Archive for setembro \30\UTC 2009

Comentário semanal

setembro 30, 2009

A segunda-feira foi dia de alta nos mercados, com o Dow Jones subindo +1,28% e o S&P, +1,78%. Aqui no Brasil o Ibovespa seguiu a tendência com alta de +1,59%.

Ainda não é possível afirmar com segurança que a recuperação dos mercados financeiros reflete melhores perspectivas para a economia global. O espectro de uma depressão econômica foi afastado, mas o desempenho dos ativos financeiros tem muito a ver com a grande liquidez injetada pelos bancos centrais como remédio para a crise. A questão agora é saber se já está na hora desses mesmos bancos centrais estragarem a festa.

A revista Economist dessa semana traz alguns dados bastante relevantes. Os investidores americanos retiraram dos money market funds o total de US$ 332 bilhões de janeiro para cá, o equivalente a 10% do total investido nesses fundos. O que não é surpreendente, dado seu baixo retorno de cerca de 0,1% ao ano.

Com esse retorno tão baixo, os investidores têm, portanto, todos os incentivos para fugir das posições em caixa e colocar seu dinheiro para trabalhar em ativos de maior risco, e retorno, como ações, títulos de dívida de empresas e commodities. É importante destacar que uma boa parte desses recursos está se direcionando para os mercados emergentes, favorecidos por melhores perspectivas de crescimento econômico no médio e longo prazos. O mercado chinês, em particular, parece estar atraindo grandes volumes de recursos. Aqui no Brasil, esse movimento também é bastante pronunciado.

O importante, contudo, é saber se essa tendência positiva terá força para seguir em frente sem o apoio das autoridades monetárias. Economistas como Kevin Warsh, do Fed, já discutem qual deve ser a estratégia de retorno à normalidade, mantendo a credibilidade da autoridade monetária e observando cuidadosamente o estado dos mercados. Será muito difícil encontrar o ponto exato de equilíbrio nos próximos meses.

O relatório Focus publicado esta semana pelo Banco Central brasileiro já demonstra uma elevação na taxa de juros esperada pelo mercado para 2010. A previsão dos analistas de mercado para a Selic para o final do ano que vem subiu de 9,25% para 9,50%. O mercado aumentou também sua expectativa para o crescimento de 2010 de 4,2% para 4,5%.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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setembro 22, 2009

A notícia mais importante dessa segunda-feira foi o anúncio por parte do Banco Santander SA, da Espanha, de uma oferta primária de ações do Banco Santander Brasil. A operação, programada para outubro, deve trazer um total de R$ 13 bilhões para o caixa do Santander Brasil. Após a venda das ações, os minoritários possuirão 16% do capital do banco.

A operação será a maior da história do mercado brasileiro, ultrapassando os R$ 8,4 bilhões captados pela Visanet em junho, e a segunda maior do planeta em 2009, superada apenas pela chinesa China State Construction Engineering Corp. E com essa emissão o mercado brasileiro deverá fechar 2009 como um dos líderes do mundo em volume de colocação de ações, junto com a China.

O Santander afirma que 70% dos recursos levantados se destinará à expansão das suas operações no país, e o restante será usado para aumentar sua base de capital. O banco consegue assim demonstrar ao mesmo tempo otimismo com relação às perspectivas de médio e longo prazo para o mercado brasileiro e cautela no que diz respeito à sua capitalização, que pode sofrer caso as taxas de juros voltem a subir e afetem negativamente a qualidade dos créditos da sua carteira.

A visão otimista do Santander para a economia brasileira nos próximos anos não parece muito diferente daquela da maioria dos investidores. Comentários sobre a abertura de capital do banco apontam invariavelmente para as excelentes perspectivas para o setor financeiro com a crescente penetração dos serviços bancários junto à classe média emergente, e para o status quase singular do Brasil no contexto de uma economia global ainda em um momento difícil de recuperação. A nota de cautela veio na coluna Lex, do Financial Times, que aponta para um real sobrevalorizado, possível alta dos juros e da inadimplência. Uma visão claramente minoritária em um momento de quase euforia.

