Comentário semanal

A recuperação da economia americana ainda corre o risco de sofrer uma interrupção se o Fed não dosar corretamente a política monetária nos próximos meses. Essa é a grande lição que os economistas estão tirando do que aconteceu em 1937, segundo o Wall Street Journal.

O problema é dosar o estímulo de maneira a evitar, por um lado, uma nova recaída na recessão, e por outro os riscos de crescimento explosivo do déficit público, da dívida, e, no médio e longo prazo, inflação. O consenso dos economistas hoje é que o declínio econômico que começou com a quebra da bolsa de Nova York em 1929 já tinha perdido muito da sua capacidade de assustar por volta de 1933. Uma série de erros de política econômica, no entanto, fez com que os EUA voltassem a uma profunda recessão em 1937.

Os erros foram tanto de política monetária como de política fiscal. O Fed, observando os altos níveis de caixa mantidos pelos bancos, exigiu que eles aumentassem seus volumes de reservas, provocando assim um aperto monetário. Ao mesmo tempo, o executivo reduziu gastos enquanto entravam em vigor aumentos de impostos. O resultado foi uma recessão em W, prolongando o sofrimento.

A lição foi aprendida. Economistas como Ben Bernanke, presidente do Fed, e Christina Romer, presidente do Conselho de Assessores Econômicos, são estudiosos da Grande Depressão e estão decididos a não repetir o erro de suspender as medidas de estímulo antes da hora. Mas isso não quer dizer que não existe risco do outro lado. A expansão considerável do déficit fiscal e da dívida pública americana são assuntos sérios, que precisarão ser tratados com responsabilidade assim que a economia estiver novamente em uma trajetória de crescimento sustentado. E o balanço patrimonial do Fed também deverá voltar ao normal, assim que as condições o permitirem.

Questões fiscais também estão na pauta aqui no Brasil. Os jornais divulgaram trabalho de economistas ligados à oposição que identifica uma trajetória perigosa de crescimento dos gastos de custeio do governo federal. O governo alega que está fazendo política anticíclica, mas o argumento não convence já que gastos de custeio não podem ser facilmente reduzidos quando a economia voltar a crescer mais vigorosamente. Na impossibilidade de uma boa reforma tributária – impossibilidade essa já admitida pelo responsável pelo assunto no Ministério da Fazenda – a trajetória preocupa.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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