Comentário semanal

O economista Paul Krugman argumentou, em uma coluna recente, que o risco de uma nova grande depressão já parece ter sido definitivamente afastado. A atuação do governo americano, segundo Krugman, é a maior responsável por este resultado. Os gastos “automáticos”, que independem de decisão política e que continuam acontecendo mesmo quando as receitas caem, criando, portanto, um efeito estabilizador, são os instrumentos que mais deram resultado. Há também o resultado dos pacotes de resgate do sistema financeiro que, apesar de (na opinião do economista) mal desenhados e mal implementados, impediram que a crise bancária tivesse um impacto ainda maior. Por fim, houve também o pacote de estímulo do presidente Barack Obama. Insuficiente, segundo Krugman, mas melhor do que nada.

O estado da economia ainda preocupa, escreve Krugman. Ainda não sabemos qual será o tamanho da recessão em curso. É verdade que os estudos indicam que economistas não costumam acertar nas suas previsões para a extensão e profundidade das recessões, e que as empresas que cortaram postos de trabalho agressivamente nos últimos meses terão que contratar rapidamente quando a economia voltar a crescer. Seja como for, parece estar surgindo um consenso de que nos Estados Unidos o pior já passou. Os dados de emprego publicados na última sexta-feira parecem apontar nesta direção, mas ainda há grande incerteza quanto ao vigor dessa recuperação.

O economista Tim Duy, por exemplo, levanta uma série de questões interessantes no seu blog, Economist’s View. Ele acredita que o consumidor americano permanece desanimado e cauteloso, e que seus padrões de gastos mudaram de maneira mais ou menos permanente, em favor de produtos mais básicos, com margens de lucro menores para seus produtores, sejam eles fabricantes de sabão em pó ou construtores de novas casas. O que apontaria para uma recuperação lenta da economia e dos níveis de emprego.

Quanto ao resto do mundo, alguns países estão melhor preparados para um desempenho econômico superior nos próximos meses. A análise do site RGE Monitor, do economista Nouriel Roubini, aponta para o óbvio: vai se sair melhor quem tem fundamentos sólidos e políticas corretas. O Brasil aparece bem na fotografia, graças a fatores como um sistema financeiro sólido e relativamente isolado e alguma capacidade de resposta fiscal. Resta saber se a relativa disciplina dos últimos anos se manterá no ano eleitoral de 2010.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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