Comentário semanal

Dubai é o grande assunto dos últimos dias nos mercados mundiais, explicando muito da volatilidade recente. Na quarta-feira da semana passada o governo daquele emirado anunciou que a holding estatal Dubai World cessaria o serviço de sua dívida de dezenas de bilhões de dólares, surpreendendo aqueles que davam a crise financeira global como superada.

Segundo o Financial Times, por trás da aparência de centro financeiro moderno e de cidade-estado modelo de Dubai o que existe é um estado autocrático que se recusa a encarar a realidade e uma empresa familiar cheia de segredos, que ignora as regras e as exigências dos mercados financeiros globais. Assim, o verdadeiro estado das finanças das empresas de Dubai era um mistério até mesmo para seus administradores, mais preocupados com as intrigas da corte do sheik Mohammed do que com estratégias de sobrevivência em um mercado muito mais difícil do que aquele de dois ou três anos atrás.

Ainda é impossível dizer com clareza como a crise de Dubai vai se desenrolar. O banco central dos Emirados Árabes Unidos, federação da qual Dubai faz parte, indicou hoje, segunda-feira, que tomará as medidas necessárias para garantir a liquidez das instituições financeiras locais. Mas ainda há muitas dúvidas sobre o que acontecerá com a dívida da Dubai World e suas companhias subsidiárias. As últimas notícias indicam que a renegociação afetará cerca de US$ 26 bilhões, e não os US$ 59 bilhões que se imaginava inicialmente.

A grande questão, no entanto, é saber se Dubai é um indicador de que coisas piores virão por aí. Essa parece ser a opinião de Gillian Tett, por exemplo. A jornalista do Financial Times vê ali um sinal de que o excesso de alavancagem continua presente no sistema e pode gerar surpresas altamente desagradáveis, seja no Oriente Médio, seja nos países desenvolvidos. Outros, como o economista Paul Krugman, parecem mais inclinados a ver em Dubai um caso especial de bolha imobiliária, pouco aplicável ao resto do mundo.

Seja como for, a Dubai World não é um caso de “default” soberano, mas traz o assunto de volta à agenda. A volatilidade a as manchetes dos últimos dias indicam que a crise ainda não acabou.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

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