Archive for novembro \24\UTC 2009

Comentário semanal

novembro 24, 2009

Os mercados de ações tiveram mais uma segunda-feira de alta, especialmente nos Estados Unidos. Os índices Dow Jones e S&P 500 subiram +1,29% e +1,36% respectivamente, enquanto o índice Bovespa teve alta de +0,45%. As declarações, durante o fim-de-semana, de um dos presidentes regionais do Fed alimentaram as expectativas de que a autoridade monetária americana deverá continuar intervindo no mercado de títulos lastreados em hipotecas além do primeiro trimestre de 2010. Ou seja, os investidores parecem mais animados com a perspectiva de juros muito baixos e liquidez muito folgada ainda por um bom período de tempo.

Os riscos dessa política são claros. O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, falou sobre o assunto nesta segunda-feira. Ele não vê perigo de perda de confiança no dólar, mas admite que a enorme massa de capital que está fluindo para as economias emergentes pode provocar bolhas de ativos. Especialmente porque muitos dos governos desses países procurarão a todo custo evitar aquela que seria a medida clássica nessas circunstâncias: permitir a valorização de suas moedas.

Fala-se muito sobre perda de confiança no dólar, apesar de não haver nenhum sinal concreto de que isso esteja acontecendo. Com efeito, economistas como Paul Krugman e Brad DeLong têm chamado atenção para o absurdo, na visão deles, cuidado com que o governo Obama tem se dedicado à questão do déficit fiscal. As taxas de juros exigidas por investidores para comprar títulos de longo prazo do Tesouro americano seguem muito baixas, indicando que não faltam investidores dispostos a financiá-lo.

No entanto, parece haver um consenso hoje em Washington de que a trajetória do déficit fiscal é insustentável e que mais cedo ou mais tarde não haverá mais ninguém disposto a comprar títulos do Tesouro americano se nada for feito para controlá-lo. Assim, uma percepção errônea do quadro econômico por parte de Washington pode estar colocando o governo americano em uma sinuca que não tinha nada de inevitável, impossibilitado a prática de novas medidas de estímulo fiscal caso essas venham a ser necessárias.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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Comentário semanal

novembro 17, 2009

E como se já não bastasse todo o resto, agora é a vez da revista Economist colocar o Brasil em sua capa, louvando o desempenho recente e as perspectivas para as nossas empresas e os nossos mercados. A imagem da capa – uma estátua do Cristo Redentor decolando como um foguete – é impressionante no seu otimismo, mas o conteúdo da revista traz nuances que não surpreendem quem vive aqui.

O relatório de doze páginas sobre negócios e finanças no Brasil discute as razões para o otimismo dos observadores estrangeiros, que podem ser resumidas em dois pontos. O primeiro deles é a prudência macroeconômica. A mudança começou com o plano Real, e seguiu com a lei de responsabilidade fiscal, com um banco central autônomo e um regime de metas de inflação, e com outras reformas iniciadas no governo Fernando Henrique Cardoso.

Graças a essa descoberta da prudência macroeconômica – o que inclui um sistema financeiro sólido – o país foi relativamente pouco afetado pela crise financeira global. O outro fator que ajuda a explicar o otimismo tem sido a alta dos preços das commodities, que vem beneficiando especialmente os setores de agricultura e de mineração, e que abre perspectivas muito positivas para o setor de petróleo.

A Economist não deixa de notar a cautela dos locais, e enumera uma série de razões para manter a prudência. O governo continua sendo um problema, através de tributação e burocracia excessivas, corrupção e insegurança jurídica. Além disso, a revista cita também a falta de crédito barato e de longo prazo, as questões ambientais do setor de commodities, a falta de investimentos em infra-estrutura, educação e segurança pública.

Sem dúvida, há razões para ser mais otimista com relação ao Brasil hoje do que quinze ou vinte anos atrás. Mas não custa lembrar que ainda há muito o que fazer e que muito do forte desempenho recente dos mercados se deve aos fluxos de capital estrangeiro impulsionados pelo dólar fraco, pelos juros baixos nos países ricos e pelo excesso de liquidez.

E com todos esses fatores a favor, o real continua se valorizando e a bolsa paulista está com um ótimo desempenho no mês e no acumulado do ano, como pode ser visto aqui no acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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novembro 10, 2009

Os mercados continuaram a sua trajetória ascendente nesta segunda-feira. O índice Dow Jones fechou em alta de +2,03%, atingindo o mais alto fechamento de 2009. O S&P 500 subiu +2,22%. O Ibovespa seguiu a tendência, com alta de +2,71%. O dólar continua em queda, não só frente ao real mas também frente as moedas da maior parte das principais economias do mundo.