E com todo esse otimismo o mercado brasileiro segue em um bom momento, com a bolsa com alta de +7,5% no acumulado do mês de setembro, tendo ultrapassado os 60.000 pontos.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Tanto os fundos de ações quanto os multimercado estão com performance muito boa agora em setembro.

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setembro 9, 2009

Apesar da relativa calma dos últimos meses, o período que começou com a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers foi dos mais agitados para os mercados globais. Foram tantas as reviravoltas que fica difícil acreditar que vai fazer apenas um ano desde aquele fim de semana de 13 e 14 de setembro de 2008, no qual as bases do sistema financeiro internacional tremeram.

A situação hoje parece bem mais tranqüila, graças em grande parte à intervenção dos bancos centrais, que impediu novas quebras de instituições sistemicamente importantes, e dos governos, que implementaram programas anti-cíclicos e assim reduziram o impacto sobre a produção e o emprego da crise financeira global.

O consenso, no entanto, termina por aí. Uma matéria da agência Bloomberg cita analistas como Richard Bernstein, ex-estrategista do banco de investimentos Merrill Lynch, para quem o governo americano está criando as condições para novas crises ao permitir e regular a formação de instituições financeiras cada vez maiores. O resultado, segundo esses analistas, é um incentivo para comportamento irresponsável por parte dos tomadores de decisões desses mega-bancos, que sabem que caso o pior aconteça as perdas serão socializadas.

A reunião do G-20 parece confirmar essa percepção, na medida em que o principal assunto discutido parece ter sido como limitar os bônus dos banqueiros, algo ao mesmo tempo de relevância discutível e de implementação difícil. A desmoralização dos economistas acadêmicos – narrada em longo artigo de Paul Krugman para o New York Times – não ajuda. Se eles não souberam prever a crise, seus conselhos sobre como evitar uma repetição perderam muito de sua credibilidade. E a janela para reformas está se fechando, na medida em que a crise vai se tornando uma memória cada vez mais distante.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. O mês de setembro começou bem para os fundos multimercado que, em sua maioria, estão com boa performance.

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setembro 1, 2009

Mais uma vez a queda das ações no mercado chinês parece ter repercutido ao redor do mundo. Depois de um declínio de -6,7% no índice da bolsa de Xangai nesta segunda-feira, tivemos quedas de -0,50% no índice Dow Jones e de -0,81% no S&P 500. O índice Bovespa acompanhou a tendência e fechou em queda de -2,10%.

A influência do mercado chinês sobre as bolsas de valores do mundo é um fenômeno recente, e até certo ponto surpreendente. Uma matéria da revista Economist da semana nos lembra que o mercado de ações chinês é um dos mais voláteis e ativos do mundo. Além disso, é um mercado efetivamente fechado para investidores estrangeiros, o que em tese deveria limitar a possibilidade de contágio para o resto do mundo.

O contágio se dá, segundo a Economist, por causa da crença dos investidores de que a China é a única grande economia do mundo que continua mostrando boas taxas de crescimento. Como as estatísticas oficiais não são muito confiáveis, o mercado de ações tornou-se um indicador de tendências futuras. O problema é que se trata de um mercado altamente especulativo, e suas oscilações para cima e para baixo, ainda segundo a Economist, têm mais a ver com expansão e retração do crédito do que com tendências de crescimento.

No curto prazo, no entanto, o sentimento negativo parece dominar. As análises apontam para a China como ponto de partida para uma correção mais ampla. Por outro lado, há sinais positivos emergindo dos Estados Unidos como, por exemplo, o resultado financeiro favorável que o governo americano está apurando no TARP (programa de ajuda aos bancos). A retomada ainda não é coisa certa e muito vai depender da habilidade das autoridades monetárias das principais economias do mundo.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.