Comentário semanal

E como se já não bastasse todo o resto, agora é a vez da revista Economist colocar o Brasil em sua capa, louvando o desempenho recente e as perspectivas para as nossas empresas e os nossos mercados. A imagem da capa – uma estátua do Cristo Redentor decolando como um foguete – é impressionante no seu otimismo, mas o conteúdo da revista traz nuances que não surpreendem quem vive aqui.

O relatório de doze páginas sobre negócios e finanças no Brasil discute as razões para o otimismo dos observadores estrangeiros, que podem ser resumidas em dois pontos. O primeiro deles é a prudência macroeconômica. A mudança começou com o plano Real, e seguiu com a lei de responsabilidade fiscal, com um banco central autônomo e um regime de metas de inflação, e com outras reformas iniciadas no governo Fernando Henrique Cardoso.

Graças a essa descoberta da prudência macroeconômica – o que inclui um sistema financeiro sólido – o país foi relativamente pouco afetado pela crise financeira global. O outro fator que ajuda a explicar o otimismo tem sido a alta dos preços das commodities, que vem beneficiando especialmente os setores de agricultura e de mineração, e que abre perspectivas muito positivas para o setor de petróleo.

A Economist não deixa de notar a cautela dos locais, e enumera uma série de razões para manter a prudência. O governo continua sendo um problema, através de tributação e burocracia excessivas, corrupção e insegurança jurídica. Além disso, a revista cita também a falta de crédito barato e de longo prazo, as questões ambientais do setor de commodities, a falta de investimentos em infra-estrutura, educação e segurança pública.

Sem dúvida, há razões para ser mais otimista com relação ao Brasil hoje do que quinze ou vinte anos atrás. Mas não custa lembrar que ainda há muito o que fazer e que muito do forte desempenho recente dos mercados se deve aos fluxos de capital estrangeiro impulsionados pelo dólar fraco, pelos juros baixos nos países ricos e pelo excesso de liquidez.

E com todos esses fatores a favor, o real continua se valorizando e a bolsa paulista está com um ótimo desempenho no mês e no acumulado do ano, como pode ser visto aqui no acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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