Grande parte dessa euforia parece se dever aos acontecimentos do fim de semana. Mais especificamente, à declaração dos ministros da fazenda e presidentes dos bancos centrais do G-20. No comunicado divulgado após o seu encontro eles afirmaram que é necessário manter as medidas de estímulo até que a recuperação econômica mundial se firme. Em outras palavras, a política de juros muito próximos de zero deve persistir ainda por um bom tempo.

Do ponto de vista dos bancos centrais das economias maduras, não há alternativa à política de juros baixos. Como escreve Frederic Mishkin no Financial Times, a fraqueza da recuperação da economia, as baixas taxas de inflação atuais e a ausência de perspectivas de inflação para a frente só permitem uma linha de conduta.

Mishkin não nega o risco de uma bolha de ativos, mas argumenta que uma bolha que não está vinculada a um “boom” de crédito não é tão perigosa assim. Seja como for, os mercados continuam subindo, em descompasso com uma economia real ainda fraca, e os investidores seguem ligados em cada vírgula dos comunicados do comitê de política monetária do Fed, procurando os sinais do fim do dinheiro fácil. A relação entre liquidez, preços de ativos e dólar fraco deve continuar no centro das atenções ainda por um bom tempo.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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novembro 4, 2009

Tivemos no final de outubro muito mais volatilidade nos mercados do que vinha sendo o padrão nos últimos meses. Na verdade, a baixa volatilidade dos meses anteriores é que, até certo ponto, foi surpreendente, considerando as incertezas que ainda cercam as perspectivas para a economia mundial e para os mercados financeiros globais. A quebra da financeira CIT (que é bom ressaltar, não tem nada a ver com o Citigroup), apesar de não ter o impacto de um Lehman Brothers, é um sinal de que as coisas continuam longe da normalidade.

O que nos traz de volta ao economista Nouriel Roubini, que foi um dos poucos a acertar o prognóstico da última crise. Em um artigo publicado recentemente no Financial Times ele analisa os movimentos recentes nos mercados financeiros, observando que quase todas as classes de ativos arriscados tiveram altas significativas de março para cá. Ações, energia e commodities subiram, e caíram os “spreads” dos títulos de dívida privada. A maior valorização, no entanto, aconteceu nos investimentos mais arriscados: moedas, ações e títulos de dívida de mercados emergentes.

Para Roubini o veredicto é claro. A recuperação dos preços dos ativos ultrapassa em muito a recuperação (anêmica, segundo ele) da economia real. Isso só quer dizer uma coisa: a alta dos preços de ativos de risco tem sido impulsionada não só pela onda de liquidez produzida pelas políticas de juros baixíssimos do Fed, mas também pelo dólar fraco. Ficou fácil, e muito rentável, tomar dólares emprestados e aplicá-los em ativos de alto retorno.

Se isso não bastasse, há ainda o efeito das compras pelo Fed de instrumentos de dívida de longo prazo. Segundo Roubini, essas compras reduziram a volatilidade desses papéis, reduzindo a percepção de risco dos investidores. O resultado, segundo o economista, é uma enorme bolha de ativos que acabará estourando mais cedo ou mais tarde, com os efeitos de praxe.

Há outras vozes e outras opiniões sobre aquilo que está acontecendo nos mercados. Como a demanda por crédito ainda não voltou, é razoável que uma boa parte do dinheiro injetado pelas autoridades monetárias nos seus sistemas financeiros acabe em investimentos mais ou menos especulativos. Mas a margem de manobra dos bancos centrais é hoje minúscula, pois a recuperação das economias reais ainda está longe de garantida e o risco de bolhas não é desprezível.

Ou seja, vale a pena manter os olhos bem abertos. Pois enquanto não tivermos nenhum sinal mais forte de subida dos juros nos Estados Unidos e demais economias centrais, muito provavelmente os ativos de risco, incluindo os de países emergentes, têm grandes chances de continuar se valorizando.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. Apesar de ter apresentado uma boa performance durante quase todo o período, o Ibovespa fechou o mês com rentabilidade próxima de zero, devido ao movimento dos últimos dias. Os fundos multimercado, na média, apesar de também terem sofrido na última semana do mês, ainda apresentaram uma boa rentabilidade no período.