as questões com relação ao desempenho dos BCs. Martin Wolf sugere em comentário recente que o sistema financeiro que está emergindo é ainda mais carregado de risco moral do que era aquele de antes da crise, e que a recuperação da economia mundial será lenta e difícil, sem respostas duradouras para problemas como o funcionamento do sistema monetário mundial, ainda baseado no dólar, ou dos fluxos internacionais de recursos, ou das vulnerabilidades das economias emergentes.

O princípio da independência dos bancos centrais, no entanto, parece mantido. Como escreveu Robert Peston, editor de economia e negócios da BBC, o desencanto com as soluções de mercado não parece trazer consigo uma crença forte nos poderes de intervenção dos governos. Assim, é grande a chance de que teremos mais do mesmo, por falta de idéias melhores.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. No mês passado, tanto os fundos de ações como os fundos multimercado com posições em bolsa apresentaram boa rentabilidade. Contribuiu também para a performance positiva dos fundos multimercado a valorização do real frente ao dólar, já que muitos desses fundos tinham posições vendidas na moeda americana.

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