Archive for março \23\UTC 2010

Comentário semanal

março 23, 2010

O índice Bovespa encerrou o pregão desta segunda-feira com alta de +0,31%, fechando acima do patamar de 69 mil pontos. A alta dos mercados americanos de +0,41% no índice Dow Jones e +0,51% no índice S&P 500, ajudou a animar um pouco o mercado brasileiro, assim como o otimismo com relação às perspectivas de um aumento do preço do minério de ferro negociado pela Vale do Rio Doce com os seus clientes asiáticos.

Nos EUA o principal assunto é a passagem do pacote de reforma do sistema de saúde do presidente Barack Obama. A reação dos mercados, com altas das ações de seguradoras e laboratórios, mostra que a histeria dos republicanos parece ter pouca relação com o real impacto econômico das medidas.

No cenário global a crise grega permanece nas manchetes, ainda longe de uma resolução. A montagem de um pacote de ajuda pelas economias líderes da zona do euro parece a cada dia menos provável, e a Alemanha parece preferir um empréstimo do FMI. O interesse dos investidores pelos mercados emergentes, no entanto, continua forte.

Aqui no Brasil, a maior expectativa da semana, contudo, diz respeito a juros e inflação. Na sua reunião da semana passada, o Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a taxa Selic no patamar de 8,75% ao ano. A decisão, no entanto, não foi unânime. Foram cinco os votos a favor da manutenção e três pela elevação dos juros em 0,50 ponto percentual, e o comunicado emitido pelo BC diz que o Copom vai “monitorar atentamente” o cenário macro, linguagem que, para alguns analistas, sugere viés de alta nas suas próximas reuniões.

Como sempre, a trajetória dos juros dependerá dos rumos da inflação, e mesmo com os números ruins publicados recentemente, muitos analistas ainda não estão convencidos da necessidade de aperto da política monetária. As perspectivas devem ficar um pouco mais claras após a divulgação da ata da reunião, na próxima quinta-feira.

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Comentário semanal

março 16, 2010

O economista Paul Krugman discute, em sua mais recente coluna para o New York Times, uma das questões mais comentadas da economia mundial hoje: a taxa de câmbio da moeda chinesa, o yuan, e o que fazer a respeito dela.

Krugman está entre os (muitos) economistas que acreditam que a moeda chinesa está subvalorizada. Ele admite que a discussão não é nova, e que as reclamações sobre os chineses e seu câmbio manipulado começaram – no mínimo – em 2003. De lá para cá, no entanto, o problema só piorou. Os seus superávits em conta corrente só cresceram, assim como a sua acumulação de reservas, que hoje gira em torno de US$ 30 bilhões por mês.

No entanto, ele acredita que o governo americano deve confrontar os chineses agora. A política cambial chinesa pode não ter mudado, mas o ambiente econômico global mudou, escreve Krugman. A maior parte das grandes economias do mundo está hoje em armadilha de liquidez, sem condições de aumentar o estímulo monetário para suas economias deprimidas porque suas taxas de juros já estão próximas a zero. A política cambial chinesa funciona como um anti-estímulo, e o resto do mundo não dispõe de instrumentos para responder.

Krugman acha que os americanos podem e devem jogar duro contra os chineses, e que são os chineses que têm mais a perder na relação de mutua dependência que existe hoje entre os dois países. A pressão política sobre a China – e sobre o governo Obama, para que faça algo a respeito – só tende a aumentar. Essas barganhas políticas podem influenciar, e muito, a vitalidade da economia mundial nos próximos anos.

Aqui no Brasil o real continua forte frente à moeda americana, com a taxa de cambio abaixo de R$ 1,80 por dólar.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark.

Comentário semanal

março 10, 2010

As dificuldades enfrentadas pelo governo grego revelaram que faltam à União Européia os instrumentos para lidar com uma crise financeira nos países que fazem parte da zona do euro. Em função disso, está começando uma discussão que pode levar a uma revisão substancial do sistema financeiro internacional.

