Archive for outubro \27\UTC 2009

Comentário semanal

outubro 27, 2009

Em uma segunda-feira de queda nos mercados globais – o índice Dow Jones fechou em baixa de -1,05% e o S&P 500 de -1,17% – o índice Bovespa fechou com pequena alta de +0,04%. Mais um dia, portanto, de performance superior dos ativos brasileiros.

Apesar da reação negativa à imposição pelo governo de um IOF sobre a entrada de capital, persiste o otimismo com relação às perspectivas para a economia brasileira e para as empresas daqui. Especialistas locais consultados pela Agência Estado acreditam que a medida pode ter algum impacto sobre o mercado de IPOs, ou seja, de ofertas de ações de empresas, que pode migrar para Nova York. Mas o consenso é que o efeito sobre a Bovespa será mínimo, pois o cenário permanece positivo, os juros baixos, e as alternativas continuam sendo pouco atrativas.

Os estrangeiros parecem ainda mais otimistas. O Bloomberg cita relatório do banco de investimentos Goldman Sachs argumentando que no momento é muito mais arriscado para investidores estar fora do Brasil do que ter investimentos aqui. Os analistas da empresa vêem enormes perspectivas de rentabilidade para as empresas brasileiras, justificando expectativa de ganho de mais de 30% no índice Bovespa até meados de 2010. É difícil para qualquer gestor de recursos abrir mão de perspectivas de ganho desta magnitude em um mercado com poucas alternativas como o atual.

Contudo, parece haver uma diferença entre o otimismo contido dos profissionais brasileiros e a exuberância dos investidores estrangeiros, como nota o Financial Timesbin. Apesar da copa do mundo de 2014, dos jogos olímpicos de 2016 e do petróleo do pré-sal, parece evidente que nem todos os problemas do Brasil já foram resolvidos, e que boa parte da valorização dos mercados daqui se deve a taxas de juros muito baixas nas principais economias do mundo. Ou seja, enquanto as taxas de juros ao redor do mundo estiverem baixas como agora, o mercado brasileiro deverá continuar com boas perspectivas.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

Comentário semanal

outubro 20, 2009

Segundo notícia publicada no site da Bloomberg, o real é o destaque entre as principais moedas do mundo em 2009, com valorização de cerca de 35% frente ao dólar até o fechamento de segunda-feira. O Índice Bovespa, por sua vez, já subiu quase 80% no acumulado do ano.

E continua crescendo o coro dos comentaristas que vêem fortes sinais de bolha na dinâmica recente dos mercados globais. Hoje é a vez de Wolfgang Munchau, no Financial Times. Segundo ele, duas maneiras de medir o valor do mercado de ações – CAPE, uma relação preço/lucro ajustada para o ciclo econômico, e o Q de James Tobin – indicam que em meados de setembro o mercado americano estava 35 a 40% acima do preço justo. E de lá para cá o descompasso só aumentou.

E não é só o mercado de ações. Até o mercado imobiliário, epicentro da última bolha e da última crise, está subindo de novo e mostrando sinais de sobreaquecimento. A razão disso tudo é uma só: taxas de juros nominais baixíssimas, conseqüência das políticas monetárias dos bancos centrais que procuram manter vivos sistemas bancários que ainda não saíram da UTI.

Os riscos de inflação no momento permanecem muito baixos, mas Munchau teme uma reversão de expectativas a partir de 2010. Nesse caso as autoridades monetárias terão enormes dificuldades em evitar os riscos de deflação por um lado e de inflação pelo outro.

Neste cenário não surpreende a notícia publicada no final de semana, subseqüentemente negada e finalmente confirmada de que o governo brasileiro estaria estudando medidas para conter a entrada de dólares no país. A recente enxurrada de dólares e a valorização do real preocupam as autoridades brasileiras temerosas de seu impacto na competitividade de nossos produtos e do efeito em nossas contas externas.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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outubro 14, 2009

A Bolsa de São Paulo fechou em alta de +0,90% nesta terça-feira, mantendo a tendência forte dos últimos meses. Os comentários dos últimos dias indicam que investidores ao redor do globo foram contagiados pelo clima de otimismo alimentado pela seleção do Rio de Janeiro como cidade sede das olimpíadas de 2016, pela colocação global de ações do Banco Santander Brasil e pela propaganda do governo brasileiro em torno das perspectivas de produção de petróleo na camada pré-sal.