A crise em câmera lenta vivida pelo governo grego ainda está longe de seus capítulos finais, mas uma coisa já ficou bastante clara: a disposição revelada pelos líderes da UE de oferecer ajuda à Grécia não basta, por si só, para resolvê-la. A ajuda financeira tem que vir de algum lugar, e precisa estar vinculada a determinadas condicionalidades.

Os gregos precisam mudar a trajetória das suas finanças públicas, pois uma repetição dos déficits dos últimos anos causaria uma expansão insustentável da sua dívida pública. Não existe, no entanto, um mecanismo institucional para implantar (e/ou monitorar) um programa de reforma dentro do quadro da União Européia. Chamar o FMI, que tem enorme experiência com situações semelhantes, seria politicamente indesejável.

A solução seria a criação de um Fundo Monetário Europeu, que poderia emprestar dinheiro para países endividados da zona do euro exigindo em troca medidas para a redução de desequilíbrios orçamentários. A criação deste Fundo certamente tomará tempo, e há quem acredite que seria necessária a negociação de um novo tratado dos países membros da UE – o que exigiria anos. Mas a simples discussão do tema já cria nervosismo na sede do FMI.

No curto prazo, os líderes europeus ainda não conseguiram definir se haverá ajuda financeira concreta para a Grécia, e que forma essa ajuda tomará. É mais um sinal de que os mercados ainda estão longe da normalidade.

No Brasil, o mercado de ações recuperou as perdas do início do ano com o Ibovespa terminando a semana com alta acumulada de +3,52% no mês de março e +0,38% no acumulado do ano de 2010, voltando ao patamar de 68 mil pontos. O real também se valorizou frente a moeda americana no período, rompendo a barreira de R$ 1,80 por dólar. A maior parte dos fundos multimercado se beneficiou desses movimentos.

março 2, 2010

O tema risco soberano continua na mente dos investidores, mas a Grécia deixou de ser o único foco. Hoje, segunda-feira, a estrela das manchetes foi a libra esterlina. A moeda britânica atravessou o patamar de US$ 1,50 por libra, o que não acontecia desde maio de 2009. Essa depreciação parece ter sido conseqüência de pesquisas de opinião divulgadas no fim de semana sugerindo que as eleições que ocorrerão no verão podem levar a um parlamento com pequena maioria trabalhista.

Aparentemente a preocupação dos investidores estaria centrada na possibilidade de que um governo trabalhista com pequena maioria no parlamento não teria condições de colocar em prática as medidas que se farão necessárias para controlar o déficit público nos próximos anos.

O foco dos mercados está cada vez mais no tamanho das dívidas e dos déficits dos devedores soberanos, levando comentaristas a sugerir que moedas como a libra estão se comportando cada vez mais como moedas de mercados emergentes. Ou seja, os principais “drivers” dos preços das moedas deixaram de ser as perspectivas de crescimento econômico dos seus países emissores, substituídas pela credibilidade de suas políticas fiscais.

É um movimento análogo ao que vem acontecendo na Grécia. Mas resta uma diferença fundamental entre créditos soberanos e créditos corporativos: países não quebram de um dia para o outro. O caso grego, portanto, vai se esticando com declarações contraditórias dos lideres europeus, até o dia em que o tesouro grego não conseguir rolar algum vencimento de títulos públicos.

E por mais estranho que pareça, o assunto no Brasil não é risco soberano. A preocupação dos investidores é o retorno da inflação. Tivemos nos últimos dias a divulgação de índices acima do esperado (IPCA e IGP-M), levando os agentes do mercado a elevar suas projeções de inflação para 2010. Mas ainda não parece haver consenso quanto às implicações disto para a política monetária.

Veja aqui o acompanhamento dos fundos distribuídos pela Benchmark. No mês passado o real e a bolsa brasileira se recuperaram de parte de suas perdas de janeiro, e a maior parte dos fundos multimercado também apresentou boa rentabilidade.