O blog Zero Hedge, por exemplo, recentemente publicou um comentário muito positivo sobre o efeito dos jogos olímpicos sobre as economias de nações emergentes, argumentando que o investimento em infraestrutura será muito positivo para produtores de commodities e para setores como engenharia, construção e turismo. No Business Insider, por sua vez, lê-se que o banco de investimentos Goldman Sachs recomenda fortemente aos seus clientes a aquisição de ações de empresas com exposição aos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), já que é nesses países que se concentram as melhores perspectivas de crescimento para os próximos anos.

Há, no entanto, vozes que alertam para a fragilidade desse momento de quase euforia. O economista Willem Buiter, que “bloga” no site do Financial Times, repassa as relações causais: tudo começa nos bancos centrais dos países ricos que continuam injetando quantidades cavalares de liquidez nos seus mercados financeiros.

Diante da escalada dos preços dos ativos provocada pelo mar de liquidez nos mercados globais, poucos parecem se preocupar com o crescimento de novos desequilíbrios nas relações entre as economias mais importantes do mundo, escreve Stephen Roach. Essa falta de memória é geralmente o caminho mais curto para uma nova crise.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Assim como em setembro, os fundos de ações e os multimercado com posições em bolsa são os destaques do início de outubro.

Comentário semanal

outubro 6, 2009

Os principais mercados de ações do mundo continuam fortes, apesar das dúvidas com relação à vitalidade e sustentabilidade da retomada da economia mundial. A revista Economist da semana traz seção especial sobre esse tema, e conclui que o cenário daqui para a frente será terrível caso os governos das economias centrais não façam mais esforço para estimular o crescimento econômico.

A economia mundial não retornou ainda a um padrão normal de crescimento. Muito da reversão recente de uma tendência francamente negativa para uma moderadamente positiva se deve a fatores temporários como a reposição de estoques e os programas de estímulo fiscal e monetário dos governos. No entanto, persiste o problema fundamental do excesso de endividamento nas economias dos Estados Unidos e de outros países após o estouro de suas respectivas bolhas. O que sugere que os gastos dos consumidores não voltarão a crescer tão rápido, e que os bancos precisarão de mais capital.

A Economist pede ação coordenada dos governos dos Estados Unidos, China, Japão e Alemanha para rebalancear consumo, poupança e investimento. No médio e longo prazo, o objetivo é criar condições para que os verdadeiros “drivers” do crescimento – inovação e comércio internacional – voltem a funcionar.

No curto prazo, a questão é se a economia americana volta a entrar em recessão em 2010 ou 2011. Segundo o economista Menzie Chinn, do blog Econbrowser, o desempenho deve permanecer fraco, mas o pacote de estímulo do presidente Obama continuará fazendo algum efeito, já que muitas das suas provisões demoraram a entrar em prática.

Aqui no Brasil a tendência de curto prazo pouco mudou com relação à semana passada. O relatório Focus divulgado hoje pelo Banco Central indica que na expectativa media do mercado a taxa de inflação deve ficar abaixo da meta tanto em 2009 como em 2010, e que a economia deve voltar a crescer em torno de 4,5% a.a. no ano que vem – apesar de uma taxa Selic mais alta. A preocupação, como sempre, vem da parte fiscal. Em ano eleitoral e final de governo há uma tendência muito forte para anistias fiscais, efetivação de servidores, legalização de bingos e outras medidas iníquas, como escreve Everardo Maciel no Estado de S. Paulo de hoje, segunda-feira. Convém ficar de olho.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Os fundos de ações e multimercado tiveram, em sua maioria, ótima performance no mês de setembro.